Foi uma das imagens mais vistas da semana passada: Barack Obama e a sua equipa seguindo a operação contra Osama Bin Laden em direto. Ao vê-la na primeira página do jornal "Der Tzitung", contudo, o leitor poderá engasgar-se. Onde está Hillary Clinton? E, olhando melhor, onde está a outra senhora que aparece ao fundo na imagem?
É simples: foram apagadas. O diário em causa - publicado em idioma iídiche em Brooklyn, Nova Iorque (e não, como poderíamos ser levados a supor, numa teocracia islâmica) - segue a tradição hassídica. Para este ramo ultraortodoxo do judaísmo, as imagens de mulheres são "sexualmente sugestivas", logo proibidas.
"Seguindo as nossas crenças religiosas, não publicamos fotos de mulheres, o que de modo algum as relega a um estatuto inferior", explicou um editor de 'Der Tzitung' ao diário 'The Washington Post'. Além da secretária de Estado, também a diretora nacional da luta antiterrorista, Audrey Tomason, sumiu do instantâneo de Pete Souza, fotógrafo oficial da Casa Branca.
Pedimos desculpa, mas temos razão
O primeiro a dar conta da falsificação foi o leitor Shmarya Rosenberg, de St. Paul, Minesota. Ex-judeu ultraortodoxo, afirmou à CNN que Der Tzitung está cada vez mais severo e já nem publica fotos de rabinos judeus acompanhados das suas mulheres. Dantes pixelizavam as mulheres, agora apagam-nas.
Os pruridos da fé levaram "Der Tzitung" a esquecer as condições sob as quais a Casa Branca divulga imagens à imprensa: "A fotografia não pode ser manipulada de forma alguma". Descoberta a falsificação, o jornal pediu desculpa. Não por apagar as mulheres, apenas por ter desobedecido às diretrizes da Casa Branca.
Talvez para evitar acusações de misoginia, o jornal faz questão de frisar que a comunidade ultraortodoxa "aprecia as qualidades únicas e a compaixão" de Hillary Clinton. Não obstante, lembra que "a Primeira Adenda à Constituição garante a liberdade religiosa. Esta tem precedência sobre a tão celebrada liberdade de imprensa".