A Camargo Corrêa apresentou à Cimpor uma proposta de fusão
João Carlos Santos
A francesa Lafarge, o segundo maior accionista da Cimpor, negou hoje a existência de um acordo com a brasileira Camargo Corrêa para a venda da participação que detém na cimenteira portuguesa.
"A Lafarge desmente as informação que surgiram hoje na imprensa portuguesa, segundo as quais o grupo tinha chegado a um acordo para a venda da sua participação de 17,3% na Cimpor à Camargo Corrêa", avançou o grupo francês em comunicado enviado à agência Lusa.
A Camargo Corrêa apresentou na quarta-feira à Cimpor uma proposta de fusão, que tem como condição à aquisição de uma participação entre 15 e 25% do capital social da cimenteira portuguesa.
CMVM pede esclarecimentos
Hoje, na sequência de uma notícia avançada pelo jornal Diário Económico, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) pediu à Camargo Corrêa esclarecimentos sobre a existência de algum acordo ou negociação entre a Camargo Corrêa e a Lafarge para a aquisição da participação dos franceses na Cimpor.
O regulador informa, em comunicado, que pediu à Camargo Correa que diga "se existe algum acordo celebrado entre a Camargo Corrêa ou qualquer entidade com ela relacionada com a Lafarge ou com qualquer entidade com ela relacionada com vista à aquisição da participação desta entidade na Cimpor ou qualquer negociação em curso esse fim".
Camargo Corrêa propõe fusão com Cimpor
A Cimpor anunciou na quarta-feira ter recebido uma proposta de fusão "preliminar e não vinculativa" do grupo brasileiro Camargo Corrêa.
O grupo brasileiro propõe a aquisição de uma participação "inferior a 50% do capital social e dos votos" da Cimpor após a fusão e a distribuição de um dividendo extraordinário no valor global de até 350 milhões de euros aos accionistas da cimenteira portuguesa.
A Cimpor afirmou na quarta-feira, em comunicado, não ser possível emitir uma opinião sobre a proposta de fusão apresentada pela Camargo Corrêa, mas garantiu que iria analisá-la "cuidadosamente".
Proposta analisada por accionistas
A cimenteira disse ainda que, caso se justifique, "emitirá a sua opinião sobre os termos e condições da fusão proposta, cuja aprovação dependerá sempre de deliberação da assembleia-geral de accionistas".
A proposta da Camargo Corrêa surge depois de a brasileira Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) ter anunciado, a 18 de Dezembro, o lançamento de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a totalidade do capital da Cimpor.
A oferta da CSN, que propunha o pagamento de 5,75 euros por cada acção da Cimpor, foi rejeitada pelo conselho de administração da cimenteira portuguesa, que a considerou "hostil, porque oportunística, irrelevante e perturbadora da [sua] actividade".