19 de junho de 2013 às 12:37
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Lá vamos cantando e rindo

Em Aveiro, crianças da escola pública vão, na véspera do dia de Portugal, vestir o traje da Mocidade Portuguesa. É reconfortante viver num País em que o desrespeito pela memória se aprende na escola. 
Daniel Oliveira (www.expresso.pt)

Num "belo momento de revisão da nossa história recente" (palavras do director do agrupamento de escolas), muitas crianças vão, amanhã, para comemorar os cem anos da República, vestir a farda da mocidade portuguesa e desfilar nas ruas de Aveiro. A professora responsável por esta bela ideia diz que "nada neste projecto leva para ideias de fascismo" . Nada. Tirando a farda, claro.

Os petizes vão cantar o hino nacional assim trajados, sendo certo que não serão obrigados a levantar o bracinho. Uma pena que a "revisão da história" não seja completa. Que bonito seria a cidade que assistiu ao congresso da oposição democrática ouvir os seus rebentos a cantar "Lá vamos cantando e rindo/Levados levados sim /Pela voz do som tremendo /Das tubas, clamor sem fim". Coisa que, ainda assim, se acontecesse, desde que fosse "trabalhado nas escolas com dignidade e muito sentido de responsabilidade" , não teria problema algum.

É natural que um País que deixa ao abandono o seu património e que despreza os direitos cívicos, trate mal a sua memória. É natural que um país que desrespeita os que lutaram pela liberdade - lembram-se da pensão oferecida a ex-pides mas recusada a Salgueiro Maia por aquele que veio a ser o nosso Presidente da República? - não leve a mal esta pornografia. Afinal de contas, nenhuma professora se fez fotografar nua na cidade de Aveiro.

Os saudosistas da velha e boa escola podem finalmente sentir o sabor do antigamente. Este País ainda vai entrar nos eixos.

Comentários 112 Comentar
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Ai os medos ...
A Mocidade Portuguesa teve o seu papel na sociedade portuguesa pós implementação da República. Condenar esta situação é não saber viver com o passado, e quem não sabe viver com o passado não aprende com as coisa más nem festeja as coisas boas. Pela mesma ordem de ideias destes intelectualoides de meia tijela, desfiles envergando o traje dos Templários, dos Navegadores de outrora ou dos soldados da guerra colonial também deviam ser proibidos e criticados.
99% das crianças e adolescentes que pertenceram à Mocidade Portuguesa não o fizeram por razões ideológicas mas pela possibilidade de prática desportiva e sã convivência com outras crianças e adolescentes de idades semelhantes.
Embora criticável em algumas ideias que lhe estavam subjacentes, 90% das actividades da Mocidade Portuguesa eram francamente positivas e é pena que actualmente não encontremos uma instituição parecida que incentive e permita aos jovens o conjunto de actividades que a Mocidade Portuguesa oferecia.

