24 de abril de 2014 às 22:43
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Lamento, mas os salários são a dívida

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

Anda por aí um cartaz que chega a ser cómico na sua ignorância ou demagogia. É um cartaz do BE que diz assim: "cortem na dívida e não nos salários". Contra esta cara de pau que é sempre protegida pela epiderme esquerdista do jornalismo pátrio, vale a pena reforçar a evidência: a dívida soberana paga os salários da função pública, ou melhor, paga parte desses salários . Os salários são a dívida; não existe um abismo entre dívida e salários, mas sim uma relação de causa-efeito, porque uma boa parte dos salários do funcionalismo dependia do crédito que o Estado obtinha junto dos mercados; em consequência, essa massa salarial depende agora da troika. Cortar na dívida (não emitir?; não pagar a que já foi emitida?) era o mesmo que cortar ainda mais nos salários. Das duas, uma: ou os líderes do BE vivem num daqueles mundos de fantasia infantil com elfs e fadinhas, ou BE está a mentir de propósito.

Para ter um mínimo de coerência, o BE tinha de assumir os efeitos das suas escolhas. E esse caminho de honestidade política até tem duas saídas. Em primeiro lugar, o BE podia assumir a luta contra a dependência do Estado em relação ao crédito/dívida. Ou seja, o "cortem na dívida" devia ter como consequência a defesa ativa de uma coisa simples: o Estado português devia emitir menos dívida nos mercados. Mas, como se sabe, o BE é contra a imposição de um tecto constitucional que limite o endividamento do Estado. A desonestidade é fantástica: de manhã, o BE xinga "a ditadura dos mercados"; à tarde, o mesmo BE reconhece, de forma indirecta, que a sua ideia de governação depende dos mercados da dívida . Em segundo lugar, o BE podia assumir que as suas escolhas conduziriam o país à saída do Euro e à reintrodução do Escudo. Porquê? A segunda saída coerente para o "cortem na dívida" seria o famoso "não pagamos". Confesso que respeitaria esta escolha do BE. Sucede que, para começo de conversa, o BE não se dá ao respeito, pois vende a ideia de que podemos ter uma coisa e o seu contrário.  

Comentários 156 Comentar
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E por que razão Raposinho a massa salarial da FP
é, agora, suportada pela dívida?

Não será por, entre outras razões, um Estado falido ter querido resgatar dois bancos privados?

Não será por, entre outras razões, um Estado ter andado durante décadas a favorecer alguns privados em parcerias com autênticas cláusulas leoninas?

Se o Estado não fosse (des)governado e o dinheiro que desde há quase 30 anos entra neste país não tivesse sido desbaratado por políticos e alguns privados, não haveria necessidade de pedir dinheiro para CUMPRIR UMA DAS OBRIGAÇÕES DO ESTADO.

Sim, Raposinho, o ESTADO paga ORDENADOS porque a ESCRAVATURA foi abolida. Aquilo que nunca foi ABOLIDO foi a responsonsabilidade dos governantes por gestão ruinosa, só que estes não prestam contas.

Cortar gorduras não é cortar salários, mas a nível dos recursos humanos (entre outros) significa torná-los eficientes...

(já agora, Raposinho, quanto dinheiro se pediu emprestado para que o gabinete do teu amigo Pedrocas tivesse 31 automóveis?)
31 pópós??? Ver comentário
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Re: E por que razão Raposinho a massa salarial da Ver comentário
Não acredito! Ver comentário
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Mas quais salarios, qual dívida......
"Se não tivéssemos dinheiro agora para fazer face às questões relevantes para o Povo Português, também não é com o acordo da Troika que o teríamos, já que dos 78 mil milhões de euros a que o mesmo se reporta, 12 mil milhões são para meter directamente na banca, 34 mil milhões para pagar juros - os juros exorbitantes, especulativos e usurários que a banca estrangeira, em particular a alemã, nos foi impondo - e 30 mil para avales e outras garantias do Estado a instituições do sector financeiro. Ou seja, nada destinado ao pagamento de salários, pensões ou subsídios ou a matar a fome a quem dela sofre.
A verdade é que, sem esta "ajuda" da Troika, o País continua a produzir - ainda que bastante menos do que podia e devia - e os trabalhadores continuam a pagar todos os meses os seus impostos e contribuições. Todos os meses são produzidos cerca de 15 mil milhões de euros de riqueza (média mensal do nosso PIB) pelo que é uma falácia dizer que o País já não teria dinheiro para pagar salários no próximo mês. Pois só não teria se continuasse a pagar os tais juros especulativos, a meter dinheiro na banca (só no BPN já lá vão mais de 5 mil milhões), nas parcerias público-privadas (que representam mais de 50 mil milhões de dívida), etc.
Se a isto se somar que, como todos sabemos, em Portugal só paga impostos quem trabalha, que, por exemplo, a banca tem pago cerca de 1/4 dos impostos pagos pela generalidade das empresas enquanto a sua dívida ao exterior é a mais elevada de todas". ...
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BE
O BE é um pequeno grupo de provocadores, que faz da demagogia programa. A finalidade é pôr pauzinhos na engrenagem, jogando na falência do regime democrático.

