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Retrato de uma região cada vez mais vulnerável à pobreza

Desemprego no Algarve triplica numa só década

Nuno Couto/Jornal do Algarve
10:35 Quarta feira, 16 de maio de 2012

Menos turistas, receitas a cair, investimentos suspensos e sangria de empregos... Isto é o que tem vindo a acontecer no Algarve nos últimos dez anos. Segundo apurou o JA, são já mais de 32 mil os inscritos nos centros de emprego da região, o triplo dos desempregados de 2001...! Portimão, Loulé, Albufeira e Faro estão no topo da lista, enquanto Alcoutim é o único município algarvio que escapa à escalada avassaladora do desemprego durante a última década. Neste período, o número de habitantes com ensino superior duplicou na região, mas as licenciaturas há muito que deixaram de ser uma garantia de trabalho

No final de 2001 existiam menos de 12 mil desempregados inscritos no Algarve. No final do ano passado já andavam perto dos 32 mil
No final de 2001 existiam menos de 12 mil desempregados inscritos no Algarve. No final do ano passado já andavam perto dos 32 mil

 

O número de desempregados na região algarvia triplicou na última década. O JA apurou, através dos dados do IEFP, que existiam no final de março 32.495 pessoas inscritas nos centros de emprego do Algarve, mais 20.678 face ao verificado em 2001...!

Desta forma, a atual taxa de desemprego é mais do triplo da registada no arranque da década passada. Segundo os últimos dados do Eurostat, a taxa de desemprego média no Algarve situou-se nos 17,5 por cento no último trimestre de 2011, sendo a maior de que há registo. Em 2001, a taxa era de apenas 3,9 por cento.

Analisando os dados, é possível constatar que existe uma clara tendência de subida a partir de 2008, ano em que estavam inscritas cerca de 16.500 pessoas nos centros de emprego da região. O número de desempregados continuou a disparar nos anos seguintes, atingindo mais de 25.600 algarvios em 2009, perto de 28.300 em 2010, culminando o ano de 2011 acima dos 31.500.

Desde 2001, só em três anos (2005, 2006 e 2007) é que o número de desempregados não subiu, com especial incidência no desemprego entre os jovens.

Ao mesmo tempo que o desemprego triplicou na última década na região do Algarve, duplicou também o número de habitantes com ensino superior (seis para 12 por cento). Contudo, os dados mostram que hoje em dia nem um "canudo" é suficiente para abrir as portas do mercado de trabalho. Atualmente, existem cerca de 2.300 jovens com licenciatura à procura de emprego, mas sem sucesso.

 

Todos os concelhos afetados exceto Alcoutim

A escalada do desemprego nos últimos dez anos é mais evidente nos municípios de Albufeira (1.181 em 2001 para 4.204 em 2011), Loulé (1.099 para 4.539), Portimão (1.956 para 4.754), Faro (1.583 para 3.929), Olhão (1.061 para 2.943) e Lagos (788 para 2.528). Em todos estes municípios o número de desempregados inscritos aumentou drasticamente nos últimos dez anos.

O mesmo aconteceu noutros concelhos algarvios de forma menos acentuada, mas não menos preocupante, como é o caso de Silves (que passou de 948 inscritos em 2001 para 2.212 no final de 2011), Lagoa (778 para 1.674), Vila Real de Santo António (831 para 1.582), Tavira (663 para 1.545), São Brás de Alportel (149 para 462), Castro Marim (241 para 386), Aljezur (117 para 287), Monchique (175 para 287) e Vila do Bispo (180 para 264).

Dos 16 concelhos da região algarvia, apenas Alcoutim escapa a este flagelo do desemprego. Em 2011 existiam 62 desempregados inscritos no centro de emprego, menos cinco em relação a 2001.

 

Os problemas de fundo do Algarve

O presidente do Núcleo Empresarial da Região do Algarve (NERA), Vítor Neto, escreveu recentemente num artigo de opinião que "o Algarve tem problemas de fundo" que têm de ser enfrentados com urgência para inverter esta situação.

"O desemprego no Algarve tem particular incidência no turismo, desde logo nos seus setores base - alojamento, restauração, lazer e comércio -, mas também noutros setores, a ele intimamente ligados, como a construção e a imobiliária", disse o responsável, apontando as áreas que mais têm sofrido com a sangria de empregos na última década.

"Quem conhece os números sabe bem que o turismo, em termos de procura, sobretudo dos estrangeiros, apesar de ter recuperado um pouco em 2011, está de facto estagnado e mesmo em quebra há cerca de dez anos", salientou Vítor Neto, acrescentando que, em contraponto, "todos temos a perceção que entretanto a oferta cresceu".

"Todos vemos o que se passa... E percebemos as razões do encerramento de empresas dos vários setores, para além dos encerramentos no inverno", afirmou o líder do NERA.

No mesmo texto, Vítor Neto refere-se ainda às "graves dificuldades financeiras" que atravessam a maioria dos municípios algarvios, publicamente já assumidas, acentuando que as dívidas das câmaras municipais a empresas da região "têm consequências na vida de centenas de empresas e no emprego", para além da paragem brusca do seu investimento. "E sabemos (não sei se todos) que será impossível no futuro voltar às mesmas práticas", referiu, propondo uma reflexão sincera sobre o "modelo de desenvolvimento do Algarve nos últimos anos", que considera "esgotado e impossível de alimentar artificialmente".

"Não há resposta sustentada para o desemprego, só com medidas sociais. O problema do desemprego e da criação de emprego para as novas gerações que já aí estão, só tem resposta com desenvolvimento económico e com empresas modernas e competitivas", concluiu Vítor Neto.

