22 de maio de 2013 às 18:58
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Juros dão tréguas ao orçamento de Teixeira dos Santos

Os juros da dívida pública portuguesa a 10 anos fecharam ontem abaixo dos 6%, fixando-se nos 5,74%. A descida implicou uma variação diária de 5,3%. O spread em relação aos juros alemães baixou para 3,37%

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)
Juros dão tréguas ao Orçamento do Estado para 2011 António Cotrim/Lusa Juros dão tréguas ao Orçamento do Estado para 2011

Depois de um sobressalto na terça-feira, os juros da dívida portuguesa a 10 anos iniciaram um processo de descida que culminou ontem com uma variação diária negativa significativa de 5,3%. Os juros fixaram-se no fecho de ontem nos 5,74%, segundo dados da Bloomberg, abaixo do patamar dos 6% onde se haviam acomodado desde 17 de setembro.

O spread dos juros das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos em relação aos juros das Bunds alemãs a 10 anos (que servem de referência na zona euro) baixou de 3,84% na segunda-feira para 3,37% ontem, segundo a Bloomberg. O que significará uma melhoria sensível nas condições de crédito internacional, no caso de o IGCP (Instituto de Gestão da Tesouraria do Crédito Público, a quem compete a gestão da dívida pública direta do Estado) recorrer ao mercado.

Desde o pico desta última crise da dívida soberana na periferia da zona euro em 28 de setembro, os juros da dívida pública portuguesa a 10 anos desceram de um máximo de 6,51% (o valor mais alto desde a adesão ao euro em 1999) para 5,74% ontem, afastando-se significativamente do limiar dos 7%, considerado pelo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, em entrevista ao Expresso, como porta de entrada para o recurso ao Fundo de Estabilização Financeira Europeu e ao Fundo Monetário Internacional. Recorde-se que, no dia seguinte ao pico desta última crise, o governo anunciou um novo pacote de austeridade.

Risco de default também em queda


A probabilidade de default (incumprimento da dívida soberana) também desceu de 28,37% no início da semana para 26,95% no fecho de ontem, segundo dados da CMA DataVision. Em relação ao pico desta última crise, a 28 de setembro, a descida foi, ainda, mais significativa, a partir de um nível de 32,47%.

Estas percentagens de risco de incumprimento baseiam-se nos movimentos especulativos dos investidores no mercado de credit default swaps (derivados financeiros que funcionam como seguros contra o risco de incumprimento) revelando a perceção que têm das condições das economias para honrarem os compromissos de dívida num horizonte de cinco anos.

Apesar da descida de 32% para pouco menos de 27%, Portugal conserva a sétima posição no TOP 10 mundial do risco de default, monitorizado pela CMA DataVision, posição para a qual entrou aquando do pico de 28 de setembro. O que significa que, em termos relativos, o país ainda não conseguiu descer o suficiente para "empurrar" para cima o Iraque ou o Dubai, que se encontram, respetivamente, em 8º e 9º lugares.


Descida nos outros dois colegas

A Grécia e a Irlanda são os outros dois países da zona euro que se encontram no referido TOP 10 mundial de probabilidade de default.

Desde o pico desta última crise a 28 de setembro, que a probabilidade de incumprimento da Grécia desceu de mais de 50% para 44,31% no fecho de ontem. Os juros da dívida pública grega a 10 anos desceram abaixo dos 9%. Refira-se que, aquando da crise de maio, estavam em 12,46%. No entanto, o país helénico conserva a 2ª posição no TOP 10, estando ainda distante da Argentina que ocupa o 3º lugar.

No caso da Irlanda, o risco baixou de 34,67% no pico em 28 de setembro para 29,55% no fecho ontem. Uma descida significativa, também, ainda que mais curta do que a portuguesa. No entanto, o Tigre Celta conseguiu descer de posição, situando-se agora na 6ª posição do já referido TOP 10. No pico da crise em setembro havia chegado ao 4º lugar.

O movimento de descida no risco foi acompanhado pela descida dos juros da dívida pública irlandesa a 10 anos - que baixaram de 6,42% no início da semana para 6,12% no fecho ontem. Desde o pico da crise em 28 de setembro, estes juros baixaram de um máximo de 6,74%. O pacote de intervenção no sistema bancário irlandês, anunciado a 30 de setembro pelo governo em Dublin, apesar do custo elevadíssimo em termos de défice orçamental (estima-se que possa disparar para os 32% do PIB), parece estar a acalmar os mercados financeiros.

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Exportar imagem de inteligência
Aqui está a prova de que o governo deve atacar o défice com determinação e sem cálculos eleitoralistas. Sócrates já deixou degradar demasiado de forma não explicada as contas de 2010 certamente por falta de coragem no PEC II.
Agora só falta que o PSD proponha a tal melhoria do orçamento, se é que tem alguma, que o governo a aceite e que votem ambos a favor do OE 2011. Só com isso, e sem fazer mais nada ganharemos milhares de milhões de €.
A proposta de OE contempla um aumento dificílimo e improvável das exportações cujo resultado não depende só de nós pois neste momento todos querem exportar e fazem campanhas pelo produtos nacionais. Curiosamente poderíamos poupar muito dinheiro em juros se o PSD aprovasse o OE e exportássemos uma imagem de inteligência, coisa que depende só de nós e que custa tanto como deixarmos de ser parvos.
Pouparemos..... Ver comentário
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Sócrates e a estratégia do PSD
Meu caro F. Torres,
Para sermos intelectualmente honestos, Sócrates é apenas o último herdeiro e liquidador da popular dinastia "vida fácil com o dinheiro dos outros" iniciada com grande êxito por Cavaco, levada ao extremo por Guterres e incontrolada por Durão/Santana. Como digníssimo sucessor desta dinastia, Sócrates é a cabeça visível de um país mesquinho e corrupto onde a competência incomoda ( e se exporta grátis) e onde se discutem pessoas em vez de ideias.
Oxalá Sócrates fosse o problema de Portugal pois já teria sido facílimo resolvê-lo nesta legislatura. Passos Coelho afirma que o governo cai quando ele quiser e tem razão, o que não confere é que não actue em conformidade.
O meu caro ainda acredita que o PSD, após ter deixado caducar o prazo para assaltar o poder e ter entrado na fase do "agarrem-me que eu quero brigar", tem alguma estratégia para ir aplicar o OE 2011 em Maio? Eu só consigo ver no comportamento do PSD escusas para não se comprometer com nada. Isso faz-me pensar que assim será até às próximas eleições legislativas ordinárias de 2013. Até lá irão atando uns arames a Sócrates para que ele não se desmorone e possa fazer o trabalho sujo. A única coisa que falta saber é qual será a desculpa que vão arranjar para não assaltarem o poder na próxima primavera, mas creio que irão dar mais uma de patriotas pois é o que melhor resultado dá.
PS: É tão divertido ver o mundo inteiro pedindo de joelhos a Passos Coelho para se abster.

 
Re: Sócrates e a estratégia do PSD Ver comentário
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