O comício da CDU, na escadaria monumental de Coimbra, foi ontem à noite acompanhado por um coro permanente de vaias e assobios, feito por um grupo de estudantes fardados a rigor que criticavam a CDU por ter inscrito apelos ao voto na escada que dá acesso à universidade.
A segurança dos comunistas evitou o confronto que chegou a estar prestes. Já Jerónimo aproveitou para lembrar que "o silenciamento e a perseguição" não calaram o PCP e voltou as críticas para os adversários principais: PS, PSD e CDS.
A noite quente de Primavera prometia a primeira grande iniciativa do dia de campanha da CDU. Antes, em Viseu, um temporal estragou a arruada pelas ruas da baixa da cidade, obrigando o líder a voltar mais cedo à base e a deixar a meio a mensagem política do dia.
Na cidade dos estudantes, a coisa até parecia correr bem. A caravana comunista tinha uma boa recepção à espera: bandeiras e centenas de pessoas compunham a escadaria monumental da Universidade de Coimbra com um bom quadro para as imagens televisivas.
As escadas estavam, porém, divididas ao meio: de um lado, junto ao palco, os militantes comunistas, que aguardavam a entrada em cena do líder com gritos de "CDU". No último lanço de escadas, era a vez de estudantes, fardados a rigor, empunharem cartazes e exigirem a plenos pulmões que os comunistas limpassem as inscrições deixadas na escadaria.
Na véspera - e com o consentimento da polícia, garantiam aos jornalistas dirigentes da Juventude comunista - alguns dizeres foram escritos na escada: "leva a luta até ao voto. Vota CDU" acompanhados por críticas aos cortes nas bolsas de estudo e no aumento do preço das propinas. Nada que Coimbra não tivesse visto vezes sem conta. Mas o pretexto estava dado e o clima de tensão era indisfarçável. Crescia, aliás, ao ritmo da chegada das camaras de televisão junto dos estudantes.A segurança comunista, o aparelho da campanha, tratou de controlar a situação e manter à distância os ânimos exaltados. Nenhum polícia apareceu no local.
Jerónimo de Sousa subiu ao palco 45 minutos depois do início do comício. Ao longe, as vozes dos estudantes faziam ouvir-se: "toma a esfregona", "limpa, limpa, camarada limpa" ou "liberdade de expressão não é destruição", foram algumas das palavras de ordem que chegaram a ouvir-se junto ao palco.
O lider aproveitou para lembrar que "o silenciamento, a tortura e a perseguição" são conhecidos dos comunistas e não os fizeram desarmar. Sempre disposto "ao combate", garantiu Jerónimo, lá voltou a apontar bateriar para os adversários do costume que, com o avanço da campanha, vão recebendo "mimos" cada vez mais fortes. PS, PSD e CDS são partidos que "se unem contra o povo", diz Jerónimo. Os três partidos "encenam divergências" que mais não "são do que tricas da troika". E lá puxa Jerónimo pelo seu lado popular: "andam há mais de 30 anos no mesmo baile mandado do ora agora mando eu, ora agora mandas tu. E com o CDS pelo meio é o mandas tu mais eu".
O CDS, pela primeira vez, teve direito a uma critica directa: "quer ir para o poder com o primeiro que aparecer", diz Jerónimo que acusa Portas de "viver de dessimulação, dizendo-se defensor dos pobres e da lavoura". O facto de Paulo Portas ter pedido, ontem, uma votação maior do que a obtida pela Bloco e pela CDU juntos pode explicar esta inesperada distinção feita ao líder popular pelo dirigente comunista.