Desempregados inscritos no final do ano

 

2001 - 11.817

2002 - 13.745

2003 - 15.329

2004 - 16.173

2005 - 15.823

2006 - 15.360

2007 - 14.035

2008 - 16.498

2009 - 25.602

2010 - 28.298

2011 - 31.658

2012 - 32.495 (*)

 

(*) - Valor registado no final de março

Fonte: IEFP

Comissão Vitivinícola realça que qualidade já é reconhecida por críticos e consumidores

Vinhos do Algarve à conquista das Américas

Nuno Couto/Jornal do Algarve
10:18 Quarta feira, 9 de maio de 2012

Vinhas que recorrem às melhores técnicas e castas, adegas que cumprem as regras mais exigentes e os serviços dos melhores enólogos colocaram os vinhos do Algarve num patamar de excelência. Em declarações ao JA, o presidente da Comissão Vitivinícola do Algarve, Carlos Gracias, revela que a aposta daqui para a frente será na conquista de novos mercados, com destaque para os Estados Unidos, Canadá e Brasil. A Europa do Norte e a Rússia também estão na mira da CVA. Por outro lado, Carlos Gracias lamenta a fraca aposta dos empresários da restauração nos vinhos regionais. Segundo o responsável, bastaria que cada estabelecimento tivesse algumas referências dos vinhos do Algarve para ser comercializada toda a produção da região

A implantação de novas vinhas ao longo da última década culmina agora com a obtenção de vinhos de maior qualidade
A implantação de novas vinhas ao longo da última década culmina agora com a obtenção de vinhos de maior qualidade
O Algarve despontou finalmente como uma das mais promissoras regiões produtoras de vinho do país. A evolução deste setor foi extraordinária na última década, sobretudo em termos de qualidade, e a prova disso são os prémios que vários vinhos algarvios venceram recentemente em concursos nacionais e internacionais, deixando para trás outras regiões com tradição no setor.

"A qualidade e notoriedade dos vinhos do Algarve é já reconhecida pelos críticos, peritos e pelos consumidores em geral. O trabalho que temos pela frente é manter este posicionamento estratégico", disse esta semana ao JA Carlos Gracias, presidente da Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA).

Segundo o responsável, os planos da comissão passam por desenvolver ações com vista à conquista de novos mercados "que valorizem a qualidade dos nossos vinhos", nomeadamente "os Estados Unidos da América, Canadá, Brasil, assim como a Europa do Norte e Rússia".

Para Carlos Gracias, depois da evolução que se verificou nos últimos dez anos neste setor, a região algarvia está atualmente em condições para se afirmar definitivamente no mercado internacional.

"Pela parte dos viticultores e produtores o mais difícil já foi realizado, desde a implantação de vinhas recorrendo às melhores técnicas e castas, a instalação de adegas que obedecem às mais exigentes regras legais, até aos serviços dos melhores enólogos que culmina com a obtenção dos melhores vinhos, cuja qualidade é unanimemente reconhecida", salientou o presidente da CVA.

 

Estabelecimentos não aderem aos vinhos regionais

 

O responsável adiantou ao JA que esta é uma forma de contornar as dificuldades em conquistar o próprio "mercado regional", e, assim, garantir o escoamento das produções e potenciar o desenvolvimento do setor.

"Se pensarmos que o Algarve, como importante região turística, tem um número considerável de estabelecimentos de restauração e bebidas, bastaria que cada um deles tivesse nas suas ´cartas´ algumas referências dos "Vinhos do Algarve" para ser comercializada toda a produção da região", sustentou Carlos Gracias, acrescentando que esta seria também uma forma de "proporcionar aos turistas a oportunidade de apreciar os nossos néctares".

O presidente da comissão vitivinícola sugere ainda às entidades regionais que exijam "o serviço de vinhos algarvios quando oferecem refeições e beberetes", salientando que este seria "mais um passo no sentido da defesa e promoção da região, contribuindo assim para a sustentabilidade do setor".

O responsável lembra ainda que a diversidade de ofertas do setor vitivinícola é grande, a começar logo pelo próprio vinho, passando pelas visitas às adegas, potenciada por uma "Rota dos Vinhos" em associação com os monumentos históricos e a cultura. "Desde a ligação do nosso vinho à gastronomia regional até ao embelezamento paisagístico dado pelos vinhedos, tudo isto forma um ótimo cartão-de-visita para a região do Algarve", acentuou.

 

Qualidade é a palavra chave

 

Apesar das dificuldades de afirmação no mercado regional - quando, curiosamente, estão a conquistar outros mercados fora da região, do país e até do continente europeu -, os produtores de vinhos do Algarve prometem não desanimar. Pelo contrário!

"A região já é reconhecida como produtora de vinhos de qualidade e a sua notoriedade encontra-se numa fase de crescente reconhecimento. Isso é o mais importante, pois a região pretende afirmar-se pela qualidade dos seus vinhos e não pela quantidade", frisou Carlos Gracias, recordando que, apesar de muitos portugueses desprezarem a tradição da região algarvia neste setor, "convém salientar que a então Adega Cooperativa de Lagoa começou a produzir em 1945, sendo a terceira adega mais antiga de Portugal".

Já sobre a estratégia para a evolução da vitivinicultura da região nos próximos anos, o presidente da CVA refere que passa por "incentivar a produção de uvas de qualidade, com predominância das castas brancas e posterior vinificação, em regime de prestação de serviços, nas adegas já existentes".

Esta é uma aposta que tem sido seguida pela ÚNICA - Adega Cooperativa do Algarve (a única da região), no sentido de "minimizar os custos de produção e colocação do vinho no mercado a preços mais baixos".

Isidoro Sousa, presidente do Olhanense:

"Os sócios mais antigos pediram-me, chorando, para levar o Olhanense à I Liga"

Domingos Viegas (Jornal do Algarve)
10:00 Terça feira, 8 de maio de 2012

 Isidoro Sousa chegou à presidência da direção do Olhanense em 2007, tendo sido posteriormente reeleito em 2009 e em 2011. Está no clube há 28 anos e já trabalhou com cinco presidentes. Antes de liderar os destinos do emblema "rubro-negro" ocupou vários cargos, o último dos quais o de vice-presidente para o futebol sénior. Quando assumiu a presidência colocou como meta a subida à I Liga, um sonho antigo dos olhanenses que seria concretizado dois anos depois. No ano em que o clube celebra o seu centenário, Isidoro Sousa falou-nos da realidade do Olhanense, das dificuldades e dos projetos

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Domingos Viegas/JA
 

Quando assumiu a presidência do Olhanense esperava celebrar o centenário do clube na I Liga?

Quando esta direção tomou posse, depois de uma fase conturbada no clube, em que houve três assembleias e não se encontrava direção, traçámos uma meta. Sempre disse que o Olhanense não era sustentável na Liga de Honra, devido às diminutas receitas e às grandes despesas. Só havia duas hipóteses: a subia à I Liga ou a descida à 2.ª Divisão. Traçámos a meta de colocar o Olhanense na I Liga em três anos. Felizmente aconteceu antes, logo na segunda época. A partir de aí o esforço teria de ser muito grande para celebrar o centenário na I Liga. Veio a acontecer, apesar das grandes dificuldades, pois não é fácil para um clube como o Olhanense ter sustentabilidade para se manter na I Liga. Penso que é uma honra muito grande para todos que o clube celebre o seu centenário na I Liga.

