O antigo presidente do BCP, Jardim Gonçalves, defendeu hoje que a matéria da acusação
do Ministério Público já consta dos relatórios da CMVM e do Banco de Portugal, que não imputa qualquer responsabilidade individual aos acusados.
"A isso é acrescentada uma injusta acusação de aproveitamento pessoal, que rejeito e repudio veemente", afirma Jardim Gonçalves numa nota enviada à Comunicação Social.
"Uma acusação não é uma condenação. (...) A minha defesa junto dos reguladores já foi apresentada em processos que estão em curso, e em moldes que considero adequados para provar a minha inocência."
"O BCP, é, sempre, foi uma casa de princípios, de rigor e de transparência. Podem por isso ficar tranquilos os órgãos sociais, os colaboradores, os clientes e os demais "Stakeholders" de que isso acabará demonstrado", acrescenta.
Recorde-se que o Ministério Público acusou cinco ex-administradores do BCP - Jardim Gonçalves, Castro Henriques, Cristopher Beck, Filipe Pinhal e António Henriques - de crimes de manipulação de mercado, falsificação de documento e burla qualificada, que terão causado um prejuízo de €600 milhões ao banco.
A Procuradoria-Geral da República explicou hoje, em comunicado, que os crimes foram praticados entre 1999 e 2007 e incluem a utilização de veículos off shore detidos pelo BCP, com vista a influenciar os valores de mercado, a falsificação de contabilidade, de modo a ocultar os prejuízos resultantes para o banco, e ainda a obtenção de cerca de 24 milhões de euros em prémios de gestão, calculados em função de resultados "deliberadamente empolados".