Só fala do BE quem não quer falar dos 2500 milhões a transferir dos trabalhadores para os patrões, nem na manifestação de 1 milhão.Nem da culpa das poupanças no decréscimo do consumo, nem das pieguices e histerismos dos portugueses, que se queixam, não se sabe de quê. na versão do PM.

Aí é que está o problema, não nos slogans do BE...............
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Mais da velha hipocrisia Canhota
Obrigado Raposo, por escrever tão taxativamente o que muitos pensam e vêm escrevendo nas redes sociais.

PCP, BE e alguns Socialista dizem ser contra a TROIKA.

Querem a TROIKA fora do País.

Querem ser donos de si próprios.

Estão no seu pleno direito de manifestar e ter opinião própria.

Mas estão também a não ser coerentes.

POLÍTICO, REFORMADO E FUNCIONÁRIO PÚBLICO QUE SEJA CONTRA A TROIKA, DEVE IMEDIATAMENTE DEVOLVER OS SALÁRIOS DESDE JUNHO DE 2011.

Sim, porque afinal o Estado não tinha dinheiro para pagar os salários, as reformas e demais compromissos nessa data e até hoje o dinheiro que está a ser depositado na conta dessas pessoas, é dinheiro proveniente da TROIKA.

Sejam coerentes para que a opinião que têm não seja demagógica e sectária desde a sua origem.
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O RAPOSO A PASSAR-SE ...
Pois é ... os grandes problemas de Portugal são os cartazes do BE ... e já agora as tias dos gajos do Bloco ... também ...
Quero ver o Dr. Mexia a chorar
É verdade Henrique Raposo. Os salários são a dívida.
E as rendas da EDP são o quê? Lucro?
E o dinheiro injetado na Banca é o quê? Lucro?
E as PPP's são quê? Lucro?
E as fundações são o quê? Lucro?
Ainda não os vi chorar!!!
Não foi você que disse numa crónica, que enquanto não visse o Dr. Mexia a chorar, não acreditava muito na equidade...!

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A falácia da troika e dos salários
Já o Estaline dizia , uma mentira repetida mil vezes passa a ser verdade.

Essa história que sem troika , não há dinheiro para salários é uma falácia , Portugal , pudera tambem , ainda produz o suficiente para pagar salários , agora sem a troika , não produz o suficiente para pagar os salários e os 9 mil milhões de juros ao mesmo tempo , essa é que é a verdade.

Portugal teria é que decretar uma moratória no pagamento da sua divida , nada de novo e de estranho , porque Portugal já o fez várias vezes no passado e voltará a fazer no futuro , isso no capitalismo é normal , faz parte do ciclo de reciclagem do sistema , o que não é normal é querer-se massacrar um povo por causa de uma divida.
Louçã,Sócrates e a bancarrota!
Sócrates foi o responsável pela bancarrota do País e o POvo agora está a pagar a factura!
Re: Louçã,Sócrates e a bancarrota! Ver comentário
Vou meter um susto ao águia: Ver comentário
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Re: Louçã,Sócrates e a bancarrota! Ver comentário
Re: Louçã,Sócrates e a bancarrota! Ver comentário
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HR
Diga-me qual o partido na AR que é verdadeiramente honesto?
Sabe qual a diferênça entre um político e um jornalista?
honestidades
O que pensa o Henrique Raposo da honestidade do atual primeiro-ministro? Já comparou o que ele disse antes de ser eleito com o que faz agora? Talvez isso tenha mais importância para os portugueses do que um cartazinho do BE...
HR: fazer jornalismo simples, claro e pedagógico
Parabéns Henrique Raposo,

O seu texto é pequenino, lê-se rápido e entende-se de imediato a mensagem.

