O presidente do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) e ex-ministro socialista, João Cravinho, acredita que a ligação Lisboa-Madrid por TGV é um "projecto ruinoso" a nível financeiro por representar uma "destruição de recursos".
O ministro das Obras Públicas, Mário Lino, acusou hoje a líder do PSD de falta de credibilidade para propor a suspensão da rede de alta velocidade, afirmando que Manuela Ferreira Leite apoiou o projecto quando era ministra das Finanças.
Mas as criticas à manutenção do projecto vem também dentro da própria "ala" socialista. Falando à margem de um debate em Cascais, João Cravilho declarou ontem à noite que a ligação entre as cidades de Lisboa e Porto constitui "uma peça essencial" do desenvolvimento territorial português, mas defendeu que a extensão do TGV até à capital espanhola não trará qualquer benefício para o país.
"Sobre Lisboa-Madrid, compreendo que, não tendo sido objecto de uma negociação internacional, não podemos dispor à vontade de fazer ou não fazer, mas não podemos deixar de reconhecer que é um projecto ruinoso financeiramente, não viável", explicou.
"É, económica e financeiramente, uma diminuição de recursos e não um acrescentamento. Se as circunstâncias fossem tais que houvesse acordo com Espanha para adiar esse projecto, ganhava-se em dois campos -- alguma procura adicional, que o tempo irá permitir, e evitava-se uma enorme perda", acrescentou.
Reconhecendo que as razões políticas do projecto constituem "outro problema", João Cravinho considerou normal que os concursos públicos em torno do TGV Lisboa-Madrid fiquem preenchidos, tendo em conta o risco reduzido do projecto, o seu financiamento por capitais públicos ou comunitários para públicos e a reduzida contribuição privada face ao custo total.
O presidente do BERD sustentou, no entanto, que o verdadeiro problema surgirá quando a questão da exploração for posta em cima da mesa.
"A exploração não é pura e simplesmente rentável, só poderá ser feita com subsídios que a legislação comunitária não permite, portanto estamos para ver como vai ser", conclui João Cravinho.