Quando indagado sobre pressões o director do JN, José Leite Pereira nega ter sido pressionado mas disse saber que, na sequência de um diferendo entre a autarquia portuense e o Jornal de Notícias (JN) , "Rui Rio terá tentado junto da Administração do Jornal a demissão da direcção do JN".
Mais tarde, questionado pelo PS sobre a acusação feita a Rui Rio, o director do JN recusou adiantar mais pormenores por não querer "voltar a casos antigos" e afirmou só ter abordado este assunto por ter sido confrontado com o diferendo que se arrasta há algum tempo entre o JN e a autarquia portuense num contexto de alegadas pressões sobre o jornal.
Leite Pereira disse ter falado duas ou três vezes com José Sócrates: "conheci José Sócrates numa entrevista que lhe fiz e depois disso falei com ele duas vezes, que ele me ligou para protestar com notícias . Foi uma conversa normal que me deu a possibilidade de expôr as razões do jornal".
Acto de "coscuvilhice" sem contraditório
Sobre a crónica não publicada de Mário Crespo, Leite Pereira recusou tratar-se de um acto de censura, negou ter sido pressionado, disse ter agido segunda a sua consciência e justificou com o facto de se tratar "não de um artigo de opinião, mas de uma quase notícia" que num acto de "coscuvilhice" transformava "uma conversa privada numa conversa pública e sem contraditório".
Esta opção editorial, referiu Leite Pereira, "teve a concordância do Conselho de redacção do jornal" e assentou numa opção "de respeito por princípios editoriais".
Foi então confrontado pelo deputado do PCP João Oliveira com uma outra notícia do jornal, na qual um jantar entre o presidente da Comissão distrital do PSD Porto, Marco António e o candidato à direcção daquele partido, Pedro Passos Coelho, foi revelada, também sem que os visados fossem ouvidos.
Leite Pereira disse tratar-se, ao contrário da crónica de Mário Crespo, de "uma notícia" em que era feito uma exercício de "especulação" sobre o que verdadeiramente se passara naquele encontro.
Leite Pereira nega aviso prévio
O director do JN nega ainda que tenha comunicado a Mário Crespo as suas intenções de não publicar naquela edição a crónica deste depois de já ter fechado a edição do jornal: "liguei para Mário Crespo às 20h06, estive com ele ao telefone durante oito minutos e 45 segundos e o jornal fechou às 00h57".
Esta comissão abriu com incidente em torno da carta enviada pelo director do jornal "Sol", José António Saraiva, adiando para sexta-feira a audição que estava marcada para o início da tarde de hoje, invocando o luto nacional e alegando o facto de as suas declarações perderem eco pelo facto das atenções do país estarem centradas nos trágicos acontecimentos da Madeira.
PS e BE protestaram considerando "não serem plausíveis" os argumentos invocados pelo director do Sol e de tratar-se de uma questão de disputa "de um espaço mediático" entre a sua audição no Parlamento e as notícias da situação na Madeira. Neste protesto não foram acompanhados pelos restantes partidos que, consideraram os argumentos de José António Saraiva "atendíveis" e que o adiamento para sexta-feira não punha em causa o "bom andamento dos trabalhos". PSD, CDS e PCP protestaram mesmo pelo incidente levantado por socialistas e bloquistas.