John Kerry, o senador americano e ex-candidato democrata à presidência, afirmou numa conferência de imprensa na Cimeira de Copenhaga, que "os EUA estão de volta e o Presidente Obama vem a Copenhaga para conseguir um acordo histórico".
Falando sem papel e de forma eloquente para uma vasta e entusiasmada audiência, que de vez em quando o interrompia com aplausos, Kerry enfatizou que para um acordo político em Copenhaga ter sucesso, "tem de haver um esforço global de todos os países", embora diferenciado para os países em desenvolvimento.
"Mas a nossa responsabilidade é que cada país seja uma parte da solução, hoje ou no futuro", o que significa que ninguém pode ficar de fora neste acordo, "porque não faz sentido uns reduzirem as emissões de CO2 enquanto outros as aumentam".
Nenhum país pode ficar de fora
Assim, "o único caminho é uma solução global, onde os países grandes emissores estejam claramente comprometidos". E qualquer decisão interna de um país tem implicações no resto do mundo.
Kerry deu um exemplo: "Quando um senador dos EUA toma posição contra ou a favor da nova legislação climática bloqueada no Senado, isso tem um impacto em todo o mundo".
O pacote climático da Administração Obama que ainda não passou no Senado, é conhecido precisamente por projecto de lei Kerry-Boxter, devido ao nome dos seus autores: os senadores democratas John Kerry e Barbara Boxer.
O ex-candidato à presidência dos EUA, recorda que durante a Administração Bush "os EUA falharam no combate às alterações climáticas" e recorda que "já temos um acordo internacional no comércio e nas armas nucleares, pelo que também é possível termos um acordo no clima".
O mundo dispõe "das tecnologias e dos meios para resolver o problema das alterações climáticas, e sabemos que num único dia, com um acordo político em Copenhaga, poderemos pôr o planeta num caminho mais seguro".
"Chegou o fim dos amadores. A Ciência regressou!"
O senador democrata atacou fortemente os cientistas cépticos em relação ao aquecimento global e à sua origem humana.
"Só há duas posições quanto ao aquecimento global: aceitar a Ciência ou recusá-la, e tirar daí as consequências para o mundo". Mas para Kerry, "a urgência da Ciência diz que temos de actuar já".
Hoje há cientistas que não aceitam as conclusões de anos de investigação científica sobre o aquecimento global. Por isso, "têm de assumir as suas responsabilidades: provem que a poluição não afecta o clima, expliquem para onde vão os gases emitidos, provem que a actividade humana não tem influência. E boa sorte! (aplausos)"
Kerry referia-se, naturalmente, aos cientistas cépticos, que têm vindo a ganhar força junto da opinião pública, em especial nos EUA. Profético, contundente, arrebatador, o ex-candidato à presidência dos EUA rematou: "Chegou o fim dos amadores. A Ciência regressou!"
Sites oficiais da Cimeira de Copenhaga: