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Legislativas 2015

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A causa das causas segundo António Costa

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Rui Duarte Silva

Num almoço com sindicalistas do PS de todo o país, o candidato a primeiro-ministro focou-se nas políticas económicas e de criação de emprego

Luísa Meireles

Luísa Meireles

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Redatora Principal

"Emprego, emprego, emprego", foi esta a mensagem principal do discurso de António Costa, num almoço hoje com sindicalistas do PS, cerca de 800 vindos de todo o país, que se reuniram no Pavilhão Multiusos em Odivelas.

Antes, Costa esteve de manhã no mercado de Alvalade e em Queluz, em "contactos com a população".

"Esta é a nova prioridade da política económica para o novo governo, o emprego como a causa das causas", sublinhou o secretário geral do PS, rodeado no palanque de uma série de sindicalistas, "a nova e velha geração de socialistas sindicalistas", que compareceram ao encontro sobre o "diálogo social".

Se a necessidade de criar novos empregos e a crítica às políticas da atual maioria preencheram o essencial do discurso do líder socialista, não faltou também o apelo a uma maioria clara, ao voto no "partido da mãozinha", como afirmou.

Uma maioria para "não ficarmos dependentes da direita"

Repetindo a frase que disse logo após as europeias - e com a qual deu o sinal de partida para a corrida contra António José Seguro à liderança do PS - disse: "é necessário não ganhar por poucochinho, porque quem ganha por poucochinho só pode fazer poucochinho".

E salientou: "e, infelizmente, nós temos muito para fazer, e por isso precisamos de uma vitória clara e inequívoca, que nos dê uma maioria para que não fiquemos dependentes da direita, para cumprir a mudança que os portugueses querem que se faça em Portugal".

A frase foi eloquente sobre quem António Costa pensa poderão ser os parceiros com quem terá que negociar após as eleições, se não tiver a tal maioria sem margem para dúvidas, uma expressão que substituiu a "maioria absoluta".

Ao longo do seu discurso de cerca de 25 minutos , Costa explicou ainda as traves mestras do seu programa económico, porque "haver mudança não é simplesmente mudar a cara do Primeiro-ministro".

"Se nos apresentamos a estas eleições não é para ganhar o voto dos portugueses e prosseguir, com uma nova cara, a política dos últimos quatro anos", sublinhou, destacando depois as orientações principais do seu programa, a devolução do rendimento às famílias e criar condições para as empresas investirem. "E falar em aumentar a procura ou repor salários não é fazer o TGV nem um novo aeroporto", acrescentou ainda.

Antes de Costa, falaram ainda o líder da UGT, Carlos Silva - que não escamoteou as diferenças que o separam do líder do PS - e Carlos Trindade, dirigente da corrente socialista da CGTP.

O ambiente era o povo de esquerda. Ao longo de todo o almoço não faltaram as músicas de Paulo de Carvalho, Sérgio Godinho, Adriano Correia de Oliveira, Zeca Afonso. Um cheiro a 25 de Abril.