João Abreu, vogal do Conselho de Justiça (CJ) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), nega que haja um acordo para a demissão de todos os membros do órgão logo após a reunião extraordinária da próxima terça-feira.
Segundo a edição de hoje do diário desportivo "Record", os seis membros que vão reunir-se terça-feira - o vice-presidente Elísio Amorim e os vogais Francisco Silva, Álvaro Batista, Eduardo Pereira, José Reis e João Abreu - deverão apresentar a demissão logo que forem decididos os processos urgentes ainda pendentes.
João Abreu revelou que Elísio Amorim enviou aos cinco vogais do CJ um email a propor essa possibilidade, mas garante que aquele elemento já recebeu duas respostas, ambas a recusarem a proposta.
"Uma das respostas a recusar a demissão é minha. Não admito ser metido no mesmo saco", afirmou João Abreu, que defende a continuidade do actual Conselho de Justiça apesar de o recente parecer de Freitas do Amaral, especialista em Direito Administrativo, ter referido que o actual órgão está "ferido de morte".
A 4 de Julho, o CJ analisou os recursos do presidente do FC Porto, Pinto da Costa, e do Boavista no âmbito do processo 'Apito Final', mas a reunião decorreu de forma atribulada e terminou com a suspensão preventiva do seu presidente, Gonçalves Pereira.
Na ausência deste e do vice-presidente, Elísio Amorim, e já na madrugada de 5 de Julho, o CJ decidiu não dar provimento aos recursos e confirmou a descida de Divisão do Boavista, por coacção sobre árbitros, e a suspensão de dois anos de Pinto da Costa, por tentativa de corrupção, decididas em primeira instância pela Comissão Disciplinar da Liga de clubes.
"Este CJ está ferido, tentaram matá-lo, mas não conseguiram. O doente está a sobreviver ao grande golpe. O CJ só ficará ferido de morte quando tiver menos de quatro membros", salienta João Abreu, recordando que a reunião de terça-feira não poderá resolver, pelo menos, um caso que poderá ter ainda influência na constituição da Liga de Honra e da II Divisão B.
Em causa estão os processos de Gondomar e Vizela sobre manipulação de resultados. Nestes casos, o CJ decidirá se é a Comissão Disciplinar da Liga ou o Conselho de Disciplina da FPF a analisar os casos.
Caso sejam condenados, Gondomar e Vizela podem ser despromovidos à II Divisão B (terceiro escalão nacional), abrindo caminho para o regresso à Liga de Honra de Fátima e Penafiel, os dois clubes que desceram na última temporada à II Divisão B.
"O processo vai baixar a um ou a outro órgão. Se os visados não recorrerem, o caso fica arrumado. Se recorrerem, terá de ser o CJ a deliberar sobre esses processos, caso contrário a Liga de Honra e a II Divisão ficarão todas baralhadas", alertou João Abreu.
Neste sentido, e em referência à Assembleia Geral Extraordinária da FPF do próximo dia 23 de Agosto, que analisará o perecer solicitado a Freitas do Amaral, João Abreu considera que os actuais membros do CJ não estão formalmente visados nessa reunião magna.
"Vão continuar a existir processos para serem decididos e que não se compadecem com um [novo] processo eleitoral. Estamos em funções e a próxima Assembleia Geral permitirá, isso sim, que as pessoas conversem", defendeu o vogal do CJ.