O secretário geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou hoje que o primeiro ministro José Sócrates está a "encharcar as televisões com propaganda" para "tentar esconder o conteúdo das malfeitorias" das medidas de austeridade anunciadas esta semana.
"A campanha de propaganda continua. Isto é uma fartura. Sócrates vai aos três canais de televisão, longas entrevistas. Repete, repete, repete, repete, até cansa", afirmou o líder comunista, no encerramento de uma reunião de quadros do PCP da região de Setúbal, no Seixal.
O primeiro ministro concedeu na sexta feira uma entrevista à RTP1 e hoje à noite será entrevistado na TVI, estando prevista igualmente uma entrevista na SIC (ainda sem data definida).
Para Jerónimo de Sousa, o primeiro ministro "aprendeu com a Coca Cola", que "no seu departamento de publicidade tinha um drama, saber se era anúncios de qualidade ou de quantidade, e prevaleceu a tese da quantidade, ou seja, encharcar as televisões com propaganda, propaganda, propaganda".
O secretário geral do PCP acredita "que Sócrates está a fazer isso neste momento, em que recorre aos grandes meios de comunicação social, para vender o produto, para tentar esconder o conteúdo de malfeitoria destas medidas inaceitáveis que recaem sobre o povo português".
"Todos foram convocados para papaguear a tese das inevitabilidades"
Jerónimo de Sousa sublinhou que, depois do anúncio das novas medidas de austeridade - na quarta feira passada - ficou "mais claro o significado e os objetivos da tremenda ofensiva ideológica que precedeu este anúncio, desde o FMI, OCDE, Bruxelas, Merkel, Cavaco Silva, Mário Soares, ex governantes, comentadores com lugar cativo na comunicação social".
"Todos foram convocados para papaguear a tese das inevitabilidades, do tem que ser, dramatizando a hipótese de uma crise política que verdadeiramente não existe nem nunca existiu, em torno da aprovação do Orçamento do Estado", disse, acrescentando que as medidas adicionais anunciadas no âmbito do PEC II não resolveram os problemas do país.
O líder do PCP rejeitou ainda a ideia de que "é preciso coragem" para estas medidas, perguntando: "Mas custa alguma coisa bater num pequeno? É preciso alguma coragem para atingir um reformado, que não tem voz nem capacidade reivindicativa?".
Protesto da CGTP a 24 de novembro
Jerónimo de Sousa afirmou ainda a sua confiança na candidatura presidencial de Francisco Lopes, considerando que "inevitavelmente chocou com o preconceito, porque era desconhecido, porque era sectário".
Na sua opinião, "estão a subavaliar o camarada e estão a subestimar este grande coletivo partidário, que está com essa candidatura".
Sobre a greve geral convocada pela CGTP para 24 de novembro, o dirigente do PCP apelou para que "ninguém se sinta descansado com o anúncio".
"Agora é ir lá, onde estão os trabalhadores e os problemas. A greve decide-se nas empresas, nos locais de trabalho, com os trabalhadores, porque esses é que fazem greves e não os anúncios de televisão ou os confortos que possamos ter", referiu, adiantando que é "o êxito" deste protesto é da "responsabilidade dos comunistas, dos trabalhadores, dos dirigentes sindicais comunistas".