Há gentinha e ideologias que necessitam dos "BICHOS PAPÕES" para terem algum protagonismo.
As elites fascistas usurparam o poder Ver comentário
Re: Gostei deste teu momento de humor Ver comentário
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às crianças chamam pelo Teixeira dos Santos... Ver comentário
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A ETAR que ocupa a minha cabeça.... Ver comentário
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O Fascismo em Portugal nunca exisitiu? Ver comentário
Re:CACIQUISMO, sim e do muito rural Ver comentário
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Ganda Facho Ver comentário
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Mário Sacramento-e Aveiro.-desrespeitados
Na idade da inocência,a criamça ainda não tem plena noção do significado de certas coisas e é por isso que quem ensina tem que saber o que está a fazer e não pode brincar com a História de um Povo.
Não lembra ao diabo,em Aveiro ,cidade da Democracia e onde se realizou o importante 3ºCongresso Republicano,no Teatro Avenida-e onde aconteceu, no último dia ,uma brutal carga policial na romagem ao cemitério e em Homenagem a Mário Sacramento-uma Escola levar os seus alunos a vestirem uma farda ideológicamente ligada ao fascismo e castradora-desde a tenra juventude-da Liberdade e da Democracia.
E é muito mau que ninguém-responsável hierarquicamente-não tenha chamado a atenção e proibido uma tão ignorante provocação.
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Compreendo-o perfeitamente... Ver comentário
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Esqueceu-se de falar nos desfiles... Ver comentário
Re: Esqueceu-se de falar nos desfiles... Ver comentário
Se quiser saber qual a saudação... Ver comentário
Re: Se quiser saber qual a saudação... Ver comentário
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A ave rara é castrada pela Mocidade Ver comentário
O hábito não faz o monge
Se o hábito não faz o monge e se a juventude num passado totalitarista vestiu a farda da Mocidade Portuguesa, sem que por esse facto se tornasse fascista, certamente que não serão os jovens duma época de pluralismo, que por usarem a mesma farda se tornarão adeptos do salazarismo. Quem pensa o contrário, como parece ser o caso de Daniel Oliveira, deve estar com minhocas na cabeça.
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É ele e tu Ver comentário
Conhecer a história, sim. Revivê-la, não.
Eu andei na MP como disciplina obrigatória (até 1971), e devido a ser uma só vez por semana, era a que permitia menos faltas/ano.

Contrariamente ao que escreve um comentador, a MP surgiu em 1937, sendo portanto "obra" do Estado Novo e não da "República".

Não discordo, por exemplo, da existência de um museu sobre período de Salazar, ou mesmo sobre o próprio. É um facto histórico, não devemos escondê-lo, mas reviver a MP, com a utilização de crianças, acho abominável.

Se fossem adultos, discordaria... mas ficava pela discordância.

É a total relativização. Vê-se em todos os quadrantes políticos, basta recordar o protesto do PCP em relação à Polónia, sabendo que não há família polaca, em que um dos antepassados não tenha sido assassinado pelo Soviéticos. Que utilizavam um símbolo: A bandeira com a foice e o martelo.
 
É normal que os polacos não aceitem tal símbolo.

A MP é um símbolo. Simboliza a “arregimentação” da juventude portuguesa (dos 7 aos 25 anos), com o objectivo de a doutrinar ideologicamente, para respeitar e servir (daí o “S” na fivela do cinto) o Regime.

Todas as semanas, tínhamos que “gramar” com o “agradecimento” a Salazar, em que todo o espírito de curiosidade, ou contestação próprio da juventude era “abafado”, por uma disciplina “militar”.

Depois, havia actividades lúdicas. Mas resumir a MP a isso, é ingenuidade ou má-fé. Tudo relevar, só porque se aprendia a andar a cavalo, não lembra ao Diabo.
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Re: Conhecer a história, sim. Revivê-la, não. Ver comentário
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Não sabia
desta história, mas ela deixa-me indignado e desencorajado. Mais do que a crise económica é o ressurgimento deste espirito bafiento, que esperava já enterrado, que me assusta.
UMA HISTORIA CURIOSA
Estou d acordo com a sua análise. A crescente nostalgia com q o Estado Novo é brindado pelo povo português encontra as suas razões n péssima qualidade dos políticos do pós 25/IV. Salazar não foi a solução d nada mas convém dizer q muito pior teria sido se a sua solução tivesse sido implementada. Hoje seriamos a Albânia do Ocidente. Eu por razões profissionais tenho q me deslocar regularmente ao médio oriente e á África austral. Nos últimos anos tenho ido muito a Angola e por lá tenho-me deparado com situações extraordinárias. Devido ás minhas funções tenho tido a possibilidade d conhecer destacadas figuras daquele país. Recentemente alguém importante naquele contexto teve um grave problema d saúde e eu, por razões estritamente d cortesia, efectuei a visita q se impunha. Em Angola somos sempre recebidos com cordialidade e muita generosidade e, a visita q se previa para um máximo de 10 minutos transformou-se num par d horas. Por lá passaram outras figuras destacadas do regime e p surpresa d repente veio á conversa o tema Portugal – Mocidade – Escola. Fiquei esmagado com a boa lembrança q estes destacados membros do MPLA têm da sua infância. Partilharam-se recordações, cantaram-se canções daqueles tempos e perante o meu espanto alguém me disse:”Tenho excelentes recordações da Mocidade Portuguesa. Senão fosse a Mocidade nunca tinha aprendido a montar a cavalo.” A qual outro acrescentou” …e eu não tinha aprendido a nadar”.
Ganda facho Ver comentário
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Re: O meu pai ganhou lá Ver comentário
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Não me parece saudosismo
Porque não ver o assunto como uma forma de explicar às crianças o passado da nossa história... sem fazer disto um drama (saudosismo, regresso ao passado) e olhar simplesmente como uma lição de história ao vivo e a cores....