 

Nas épocas que antecederam a subida, o Olhanense chegou a estar perto da I Liga por várias vezes. O que é que faltou, na altura, para que a subida não se tivesse concretizado antes?

Efetivamente, nessa altura fiz parte da direção liderada por Carlos Nóbrega, um presidente muito dinâmico e que veio dar uma lufada de ar fresco ao clube. Disse-lhe bastantes vezes que o Olhanense precisava de subir. Penso que faltou um pouco, talvez, de coragem e de aventureirismo. Lembro-me que no primeiro dia em que disse que o Olhanense tinha de chegar à I Liga chamaram-me lírico e aventureiro. É verdade que talvez não estivesse ciente de todas as dificuldades que iria encontrar, mas estive sempre ciente de que com trabalho e com uma entrega muito forte o clube tinha essa possibilidade. Ainda para mais, o passado do clube obrigava-nos a ter essa responsabilidade. Os sócios mais antigos, e com idade mais avançada, pediam-me para conseguir a subida. Diziam-me, chorando, que não queriam morrer sem voltar a ver o clube na primeira divisão. E os mais novos também me pediam encarecidamente para subir de divisão. E este é um sentimento muito forte, que ainda hoje guardo. Entretanto, algumas dessas pessoas já faleceram neste curto período. Penso que foi um prémio mais do que merecido, principalmente para os nossos sócios mais antigos, mas também para os mais novos, que nunca tinham visto o clube na I Liga. Isto foi, de facto, o que mais me moveu e o que mais me sensibilizou para a subida de divisão.

 

Os sócios pediram-lhe a subida e agora pedem as competições europeias...

Temos de ter os pés bem assentes na terra e perceber a realidade do Olhanense. Antes de mais, é preciso conseguir sustentar o clube na I Liga. Depois, com o tempo, logo se verá. Tudo o que possa acontecer neste clube tem de acontecer com naturalidade, mas sem precipitações. O trajeto que fizemos nos últimos anos foi muito bem programado e não aconteceu por acaso. Foi o trabalho de fundo de toda a estrutura do clube que permitiu chegar, naturalmente, à I Liga. Para ir mais longe terá de ser por este caminho. Não pode ser de outra forma.

 

Com estes tempos de crise, como é que se consegue manter uma equipa na I Liga?

Essa tem sido a grande dificuldade, não só do Olhanense, mas de todos os clubes. É obvio que o estado em que se encontra a nossa economia tem repercussões negativas na vida dos clubes. As dificuldades têm sido enormes. Este ano, os apoios que esperávamos e que seriam normais noutra situação, não foram cumpridos por via das dificuldades financeiras. Por exemplo, a nossa autarquia está com grandes dificuldades. Compreendemos a situação e sabemos que a câmara municipal tem feito um esforço enorme para poder acompanhar o Olhanense dentro das suas possibilidades. Muitas receitas ficaram por terra, como é o caso do Turismo do Algarve, que este ano já não patrocinou. O tecido empresarial do concelho é muito pequeno e também não tem capacidade de resposta.

 

...e quais foram as soluções?

Por exemplo, temos conseguido vender alguns ativos desportivos, ou seja, jogadores. Este ano já vendemos o Salvador Agra e vamos ter de fazer mais uma venda ou duas para equilibrar as finanças do clube. A solução tem de passar por aí, porque atualmente as receitas não são suficientes para cobrir as despesas. E na próxima época vamos ter de reduzir substancialmente o orçamento. Não há outro caminho. Mas também entendo que se conseguirmos ultrapassar este período mais difícil em termos financeiros, o Olhanense poderá sustentar-se na I Liga por muitos anos.

 

Sendo o Olhanense o único clube do Algarve a disputar a I Liga, também não tem havido resposta positiva da parte do tecido empresarial algarvio?

De facto o Olhanense representa a região algarvia, mas este ano não temos tido muito apoio. Há dois anos as coisas correram relativamente bem, mas este ano houve uma redução muito grande. Como já referi, o Olhanense precisa de fazer alguns negócios, nomeadamente desportivos, para se poder sustentar nesta divisão, que tem umas exigências muito grandes. Ainda por cima, o Olhanense está muito deslocado, geograficamente, o que nos causa despesas acrescidas por causa das deslocações.

 

Mas como é que está a situação financeira do clube?

Há dois anos, o Olhanense fez um investimento de 2,5 milhões de euros no seu estádio. Foi um investimento necessário, pois, caso contrário, não poderia competir na I Liga. O Olhanense está a pagar esse investimento e tem sido isso que tem pesado significativamente neste período de dificuldades. Estamos a negociar com os bancos para poder alargar um pouco mais o período de pagamento, já que são pagamentos a curto prazo. Estamos a tentar fazer com que o encargo financeiro seja menor. Mesmo assim, pensamos que ainda serão necessários mais dois ou três anos para estabilizar o clube. No entanto, o Olhanense é capaz de ser, excetuando os três grandes, o clube com mais património. Tem 27 frações, entre as quais o estádio, o bingo, a sede social, apartamentos, lojas no Ria Shopping, entre outras. Felizmente é um património muito grande e muito superior ao passivo. E todo o património está a ser rentabilizado.

 

Falou da venda de ativos desportivo. A aposta na formação também tem esse objetivo?

Há três ou quatro anos, o Olhanense iniciou um trabalho de fundo nas camadas jovens, para tirar dividendos, a médio prazo, para a equipa principal. Também estamos a fazer um trabalho árduo e constante, em todo o país, em termos de observação de jogadores das divisões inferiores. E tem dado frutos, pois nos últimos anos temos conseguido fazer vendas de jogadores oriundos das dessas divisões, como foi o caso do Agra e, também, do Vinícios. Este ano já temos mais três jogadores praticamente contratados para a próxima época, oriundos das divisões inferiores. Mas, como é evidente, ainda não podemos divulgar os nomes porque os campeonatos ainda estão a decorrer e não seria ético da nossa parte.

 

Uma grande aposta na formação, mas os jogadores oriundos das camadas jovens do Olhanense ainda não conseguiram singrar na equipa sénior...

