As jornalistas Felícia Cabrita e Ana Paula Azevedo, do semanário "Sol", foram hoje constituídas arguidas no inquérito instaurado pelo procurador geral da República à divulgação de notícias sobre escutas telefónicas efetuadas no caso Face Oculta.
Em declarações à Lusa, a jornalista Felícia Cabrita explicou que ela e Ana Paula Azevedo foram chamadas ao Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP), onde foram constituídas arguidas, não tendo nenhuma delas prestado declarações, usando uma prerrogativa prevista na lei.
No âmbito do mesmo inquérito, foram já chamados ao DIAP o subdiretor do "Sol" Vítor Raínho e a advogada do semanário.
A abertura de um inquérito (investigação) foi anunciada pelo procurador geral da República, Pinto Monteiro, a 5 de fevereiro.
18 arguidos já constituídos
O "Sol" transcreveu extratos do despacho do juiz e do procurador de Aveiro responsáveis pelo caso Face Oculta, em que estes consideram haver indícios "muito fortes" de um plano, envolvendo o primeiro ministro, José Sócrates, para controlar a Comunicação Social, nomeadamente a estação de televisão TVI.
No âmbito deste processo, que investiga alegados casos de corrupção relacionados com empresas privadas e do setor empresarial do Estado, foram constituídos 18 arguidos, incluindo Armando Vara, antigo ministro socialista e alto quadro do BCP.
Nas escutas feitas durante a investigação foram intercetadas conversas entre Armando Vara e José Sócrates, tendo o procurador geral da República considerado que o seu conteúdo não tinha relevância criminal. O presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha Nascimento, considerou que as escutas não eram válidas, já que envolviam a figura do primeiro ministro e o juiz de instrução não tinha competências para as autorizar.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
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