Julgamento de fotomontagem de Jardim vestido de Hitler já começou
O antigo diretor do jornal "O Garajau" e atual dirigente do Partido da Nova Democracia começou hoje a ser julgado pela publicação de uma fotomontagem do presidente do Governo Regional da Madeira com vestes de Hitler.
Eduardo Welsh, que integrou a lista do partido às últimas eleições regionais da Madeira, está acusado pelo Ministério Público (MP) de um crime de difamação por abuso de liberdade de imprensa, num processo que remonta à edição de 14 de novembro de 2008 do jornal, entretanto extinto.
Segundo o MP, o arguido, ao publicar na primeira página do jornal desse dia, uma fotomontagem do social-democrata Alberto João Jardim "nas vestes de Adolf Hitler, associando-o ao nazismo em geral, punha em causa a imagem" do presidente do Governo Regional, que se constituiu assistente no processo.
"Exerce o poder na Região Autónoma da Madeira da mesma forma que Adolf Hitler"
Para o MP, Eduardo Welsh transmitiu a ideia de que o governante "exerce o poder na Região Autónoma da Madeira da mesma forma que Adolf Hitler exercia o poder, de forma autoritária e desrespeitando os elementares direitos da pessoa humana", sustentando que Alberto João Jardim sentiu-se "atingido e indignado pelas referências feitas à sua atuação", prevendo que seria "alvo de comentários públicos e do descrédito da sua atuação profissional".
Na primeira sessão do julgamento, que decorreu esta tarde no Tribunal Judicial do Funchal, Eduardo Welsh justificou a escolha da capa do jornal para "denunciar as palavras tiradas de um discurso do presidente do Governo Regional numa inauguração em que apelava à violência".
O ex-diretor da publicação salientou a este propósito que Alberto João Jardim declarou que "o povo deve eliminar a formiga branca", sustentando que "houve mais discursos de incitamento à violência" e ao "ódio" em "atos públicos".
"O presidente Jardim, que se acha tão ofendido, acusa os outros de serem fascistas"
Criticando a ausência de "imparcialidade e isenção" do chefe do Executivo madeirense, que chamou a oposição de "fascista", Eduardo Welsh acrescentou: "Nestas eleições éramos os drogados fascistas".
"O presidente Jardim, que se acha tão ofendido, acusa os outros de serem fascistas", continuou o acusado, sublinhando ainda que o jornal, satírico, pretendia, com recurso ao humor, "brincar com as próprias coisas" que o governante chamava ao partido.
O deputado eleito pelo PSD para a Assembleia Legislativa, Roberto Silva, testemunha de Alberto João Jardim, considerou, contudo, que "O Garajau" "foi mais longe" que o humor, apontando a fotomontagem como um "ataque pessoal e político".
Roberto Silva acrescentou que o presidente do Governo Regional lhe confidenciou, posteriormente, a propósito da fotomontagem, que "se não fosse a Madeira, apetecia largar a política da mão".
Antes, o presidente da Assembleia Municipal do Funchal, João Dantas, eleito pelo PSD, referiu que "associar um cidadão a uma imagem de Hitler é insensato".
A sessão continuou com a audição de outras testemunhas.


Homem de Gouveia/Lusa
Alberto João Jardim é assistente no processo do MP
