16 de abril de 2014 às 10:45
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Laurindo Costa morre aos 76 anos

Empresário Laurindo Costa foi hoje a enterrar em Gaia. O seu nome fica ligado à construtora Soares da Costa, fundada pelo seu pai.

Abílio Ferreira
Laurindo Costa (1930-2011) Sérgio Granadeiro Laurindo Costa (1930-2011)

O empresário Laurindo Costa, 76 anos, foi esta manhã a enterrar no cemitério de Pedroso, em Gaia. Faleceu na terça-feira, mas a família só hoje tornou pública a sua morte. Laurindo foi acionista de referência da construtora Soares da Costa até 2007.

Laurindo Costa fez história no mundo dos negócios ao apear do poder, em meados de 1988, o seu irmão José, terminando com uma liderança de 53 anos na construtora fundada pelo seu pai. 

Reuniu na sombra um pacote de ações suficiente para derrubar José, sem que este sequer suspeitasse da manobra. Laurindo, o mais novo de uma prole de seis filhos, sempre fora um comercial que vivera na sombra do seu irmão mais velho, um líder solitário e omnipresente.

Ascensão e queda


Hoquista na juventude viciado em caça e pesca ao ponto de exibir no seu currículo um belo salmão de 25 quilos pescado no Alasca, Laurindo deixa o seu nome ligado à ascensão e queda da construtora da família. A construtora internacionalizara-se na década de 70, com obras na Venezuela e Guiné. Anos depois, seriam as torres Majadi, no Cairo. Em 2006, fechou um ciclo, transitando para o universo de Manuel Fino, que depois do cimento (Cimpor) se deixara tentar pelo betão.

Laurindo Costa esteve nos melhores e piores momentos da construtora. Conduziu-a à liderança do sector e tornou-se pioneiro na conquista de novos mercados, antes da descida aos infernos com dois funestos devaneios - o crescimento descontrolado de investimentos imobiliários de que o pior exemplo foi o empreendimento CIA, no Campo 24 de Agosto (Porto), e uma infeliz parceria com a FiatImpresit que era suposto dar acesso a novos mercados, em especial na Europa de Leste.

Arriscou as poupanças e património para salvar a empresa através de um aumento de capital e esperou que ela voltasse aos lucros para encontrar, em 2006, uma saída airosa. Depois de aventuras mal sucedidas no estrangeiro e no imobiliário, a companhia evitou o colapso com a injeção de 50 milhões de euros. Todos os accionistas de referência participaram no esforço financeiro, solução sugerida pela Teixeira Duarte (TD) - o grupo concorrente perfilara-se, dois anos antes, como parceiro estratégico.

Construtora salva 


Antes, já a SC ganhara o concurso do metro do metro do Porto, uma conquista preciosa. Laurindo meteu a parte que lhe competia e ainda reforçou a sua posição para quase o dobro. Laurindo ajudou a salvar a construtora, mas hipotecou a sua vida. Teve de se financiar, ficou refém do sistema bancário. Restava-lhe esperar uma oportunidade que liquidasse os compromissos bancários e lhe garantisse uma reforma tranquila e feliz.

Registada como construtora em 1925, depois de se ter iniciado como oficina de pintura sete anos antes, a vida da Soares da Costa foi marcada por várias alianças falhadas. Primeiro com a FiatImpresit, depois com a TD que fica com 25% que se encontrava no BCP. Laurindo acreditara que a parceria com a TD seria virtuosa e não lhe teria repugnado a ideia de a SC passar para a sua órbita. Mas a esperança transformou-se em desilusão. Em 2006, termina o ciclo da família Costa num dos grupos empresariais que se tornaram uma referência do Norte do país. 


        


 

  
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