Durante várias décadas, a maioria dos jogadores dos diversos plantéis seniores eram da terra. Houve depois um vazio neste âmbito durante muitos anos, mas agora a nossa preocupação é apostar forte na formação para que possamos ter na equipa principal, a médio prazo, jogadores da nossa "cantera". Mas esta é uma lacuna que não é só do Olhanense. Há poucos jogadores algarvios a jogar a alto nível, na I Liga e na II Liga. Isto mostra que o mal não está só no Olhanense e que é um mal geral. Mas o Olhanense está a trabalhar para inverter essa situação. Este ano temos o Vasco Fernandes, que foi formado no Olhanense, e há mais dois ou três jogadores oriundos dos júniores que, na próxima época, deverão integrar a equipa principal.

 

Que projetos é que a Direção tem na manga para os próximos tempos?

Queremos construir uma nova bancada nascente no Estádio José Arcanjo, a qual substituirá a atual bancada amovível. O projeto está em marcha e vamos ver se conseguimos os apoios para o concretizar. A ideia é aproveitar a bancada e criar, por exemplo, um espaços para o bingo, para lojas... Mas vai depender do desenvolvimento financeiro do processo e, como se sabe, a altura também não é a ideal. De facto, é uma obra necessária, também, para dar outra comodidade aos espectadores. Temos outros projetos, mas a altura, realmente, não é a melhor. A nossa grande preocupação é estabilizar o clube financeiramente. Só depois é que avançaremos para novos projetos. Também precisamos de um campo de treinos com relva natural e esperamos que possa ser uma realidade porque continuamos a efetuar treinos fora do concelho de Olhão. Mas o grande objetivo é cimentar o clube na I Liga e apostar forte nas camadas jovens.

 

O que é que os sócios podem esperar da equipa na próxima temporada?

Todos os anos dizemos que queremos melhorar a classificação do ano anterior. E a próxima época não será exceção. O primeiro objetivo é a manutenção e, como diz o nosso treinador, se conseguirmos continuar na I Liga já seremos campeões.

 

A mudança de treinador acabou por ser benéfica para a equipa...

Não tenho o hábito de mudar constantemente os treinadores. O Daúto Faquirá tinha transitado da época anterior mas, a dada altura, achei que era necessário mexer porque as coisas não estavam a correr de acordo com o valor do plantel. Por isso alterámos a equipa técnica em janeiro. O Sérgio Conceição é uma aposta num treinador jovem, tal como já tínhamos apostado no Paulo Sérgio, que subiu a equipa à II Liga, e no Jorge Costa, que conseguiu a subida à I Liga. É um treinador que ainda tem uma margem de progressão muito grande e estou convencido de que, a médio prazo, vai chegar a um clube com outra dimensão.

 

Sérgio Conceição é para continuar?

O Sérgio Conceição tem mais um ano de contrato e é para continuar. E, aliás, já estamos a preparar a próxima época. Tenho a certeza de que ajudará a projetar o Olhanense um pouco mais acima daquilo que temos feito até aqui.

 

...e há intenção de prolongar o vínculo?

Já falei com ele sobre isso e disse-lhe, inclusivamente, que estava disponível para assinar outro contrato, por mais um ano ou dois, se ele assim o entendesse. Há aqui um trabalho a seguir e entendo que o trabalho nos clubes não pode ser a curto prazo, mas sim a médio e a longo prazo. Quanto mais tempo os treinadores estiverem nos clubes, mais garantias dão de um trabalho mais sólido.

 

O Olhanense continua a ser um dos clubes que leva mais adeptos aos jogos fora de Olhão. Como é que explica este fenómeno?

Costumo dizer que a nossa massa associativa, se não é a melhor, é das melhores. Os nosso sócios têm uma paixão enorme por o clube. Olhão é um concelho pequeno e com poucos recursos, mas se o Olhanense chegou onde está hoje é porque temos atrás de nós uma massa associativa que nos permite sentir que este clube tem de ser grande e que tem de estar na elite do futebol português. Há uma paixão enorme em Olhão. Antigamente falava-se do Benfica, do Sporting, do Porto e só depois do Olhanense. Hoje, os mais pequenos já dizem que são do Olhanense antes de ser de qualquer outro clube, o que não acontecia há alguns anos atrás. E eu sinto um orgulho muito grande nisso. É uma paixão. Por muito longe que seja a deslocação da equipa, há sempre pessoas de Olhão. Em todos os jogos conseguimos levar um, dois ou três autocarros com adeptos. Nos percursos mais curtos, por exemplo, à zona de Lisboa, de Leiria ou de Coimbra, o Olhanense consegue levar milhares de pessoas. Estas pessoas percorrem milhares de quilómetros, independentemente da hora e do dia do jogo. Ainda este ano, em Setúbal, tivemos cerca de dois mil adeptos. Só os três grandes é que conseguem arrastar tanta gente. Isto é um sentimento de apoio muito forte e não me canso de lhes agradecer o esforço que fazem. Só assim é que conseguimos ter, neste momento, quase tantos pontos conseguidos fora como os que conseguimos em casa.

 

Mas o Olhanense não é só futebol...

O Olhanense move-se, quase exclusivamente, em torno do futebol. Atualmente tem na sua "cantera" cerca de 350 miúdos. Tem ainda uma secção de boxe, outra de ginástica e, obviamente, gostaríamos de ter outras modalidades, mas nos dias de hoje é impossível. Gostaríamos de ter basquetebol, andebol, futsal... Já me apresentaram alguns projetos, mas entendo que não é o melhor momento para avançar por esse caminho, a não ser que surjam apoios muito fortes para que o clube não tenha mais despesas. Se forem criadas as estruturas que idealizamos, penso que a médio prazo poderemos avançar com mais duas ou três secções. Mas, atualmente, a mola real do clube é o futebol profissional.

(mais informação em www.jornaldoalgarve.pt )  

Vila Real de Santo António

1800 crianças e jovens caminham contra a obesidade infantil

Domingos Viegas (Jornal do Algarve)
15:06 Quinta feira, 3 de maio de 2012

Iniciativa esteve inserida no Escola Ativa, projeto que envolve várias entidades num trabalho em rede para sensibilizar e atuar sobre aquela problemática

Os jovens percorreram a Mata Nacional das Dunas Litorais numa ação contra a obesidade infantil
Os jovens percorreram a Mata Nacional das Dunas Litorais numa ação contra a obesidade infantil
Mário Rolla
Cerca de 1800 crianças e jovens, alunos de cinco escolas do concelho de Vila Real de Santo António (VRSA), participaram numa caminhada ao longo da Mata Nacional das Dunas Litorais. A iniciativa esteve inserida no Escola Ativa, um projeto de âmbito regional que visa combater a obesidade e o sedentarismo infantil, através da prática do exercício físico e da alimentação saudável.