As crianças são seres puros... a maldade, as ideias mais pecaminosas talvez estejam na cabeça dos adultos!!!

Esses sim que logo tiram ilações, conclusões... que na sua mente lhes parecem a única explicação plausível.
Sua pecaminosa Ver comentário
Mocidade Portuguesa
Por coincidência ainda esta semana estive a ouvir a musica da Mocidade Portuguesa e a tentar saber mais alguma coisa sobre o assunto, e não encontrei nada que se ligue a fascismo, vi apenas jovens alegres e felizes.
Que mal faz enaltecer a juventude portuguesa e ensiná-los a amar a Pátria, não será isso também que se faz no apoio á selecção Portuguesa. Estão esquecidos das bandeiras nas janelas.
Re: Mocidade Portuguesa Ver comentário
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Lá vamos cantando e rindo
A questão em causa é o simbolismo que representa. Por isso é uma afronta a todos que ainda se encontram vivos e sofreram prisão e torturas. Já o disse mais que uma vez neste espaço, que estamos a viver uma situação económica e politica muito semelhante antes do aparecimento do Salazar. É claro que a Democracia permite manifestações destas, o que não acontece com as ditaduras. É aqui que reside a grande diferença dirão alguns, mas também é verdade que a liberdade de uns termina onde começa a dos outros. O casamento gay pode chocar algumas pessoas por uma questão de mentalidade dos bons usos e costumes, mas ir de vermelho para um funeral a cantar e a dançar é uma questão de bom senso.
Queres é o Salazar, fascistóide Ver comentário
É preciso muito cuidado com estas coisas....
.....pois as consequências podem ser complicadas.

Numa época de desânimo, com uma forte crise económica, onde o dinheiro não chega para os hábitos que todos (Estado, Empresas e Particulares), estupidamente foram criando e que, no essencial, passam por gastar mais do que podemos é perigoso levantar "fantasmas" de uma época onde tudo ainda era pior.

Era pior mas, a maioria dos Portugueses de hoje, não viveu esses tempos e, por isso, acredita facilmente em todas as "histórias" que alguns contam.

É verdade que existiu a Legião Portuguesa e a Mocidade Portuguesa. É verdade que no Ensino Público de então era obrigatório pertencer à Mocidade Portuguesa (pelo menos comprar a farda, como aconteceu comigo....).

Claro que não me parece um crime "recriar" o passado, naturalmente com a intenção de informar as pessoas.

De igual modo me parece quase repugnante a falta de referências à Guerra Colonial.

Passaram por lá quase um milhão de Portugueses, em condições terríveis, muitos autênticos heróis, facto que, independentemente do desfecho, nunca deverá ser esquecido, devendo, em minha opinião, ser devidamente realçado.

Condenar sim a PIDE, a Censura, os Governos fascistas, nunca os Portugueses que, de um outro modo, foram vítimas dos mesmos..............

