Fátima Barros, professora e directora da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica (FCEE-UCP), não tem dúvidas: "o laxismo na educação é um dos principais entraves para a competitividade".
"Temos um sistema educativo completamente desorientado, num ambiente que deixou de valorizar o esforço e o mérito. O mais grave é o que não fizémos até agora", afirmou a economista peremptória na sua intervenção da Conferência "Portugal em Exame 2010" .
Segundo a directora da FECC-UCP, não podemos compactuar com situações de laxismo na educação, nomeadamente a falta de exigência do ensino que está a hipotecar o futuro do capital humano português.
Falta saber investir
"O nível de investimento na educação não é um problema, porque temos um nível satisfatório em Portugal, mas falta apostar na qualidade", defendeu.
Para Fátima Barros é "importante ir lá para fora para perder o provincianismo português, mas tão ou mais importante é trazer de volta os melhores talentos para o país. "A balança tem que ser mais equilibrada, temos que exportar, mas também importar mais talentos e reter os melhores cérebros em Portugal. Isso é vital para a nossa competitividade", declarou.
"A Grécia está melhor que nós"
Questionada sobre a actual conjuntura económica, a directora da FCEE-UCP disse que a situação não é favorável e que as comparações à Grécia não são despropositadas. "Aliás, a Grécia está bem melhor que nós, porque apesar de ter aumentado os salários, conseguiu aumentar a competitividade e nós estamos longe disso".