"A obesidade infantil é um flagelo que está a alastrar no mundo ocidental. E Portugal não é exceção", recorda António Valadares, coordenador daquele projeto no Agrupamento de Escolas D.José I, de VRSA, sublinhando que os objetivos da caminhada foram "mostrar o projeto Escola Ativa à comunidade" e "sensibilizar os alunos para o facto de este concelho ter espaços fantásticos para a prática da atividade física, gratuita e ao ar livre".

Aquele responsável garante que a problemática da obesidade infantil "tem vindo a diminuir no concelho de Vila Real de Santo António" desde que o projeto está em marcha, mas alerta que "continuam a existir muitas crianças com esse problema". Recorde-se que, de acordo com um estudo realizado há alguns anos, cerca de 30 por cento da população algarvia tinha problemas de obesidade.

 

Projeto visa fomentar a prática do exercício e a alimentação saudável

O projeto Escola Ativa envolve várias entidades, entre as quais as administrações regionais da Saúde e da Educação, as câmaras municipais, entre outras. O trabalho no âmbito do combate à obesidade infantil é efetuado em rede e inclui várias ações pontuais, como foi o caso da referida caminhada, bem como o acompanhamento dos alunos que se debatem com aquele problema.

"Uma das ações que levamos a cabo nas escolas é a identificação dos alunos com problemas de obesidade e encaminhamos para as consultas de nutrição, no centro de saúde", explica António Valadares.

O projeto, que já tem vários anos, inclui ainda diversas estratégias para levar as crianças a praticar atividade física. Uma delas é uma caderneta onde são registados os momentos em que é realizado exercício físico.

"A caderneta inclui vários conselhos e a cada meia hora de atividade física contínua é colocada uma assinatura, que eles pedem os pais. Ao fim de dez assinaturas têm direito a um autocolante que colocam na caderneta", conta António Valadares, frisando que esta estratégia tem-se revelado um sucesso, pois "já há muitos a competir entre eles, para ver quem é que faz mais atividade física e quem é que consegue reunir mais autocolantes".

Ainda no âmbito do Escola Ativa, têm sido realizados jogos de futebol entre alunos e pais, divulgação de vídeos sobre a alimentação saudável e as escolas disponibilizam material para que os alunos possam desenvolver as suas atividades nos intervalos. Mas as ações vão ainda mais longe: "Ao nível do GAAF (Gabinete de Apoio ao Aluno e à Família) e com o apoio do centro de saúde, estamos a desenvolver várias ações de sensibilização junto dos pais, para a problemática da obesidade e para os benefícios de uma alimentação saudável", explica aquele responsável.

A caminhada realizada na última semana reuniu alunos entre os 3 e os 16 anos, pertencentes ao ensino pré-escolas e básico (até ao 9.º ano), das escolas D. José I, Caldeira Alexandre, António Aleixo e Santo António e de Monte Gordo. Colaboraram na iniciativa professores, pais, auxiliares de educação, GNR PSP, Câmara Municipal de VRSA. Paralelamente, e no mesmo âmbito, decorreu também um passeio de BTT que envolveu cerca de 40 crianças.

(mais informação em www.jornaldoalgarve.pt )

Olhanense comemora 100 anos

Domingos Viegas (Jornal do Algarve)
15:34 Quinta feira, 26 de abril de 2012

Presidente da República estará este sábado em Olhão no Jantar de Gala do Centenário do Olhanense e inaugurará a nova sala de troféus do clube, localizada no Estádio José Arcanjo

Jornal do Algarve - Olhanense comemora 100 anos
 As comemorações do centenário do Sporting Clube Olhanense começaram no passado sábado (uma semana antes do dia do aniversário) com a cerimónia de hastear da bandeira no Estádio José Arcanjo, seguida de uma visita à casa onde foram elaborados os primeiros estatutos do clube.

No mesmo dia decorreu uma romagem ao cemitério de Olhão, onde foi prestada homenagem a antigos sócios, dirigentes e atletas já falecidos, que terão ainda uma missa esta sexta-feira (dia 27), dia do aniversário do clube.

Também nesta sexta-feira, dia 27, decorrem as comemorações do aniversário na sala do Bingo do Olhanense, com oferta de brindes, bolo e espumante, a partir das 21h00.

Mas o ponto alto das comemorações dos 100 anos será o Jantar de Gala, no próximo sábado, no hotel Real Marina, que contará com a presença do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, e do secretário de Estado do Desporto, Alexandre Mestre.

Durante a manhã do mesmo dia (às 11h00), Cavaco Silva inaugurará a nova sala de troféus do clube, no Estádio José Arcanjo.

Livro e DVD com a história do clube

As iniciativas prosseguirão no dia 6 de maio, com várias ações durante e após o jogo que o Olhanense disputará com o Marítimo, a contar para mais uma jornada da I Liga.

Uma delas deverá ser a apresentação do livro do centenário, onde estão retratados estes 100 anos de história do clube algarvio. Além do livro, está ainda previsto o lançamento de um DVD com um documentário sobre a história do Olhanense.

"É um livro que tem toda a história do clube, resulta de um trabalho exaustívo e deverá ser apresentado durante o mês de maio", explica o presidente da direção, Isidoro Sousa, frisando que o Olhanense "já tem dois volumes da sua histórias", até ao ano 2000, mas que este "tem uma envolvência muito maior e retratará bem a grandeza que este clube tem".

Ainda em maio, mas no dia 19, realiza-se a festa de encerramento da atual temporada, a partir das 22h00, no Jardim do Pescador.

Dois torneios durante a pré-época

Para o mês de junho está previsto um torneio de futebol, no escalão de veteranos, que contará com a presença dos ingleses do Tottenham.

Antes do início da próxima época, mas ainda sem datas confirmadas, o Estádio José Arcanjo receberá um torneio triangular de futebol (Torneio do Centenário) disputado por a equipa sénior do Olhanense e por duas equipas estrangeiras. Uma delas poderá ser o Bétis de Sevilha, na sequência do acordo estabelecido entre os dois clubes aquando da assinatura da transferência de Salvador Agra para a o emblema espanhol.

As inciativas no âmbito do centenário vão prolongar-se até ao final do ano, mas os responsáveis do Olhanense ainda não revelaram mais pormenores. "Essas ações vão depender dos apoios que conseguirmos", explicou Isidoro Sousa, garantindo que este "tem de ser um ano que honre o passado do clube".

Títulos...

- Campeão de Portugal (1923/24)

- Campeão Nacional da II Liga (1935/36)

- Campeão Nacional da 2ª Divisão (1940/41)

- Campeão Nacional da 3ª Divisão (1969/70)

- Campeão da 2.ª Divisão Zona Sul (1960/61 e 1972/73)

- Campeão da 2.ª Divisão B Zona Sul (1990/91 e 2003/04)

- Taça Centenário do Diário de Notícias (1964)

- Taça Disciplina do Mundo Desportivo (1970/71)

- Taça Disciplina O Casapiano (1970/71)

- Campeão Nacional 2.ª Divisão Basquetebol Feminino (1978/79)

- Campeão da II Liga 2008/09

...e condecorações

- Louvado pelo Governo a 22/10/1924

- Medalha de Mérito Desportivo

- Membro Honorário da Ordem do Infante D. Henrique

- Medalha de Bons Serviços Desportivos

- Medalha de Mérito da Câmara Municipal de Olhão (Grau Ouro)

(Instituição de Utilidade Pública desde 1980)

NOVA AÇÃO DE PROTESTO CONTRA PORTAGENS

Utentes da Via do Infante prometem "entupir" a Ponte do Guadiana

Domingos Viegas (Jornal do Algarve)
18:49 Terça feira, 24 de abril de 2012

 

Para a comissão de utentes da A22, a aplicação de outras medidas que não seja a suspensão das portagens são "pequenos paliativos" que "só agudizam o problema em vez de o resolver"

A Comissão de Utentes da Via do Infante esteve reunida em Vila Real de Santo António
A Comissão de Utentes da Via do Infante esteve reunida em Vila Real de Santo António
JA/CUVI

 

A Comissão de Utentes da Via do Infante decidiu começar a preparar mais uma marcha lenta de protesto contra as portagens no Algarve, que deverá acontecer em maio ou junho, na Ponte Internacional do Guadiana.

Na assembleia de utentes realizada na sede do Moto Clube do Guadiana, em Vila Real de Santo António, aquela comissão deliberou ainda enviar à Assembleia da República, no início do mês de maio, uma nova petição a exigir a suspensão das portagens na Via do Infante e solicitar uma audiência urgente ao ministro da Economia e do Emprego, para que o governante receba os representantes da comissão antes do mês de junho.

A Comissão de Utentes da Via do Infante voltou a apelar ao Governo para "suspender imediatamente" a cobrança de portagens e para levar a cabo um estudo sobre as reais consequências das portagens na vida social e económica regional.

"A suspensão é a única solução viável e aceitável", afirmam os responsáveis da comissão de utentes, para quem outras medidas, como a revisão e a simplificação do sistema de cobrança, o incentivo a outras formas de pagamento, a isenção para carros de matrícula estrangeira ou a instalação de novas máquinas na fronteira, são "pequenos paliativos" que "só agudizam o problema em vez de o resolver".

A resolução aprovada no sábado vai ser enviada ao Primeiro Ministro, ministro das Obras Públicas e do Emprego , Presidente da República, presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), grupos parlamentares da Assembleia da República, bem como a outras entidades da região.

No mesmo documento é recordado que a Via do Infante "não apresenta características técnicas de autoestrada" e "foi construída fora do modelo financiamento SCUT (Sem Custos para o Utilizador)", tendo sido "maioritariamente financiada com dinheiros da comunidade europeia".

A comissão de utentes lembra ainda os responsáveis políticos de que a cobrança de portagens já foi considerada ilegal pela Comissão Europeia, visto violar normas comunitárias, como o do princípio da livre circulação de pessoas e o da não discriminação em razão da nacionalidade. "As portagens também violam tratados internacionais sobre cooperação transfronteiriça, como o Tratado de Valência, assinado entre Portugal e Espanha e de onde deriva a 'euroregião' Algarve-Alentejo-Andaluzia", acrescenta a comissão.

Além da questão da ilegalidade, os utentes da Via do Infante voltaram a alertar para o facto de a introdução de portagens, implementada no passado dia 8 de dezembro, ter provocado o "agravamento dramático da crise social e económica no Algarve".

"Como se isso não bastasse, o sistema vergonhoso de cobrança de portagens contribui para o desastre do turismo do Algarve, afastando muitos estrangeiros, particularmente espanhóis, e penaliza gravemente a imagem da região e do país", frisam os responsáveis da comissão.

A Comissão de Utentes da Via do Infante participará na próxima terça-feira numa reunião que terá lugar na cidade espanhola de Salamanca, com todas as comissões de utentes que lutam contra as portagens nas ex-SCUT, para estabelecer uma estratégia comum a todas as zonas transfronteiriças.

 

Isenções terminam a 30 de junho

A isenção de portagens nas antigas SCUT, para residentes, vai manter-se nas vias localizadas nas regiões Norte e Centro, mas termina no próximo dia 30 de junho para os utilizadores da Via do Infante. Esta situação deve-se ao facto de a região algarvia apresentar um PIB per capita superior a 80 por cento da média da União Europeia.

Recorde-se que este critério faz parte da resolução do Conselho de Ministros de 22 de setembro de 2010, que instituiu a aplicação de portagens nas SCUT. Os algarvios têm direito a 10 viagens gratuitas por mês e desconto nas seguintes, mas esta situação vai mudar e a partir do próximo dia 1 de julho todos os que circularem na A-22 vão ter que pagar.

Grupo de estudantes lança portal inovador para a comunidade académica

Domingos Viegas (Jornal do Algarve)
1:40 Domingo, 15 de abril de 2012

Chama-se Academo e tem como responsável o vila-realense Nuno Lourenço Correia. O projeto disponibiliza um conjunto de ferramentas que vão desde a ajuda à procura alojamento até às transações, passando pelo emprego, programas Erasmus, eventos, entre outros

O portal tem como público-alvo os estudantes universitários e pode ser acedido através do endereço www.academo.pt
O portal tem como público-alvo os estudantes universitários e pode ser acedido através do endereço www.academo.pt
Domingos Viegas/Jornal do Algarve
 

Um grupo de jovens estudantes e recém-licenciados acaba de lançar o projeto Academo, uma rede académica online que pretende preencher a lacuna existente no mundo académico, no âmbito da comunicação e partilha de conteúdos.

