23 de abril de 2014 às 15:32
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Juros espanhóis descem da linha vermelha

As palavras proferidas hoje pelo presidente do BCE conseguiram fazer descer os juros das obrigações espanholas com prazos a três, a cinco e a dez anos abaixo da linha vermelha. Beneficiaram também Irlanda e Itália. Mas não totalmente Portugal
Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

Espanha e Itália viram o verão menos escaldante nestes últimos dois dias. Ontem foram as palavras ambíguas de uma resposta dada pelo governador do Banco Central da Áustria sobre a eventualidade de se discutir a atribuição de uma licença bancária ao futuro Mecanismo Europeu de Estabilidade a acalmar o mercado secundário da dívida soberana. O efeito das frases do austríaco Ewald Novotny foi imediato. Sem qualquer intervenção efetiva do Banco Central Europeu (BCE) no mercado secundário, as yields dos títulos dos países no olho do furacão da crise baixaram.

Hoje, em Londres, foram as frases muito acertivas de Mário Draghi, o presidente do BCE, criando expetativa sobre as decisões que poderão sair da reunião de governadores de 2 de agosto (quinta-feira da próxima semana) a provocar uma vaga de redução substancial do stresse na dívida de Espanha e de Itália. "Acreditem em mim será suficiente", disse o italiano que chefia o banco central da zona euro. O que significa que a reunião de 2 de agosto vai ser encarada como decisiva em pleno Verão.

Juros espanhóis descem da linha vermelha


Madrid conseguiu ver hoje as yields (juros) das obrigações espanholas (OE) no mercado secundário descerem do patamar dos 7% nos prazos a três, a cinco e a dez anos, segundo dados da Bloomberg. Desde 19 de julho, que os juros das OE a 10 anos não desciam abaixo de 7%; fecharam hoje em 6,928%.

A Irlanda também beneficiou do contágio otimista conseguindo, pela primeira vez desde novembro de 2010, ver descer as yields dos títulos irlandeses a dois anos abaixo da linha dos 4%; fecharam em 3,74%, um nível inferior ao verificado hoje para os títulos do Tesouro italiano que fecharam em 4,06%. Sentindo a maré de feição, a agência da dívida irlandesa (National Treasury Management Agency) anunciou que vai regressar ao mercado com emissões a 5 e a 8 anos já no dia 2 de agosto, o dia da reunião do BCE. Depois de um "teste" em 5 de julho com uma emissão de 500 milhões de euros em títulos com prazo a 3 meses, os irlandeses querem regressar com colocação de dívida a médio e longo prazo.

Draghi não contagia obrigações do Tesouro


Em flagrante contraste, os juros das obrigações do Tesouro (OT) português não desceram nos prazos a dois, a três e a cinco anos; o contágio positivo das palavras de Draghi só se fez sentir, ligeiramente, no prazo a dez anos, cujos juros desceram de 11,44% no fecho de ontem para 11,34% hoje. Chegaram a estar durante o dia num máximo de 11,57%.

Os juros nos prazos a cinco e a dez anos continuam acima de 11%. Há um mês estavam em 9,59% no prazo a cinco anos e em 9,67% no prazo a dez anos. Houve um agravamento neste período.

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Re: Juros espanhóis descem da linha vermelha
Não deve ser por muito tempo , se calhar já amanhã voltam às subidas , afinal a palavra do Draghi não vale assim tanto , o que conta são as acções.
Não consigo perceber aquilo...
... que se passa com Portugal. Temos um governo credível e já somos um país com credibilidade (afirmação de Passos Coelho); somo talvez o melhor aluno seguindo todas as regras e indo até para além da troika...

Estamos a saldar o património, estamos a reduzir os salários, as indemnizações, as férias, os feriados... Estamos a aumentar todos os preços e os impostos...

Os mercados não nos compreendem, é o que é...

... talvez o Relvas use o telemóvel para lhes telefonar e a coisa altere...
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