Os riscos para a saúde do consumidor resultantes do uso continuado de lâmpadas fluorescentes compactas (LFC) ou economizadoras são mínimos, reconhecem dois especialistas portugueses.
Miguel Castelo-Branco, especialista em Ciências da Visão do Instituto de Investigação Biomédica em Luz e Imagem (IBILI) da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, considera mesmo que, "para muitos casos, o que é necessário é antes caracterizar bem cada tipo de lâmpada nas propriedades de emissão, tendo o cuidado de não repetir estudos clínicos que já foram feitos ou de não extrair conclusões apressadas a partir de estudos com exposição a intensidades distintas ou com espécies não humanas".
Castelo-Branco assinala, porém, que faltam mais dados e estudos controlados, no caso de certos tipos de fontes de iluminação. No fundo, "ninguém sabe ao certo o tipo de protecção que é necessária na fototoxicidade, porque ainda há muitos pontos de interrogação".
É o caso da luz azul, "mais fototóxica que luzes de outras cores, e que tem sido estudada sobretudo em modelos animais". Com efeito, "há quem defenda que esta luz agrava a degeneração da retina relacionada com a idade, em particular os foto-receptores, mas a tese é controversa e são necessários mais estudos".
Hugo Schonenberger de Oliveira, médico da Unidade de Fototerapia do Serviço de Dermatologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra, não crê "que existam riscos significativos para a saúde pelo uso continuado das LFC, nem para a população em geral nem para as pessoas padecendo de doenças de pele induzidas ou agravadas pela luz solar".
Intensidade da radiação também é importante
O especialista esclarece que, "para além do tipo de lâmpada, também é importante a intensidade da radiação - baixa nas LFC - e o espectro total de luz emitida, ou seja, o efeito sinérgico entre diferentes comprimentos de onda".
Por este motivo, por a luz artificial ser bastante diferente da emitida pelo Sol, "a maioria das doenças por fotossensibilidade são muito difíceis de reproduzir experimentalmente em laboratório de fotobiologia, onde procedemos aos chamados fototestes para procurar confirmar diagnósticos clínicos dúbios de fotodermatoses".
Nestes procedimentos, são usados tubos fluorescentes que emitem radiação ultravioleta com doses e comprimentos de onda bem caracterizados e com intensidades muito superiores às que essas lâmpadas eventualmente emitirão.
"Mesmo assim, num grande número de doentes não conseguimos reproduzir as lesões que estes afirmam serem causadas pela luz solar", explica Schonenberger de Oliveira. "Não me parece, portanto, verosímil que as lâmpadas economizadoras venham a ter um impacto significativo na saúde dos doentes".
Ligado desde 1998 à fotobiologia cutânea, o médico recorda que "nunca neste período identifiquei, ou se me apresentou, um doente com patologia decorrente da exposição a essas fontes de luz, que já estão no mercado e em uso regular há vários anos".
Admitindo que um ou outro doente particularmente sensível possa ver a sua fotodermatose agravada pela irradiação das LFC, como no caso de algumas urticárias solares, "estes serão sempre a excepção, não a regra".
Quanto ao problema das radiações ultravioleta, Miguel Castelo-Branco considera que estas "estão dentro de limites perfeitamente razoáveis" e assinala que "nas doenças cutâneas ou nas patologias da retina há riscos, mas que podem ser evitados desde que os doentes mantenham uma distância mínima superior a 20 centímetros das lâmpadas fluorescentes compactas".
"Os valores referidos para as radiações ultravioleta são muito baixos", salienta por sua vez Hugo Schonenberger de Oliveira, "e não comparáveis com a exposição solar que qualquer pessoa tem no seu dia-a-dia, pelo que a sua contribuição para algum risco de cancro de pele parece negligenciável".