O projeto Academo representa também uma associação juvenil que tem como missão tornar-se um polo de difusão cultural para promover, através de uma plataforma online, conteúdos e atividades transversais a todas as áreas terão como público-alvo a população académica.

Trata-se de um projeto de empreendedorismo social liderado pelo vila-realense Nuno Lourenço Correia, um jovem de 22 anos, estudante de Economia no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), que visa auxiliar os estudantes facultando um serviço noticioso e um conjunto de ferramentas que vão desde a procura de alojamento às transações, passando pelo emprego, programas Erasmus, eventos, entre outros.

"É uma associação pensada por jovens e para jovens, que visa satisfazer um interesse coletivo respondendo deste modo a uma carência que não é atualmente preenchida pelo Estado nem pelo mercado", explica Nuno Lourenço Correia.

O responsável acredita que esta iniciativa terá "um papel preponderante na sociedade", já que "irá disponibilizar um conjunto de conteúdos aos jovens que terão como intuito não só mantê-los mais informados a cerca dos acontecimentos que decorrem no âmbito universitário mas também a auxilia-los no seu percurso académico".

Nuno Correia dá como exempo o facto de o projeto Academo permitir aos estudantes "publicar os seus trabalhos, projetos e atividades", bem como "vender livros e materiais que já não lhes são úteis, a preços mais acessíveis, aos estudantes que acabam de ingressar nas respetivas áreas e não podem adquiri-los novos".

A partir do sítio www.academo.pt, os estudantes vão, também, poder consultar quais os alojamentos que mais se adequam às suas necessidades geográficas e condições económicas. A plataforma inclui ainda a ferramenta Erasmus, que permite "uma melhor perceção de quais os destinos mais adequados economicamente, através de uma análise de inquéritos e estatísticas relativas ao custo de vida de cada país e cidade, bem como testemunhos de quem já participou nestes programas", frisa Nuno Correia.

Outro dos serviços disponibilizados é o voluntariado. "Incentivamos o trabalho voluntário através de uma bolsa de voluntariado, promovendo estas ações no âmbito juvenil divulgando atividades e projetos que permitam a participação dos nossos associados", explica o mesmo responsável.

Mas o projeto Academo está também pensado para o futuro dos estudantes em termos profissionais. "Evitando a realidade das plataformas de emprego mais populares, as quais dispersam a sua oferta, vamos criar uma oferta de emprego segmentada para os jovens académicos, através de parcerias com o setor empresarial", revela.

O projeto Academo pretende, para já, promover a relação entre académicos, associações de estudantes federadas e organismos estudantis nacionais, mas o objetivo é alargar estas ações, no futuro, ao âmbito internacional.

Os estudantes já podem efetuar o seu pré-registo através do endereço www.academo.pt. O projeto pode também ser consultado na sua página oficial criada no Facebook (www.facebook.com/Academo.pt ).

(mais informação em www.jornaldoalgarve.pt )

Morreu o padre mais velho do país

Jornal do Algarve
15:17 Segunda feira, 2 de abril de 2012

Sezinando Rosa faleceu em Alcantarinha, concelho de Silves, com 100 anos e oito meses

Sezinando Rosa tinha completado 100 anos no passado mês de julho
Sezinando Rosa tinha completado 100 anos no passado mês de julho
Diocese do Algarve
 

Faleceu no dia 22 de março, em Alcantarilha, concelho de Silves, o monsenhor Sezinando Rosa, o decano dos sacerdotes de Portugal. O funeral realizou-se na sexta-feira e foi presidido pelo bispo do Algarve, D. Manuel Quintas.

O sacerdote, natural de Vila Real de Santo António e que tinha completado 100 anos no passado mês de julho, "faleceu na sua casa, após crescente fragilização do seu estado de saúde nos últimos tempos", explicou a Diocese do Algarve.

Recorde-se que monsenhor Sezinando Rosa ainda celebrou o seu centenário de vida, conjuntamente com quase todo o clero algarvio, no dia 20 de julho do ano passado, na igreja paroquial de Alcantarilha, onde foi pároco durante vários anos.

Sezinando Rosa era uma verdadeira memória viva não só da Igreja do Algarve mas também do país, uma vez que era o mais idoso de Portugal e, simultaneamente, o que havia sido ordenado há mais tempo.

Ordenado a 15 de setembro de 1934, tendo celebrado a sua missa nova no dia 23 do mesmo mês, Sezinando Rosa foi, entre outras funções, vigário geral e vigário episcopal para a Pastoral Social da Diocese do Algarve, pároco de Alcantarilha e administrador paroquial da Guia, secretário geral da Acção Católica de Portugal, director do Secretariado Geral da Conferência Episcopal Portuguesa, administrador da Rádio Renascença, secretário geral da Universidade Católica Portuguesa e provedor da Santa Casa da Misericórdia de Alcantarilha.

Refira-se que Sezinando Rosa foi contemporâneo de nove Papas e oito bispos do Algarve e desde que foi ordenado já deveu obediência a sete Papas e sete bispos do Algarve.

(mais informação em www.jornaldoalgarve.pt )

Conservatório de Vila Real de Santo António sem dinheiro para pagar ordenados

Domingos Viegas (Jornal do Algarve)
8:02 Domingo, 25 de março de 2012

 

Além dos salários em atraso, há dívidas às Finanças e à Segurança Social. A diretora da instituição diz que o conservatório só continua a funcionar porque os professores nunca baixaram os braços, mesmo estando "quatro, cinco e seis meses sem receber"

O Conservatório Regional de Vila Real de Santo António tem cerca de duas centenas de alunos. Metade já não paga a respetiva mensalidade devido às dificuldades financeiras dos pais
O Conservatório Regional de Vila Real de Santo António tem cerca de duas centenas de alunos. Metade já não paga a respetiva mensalidade devido às dificuldades financeiras dos pais
JA

 

O Conservatório Regional de Vila Real de Santo António está a passar por graves dificuldades financeiras. Os professores têm atualmente três meses de salários em atraso, mas já chegaram a estar cinco e, até, seis meses sem receber.

"Tínhamos os apoios da Câmara Municipal e do Ministério da Educação, mas neste momento só temos o apoio financeiro do Ministério da Educação, que não tem falhado, mas cujo valor é manifestamente insuficiente", explica a diretora da instituição, Ana Paula Baiôa.