Bonito!
Sim senhor, bonito este gesto!
Já agora porque não reactivar o forte de Peniche, pedir emprestado a Cabo Verde o Tarrafal e encaminhar doentes para o hospital prisão de Caxias?
Se estamos numa de reavivar a nossa história recente porque não também vestir outros meninos de presos políticos?
E que tal a professora ir de legionário?
Eu sei conviver com o passado e sempre que a minha lembrança se esvai vou ler para recordar. E o que recordo é um país culturalmente atrasado, analfabeto, pobre, explorado, violentado, em guerra, isolado do mundo, com um atraso de trinta anos em relação a países desenvolvidos, a falta de liberdade, a censura, os presos por ideias, a religião castradora, a maledicência, os bufos, etc.
É de uma falta de gosto voltar a ver símbolos retrógrados que nos lembram o quanto Portugal foi pequenino.
Hoje tudo é permitido em Portugal mas já que vão relembrar a história haja coragem de a fazer na totalidade e não a medo.
Gostava de saber o que diriam por aqui alguns dos que concordam e acham natural este ‘desfile’ se os Alemãs, por exemplo, se lembrassem de fazer uma passeata com os meninos da escola vestidos de ‘juventude hitleriana’, na qual se baseou a nossa MP, empunhando símbolos nazis e lembrando a todos o que foi este regime para o mundo.
É assim não conseguimos perdoar a democracia mas achamos graça à ditadura!
Re: Bonito! Ver comentário
Sr Daniel Oliveira
Sou dessa época mas nunca tive o prazer de vestir essa farda, mas se a vestisse não queria dizer que me tornasse fascista.
Mas talvez no seu partido os haja, e mais prefiro uma ditadura de direita que a de esquerda.
Você acha que relembrar o passado é um desrespeito pelos defensores da liberdade?
Qual liberdade? a dos corruptos que puseram o meu país na ruína?
Será bom lembrar-lhe que o fachista deixou os cofres cheios de ouro, e que muitos apoiantes das suas ideias se entreteram a esbanjá-lo.
Mas cada um tem as suas ideias, mas as minhas nunca a uma ditadura de esquerda.
Qual é a surpresa?
Afinal num país com quase 900 anos de História, que desbravou mares nunca dantes navegados, que deu novos mundos ao mundo, que teve homens de visão, de coragem e poetas como poucos se podem orgulhar...afinal não foi eleito Salazar como o maior português de sempre? E dizem mal do governo? Cada povo tem o governo que merece como dizia o outro...
Portugal deve ter orgulho do seu passado
Portugal é a 2ª Nação mais antiga da Europa. Não nasceu no dia 25 de Abril de 1974. Os Republicanos gostam de fingir que não houve monarquia: segundo os mesmos tudo foi mau até 1910.
A democracia pós 25A gosta de fingir que não houve uma 1ª Republica e que a ditadura não foi uma Republica. Segundo Eles o sistema perfeito é a 2ª Republica, pós 25A. Será? Todos os regimes dos nossos 8 seculos de historia tiveram as suas virtudes e os seus defeitos, os seus pontos altos e baixos. Quando o povo se aperceber que o actual regime (esquerda e direita) já não dá resposta aos seus problemas vai acontecer uma mudança de regime.
Re: Portugal deve ter orgulho do seu passado Ver comentário
Estamos a ser levados, levados sim...
Quando foi formada a mocidade portuguesa destinava-se a seguir os modelos da juventudes fascistas italianas e nazis alemãs.

Ao incutir na juventude os ideais do fascismo da submissão ao chefe e ódio à democracia, Salazar pretendia domesticar a juventude e deste modo anular as hipóteses de revolta que pusesse em causa o regime ditatorial.

Ao ressuscitarem esses símbolos fascistas os promotores prestam um péssimo serviço a Portugal.

Nós precisamos de uma juventude mais culta e mais empreendedora mas devemos renegar qualquer hipótese de uma juventude de cabeça baixa, com canga ideológica, incapaz de criar com as suas próprias mãos o seu futuro e a necessitar de um qualquer chefe totalitário.

Não Passarão! Viva a Liberdade!

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