O bom jornalismo não é só informar, mas também denunciar a demagogia, fazendo pedagogia.

Henrique Raposo conseguiu isso de forma simples e clara.

Parabéns!
Re: HR: fazer jornalismo simples, claro e pedagógi Ver comentário
Re: HR: fazer jornalismo simples, claro e pedagógi Ver comentário
Re: HR: fazer jornalismo simples, claro e pedagógi Ver comentário
Esqueça lá o BE...
Esqueça lá o BE, temos coisas importantes para falar nestes dias...

oreivaivestido.blogspot.pt/2012/09/o-triunfo-do-derrotismo.html
E por que razão Raposinho a massa salarial ´
Análise profunda como sempre

Pega-se num cartaz (aceitando a versão de Raposo da lavra do BE) e explica-se o estado da nação. Simples e eficaz.

Apesar de ter nascido com uma estrutura mental de esquerda nunca votei no BE. Reconheço mérito na denúncia de situações que de outro modo estariam ainda mais fora do debate político, e na facilidade de abordar as chamadas questões "fracturantes", que muitas vezes são ridicularizadas sem razão.
Mas claro que não posso votar num partido que tem Louçã como líder, uma mistura em partes iguais de fundamentalista islâmico, ditador iluminado e Torquemada.

Já no PCP votei algumas vezes, em eleições de pequeno poder local, onde o que importa são as pessoas e não o partido.
Seria incapaz de votar no mais dogmático dos partidos portugueses, apesar da empatia natural do camarada Jerónimo, uma surpresa pela positiva no aspecto humanista que não estávamos habituados em Cunhal e mesmo em Carvalhas, se bem que a cassete ainda seja a mesma.

Mas querer atribuir responsabilidades relevantes a partidos que estão completamente fora dos lugares de decisão política e económica, o BE desde sempre, o PCP há uns 35 anos, parece-me a mais despudorada das demagogias. Espantosamente é uma teoria que ainda faz escola.

Mais de 80% dos eleitores escolhem regularmente e sem excepções ser representados pelo chamado "arco-do-poder".
Alguém honestamente pode afirmar sem se rir que se o PCP e o BE não existissem a nossa situação financeira e económica seria diferente?
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DESTA VEZ CONCORDO
Concordo desta vez consigo. O BE NÃO PÁRA DE DAR TIROS NO PÉ, NO PIANISTA, E EM TODA A GENTE. A SUA POSIÇÃO POLÍTICA É APENAS SER "DO CONTRA". REIVINDICALISMO DESCEREBRADO.

A SAÍDA DA UE E DO EURO, COM A REESTRUTURAÇÃO, RENEGOCIAÇÃO, OU CORTE DA DÍVIDA, são a ÚNICA ALTERNATIVA VIÁVEL À BANCARROTA TOTAL que se avizinha CADA VEZ MAIS RAPIDAMENTE!!!!

Além disso, na perspectiva de uma AUSTERIDADE QUE DURE 15 ou 20 ANOS, MAIS VALE SOFRÊ-LA PARA ALCANÇAR A SUSTENTABILIDADE DO PAÍS, DO QUE A ESCRAVIZAÇÃO DOS PORTUGUESES AOS INTERESSES ESTRANGEIROS.

E por último, OS CÁLCULOS DE PASSOS, DE SEGURO, E DO BE, baseiam-se no pressuposto ERRADO E ALTAMENTE PERIGOSO de que a situação FINANCEIRA INTERNACIONAL NÃO SE IRÁ ALTERAR, e de que Portugal "conseguirá pagar a Dívida" CONTINUANDO TUDO NA MESMA OU EVOLUINDO FAVORAVELMENTE.

Por último, a INSTABILIDADE SOCIAL e a DEGRADAÇÃO DA ECONOMIA vão no sentido de uma PARAGEM OU DE UM CONFLITO SOCIAL E POLÍTICO MUITO GRAVE.

NÃO SERVE DE NADA REZAR À N. S. DE FÁTIMA E ESPERAR QUE TUDO CORRA BEM!!!!
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