É que dos cerca de 200 alunos que frequentam o conservatório, metade já nem sequer consegue pagar a mensalidade devido às dificuldades financeiras das respetivas famílias.

"Não estão a pagar porque os pais deixaram de ter condições para o fazer. E eu não sou capaz de dizer a um aluno que não pode continuar os seus estudos de música. Os jovens escolheram esta opção e é uma opção válida. Quem somos nós para destruir o sonho de um jovem ou de uma criança?", questiona Ana Paula Baiôa.

Ainda recentemente, o conservatório esteve quase a ver os seus instrumentos serem penhorados por dívidas às Finanças. A situação acabou por ser resolvida já que, entretanto, a instituição recebeu uma das tranches do apoio do Ministério da Educação.

"Conseguimos resolver uma parte do problema. Mas já estamos novamente a ser notificados para uma nova situação de dívida. Depois também há as dívidas à Segurança Social... Temos que escolher: paga-se os ordenados aos professores ou paga-se às Finanças e à Segurança Social", lamenta a diretora.

De acordo com Ana Paula Baiôa, o conservatório só continua em funcionamento devido à perseverança dos professores, que, apesar das dificuldades, nunca baixaram os braços. "Tiro o chapéu a todos os professores, porque mesmo com quatro, cinco ou seis meses de ordenados em atraso, como chegou a acontecer, nunca deixaram de trabalhar. Mas também é verdade que nunca nos passou por a cabeça ter que pedir ajuda à família, por exemplo, para pagar a renda da casa", conta aquela responsável.

 

Concerto solidário para ajudar a Mão Amiga

 

Mesmo com estas dificuldades financeiras, a responsável do conservatório garante que a instituição nunca deixou de ajudar quem mais precisa. Um dos exemplos foi o concerto realizado este mês, a favor da Mão Amiga, uma IPSS (instituição particular de solidariedade social) da cidade pombalina que, entre outras valências, distribuiu refeições, gratuitamente, à população mais carenciada.

"Felizmente, ainda não passámos fome. Mas como temos os meios para fazer um espetáculo, ajudamos a minimizar a dor e o sofrimento dos outros", refere Ana Paula Baiôa, recordando que o conservatório leva a cabo iniciativas deste género desde que foi criado, há dez anos. No ano passado já tinha sido realizada uma ação semelhante, mas a favor do Centro de Acolhimento Temporário (CAT) da Santa Casa da Misericórdia, cujas crianças frequentam o conservatório, gratuitamente.

TELEVISÃO DIGITAL TERRESTRE

Tavira exige apoio à aquisição de equipamento TDT

Domingos Viegas (Jornal do Algarve)
16:43 Sexta feira, 23 de março de 2012

 

População residente em muitas zonas do interior do concelho de Tavira terá de adquirir um kit complementar (mais caro) para captar as emissões de televisão depois do apagão analógico, agendado para 26 de abril no sotavento algarvio

 

 

A Assembleia Municipal de Tavira aprovou uma moção para exigir que as entidades competentes financiem, pelo menos, 50 por cento do valor da aquisição e da montagem do equipamento (kit complementar) para captar o sinal de Televisão Digital Terrestre (TDT) via satélite, no caso da população que reside nas zonas do concelho onde não há cobertura.

O apagão analógico, que ocorrerá no sotavento algarvio a 26 de abril, fará com que grande parte do interior do concelho de Tavira perca a receção das emissões de televisão. Nesta situação estão muitas zonas das freguesias de Cachopo, Conceição de Tavira, Santa Catarina da Fonte do Bispo e Santa Maria, cujas populações terão de adquirir o chamado kit complementar para captar o sinal via satélite.

Refira-se que os descodificadores para a TDT estão à venda com preços a partir de cerca de 20 euros, no entanto o equipamento para captar o sinal via satélite custa mais de 100 euros. Nas zonas em que a cobertura é fraca ou não existe é necessário adquirir o referido kit complementar, mesmo nos casos em que as pessoas já possuam um aparelho de televisão preparado para captar o sinal da TDT.

"Todos os fatores de interioridade tão conhecidos, como sejam os acessos em menor número e de menor qualidade e a consequente maior dificuldade para aceder a serviços que são direito de todos, são agora acrescidos de mais um", recordam os deputados municipais, referindo-se ao "custo superior que essas populações são obrigadas a suportar para receberem o mesmo serviço que o resto do país".

Os membros da Assembleia Municipal de Tavira lembram, ainda, que esta situação é "mais agravada pela característica de uma população mais idosa, reformada e com baixos rendimentos". Neste sentido, os deputados municipais tavirenses classificam mesmo o processo de transição para a TDT como "injusto" e "abusivo", não só para uma "significativa faixa" da população do concelho de Tavira, como de "outras regiões similares do país".

"Além dos custos desiguais para o mesmo serviço, o acesso implica processos que não são simples, expondo estas populações mais vulneráveis ao 'ataque' de pessoas menos escrupulosas, pressionando a aquisição de materiais e equipamentos desnecessários ou 'empurrando-as' para serviços televisivos com assinatura e pagamentos mensais que à partida não desejavam", lamentam os deputados municipais.

A moção já foi enviada ao Presidente da República, ao presidente da Assembleia de República, ao ministro da Economia e do Emprego, aos grupos parlamentares da Assembleia da República, à Associação Nacional de Municípios Portugueses, bem como à ANACOM e à Portugal Telecom.

 

Cobertura reforçada no sotavento

 

Recentemente foi instalado um novo retransmissor em Alcoutim, que aumentou a cobertura naquela sede de concelho. No entanto, e tal como acontece com Castro Marim, cerca de 60 por cento daquele município continua sem cobertura e a população destas zonas terá que recorrer ao referido kit complementar para captar as emissões diretamente do satélite. Em Tavira, e de acordo com a PT Comunicações, 12 por cento do concelho terá que recorrer a esta última opção.

O Jornal do Algarve alertou em meados de fevereiro para o facto de a cidade de Vila Real de Santo António estar numa zona com probabilidade reduzida de cobertura TDT (via terrestre), porém, esta semana, o mapa de cobertura do sítio da TDT-Portugal na internet já indica a existência de cobertura em toda a cidade. Refira-se que a cidade pombalina era uma exceção no âmbito da cobertura no litoral algarvio.

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