Alberto João Jardim já começou a apertar o cerco a Manuela Ferreira Leite, insistindo que a líder do PSD tem apenas dois meses para demonstrar que tem condições para ganhar os combates eleitorais que se avizinham.
Oficialmente, a posição do PSD-Madeira é esperar até ao final de Fevereiro para avaliar o desempenho da líder, mas nos corredores da sede social-democrata madeirense poucos acreditam na sua capacidade para derrubar José Sócrates. Mais. A postura de Ferreira Leite em relação à defesa da Madeira face àquilo que Jardim considera serem 'ataques' à autonomia madeirense não tem agradado muitos militantes insulares.
O líder madeirense não tem comentado a direcção nacional do PSD nem o governo de José Sócrates, mas é o entrevistado do programa 'Mário Crespo entrevista', que estreia esta noite na SIC, às 21h.
Sabe-se que a líder do PSD recebeu do Governo Regional um dossiê com 35 pontos sobre matérias que tinham sido acordadas entre Lisboa e Funchal no tempo de Durão Barroso. E o PSD-Madeira esperava que Ferreira Leite pressionasse José Sócrates, no sentido de desbloquear aquelas reivindicações. Não se sabe o que Ferreira Leite fez com o dossiê, o que se sabe é que os 35 pontos, que estão ligados a questões financeiras e apoios comunitários, continuam esquecidos.
"Tudo estava acordado com Morais Sarmento, no tempo de Durão Barroso, e a mudança de governo não pode pôr em causa questões de Estado", disse ao Expresso um membro da Comissão Política. Bastante crítico, acrescenta que face à inflexibilidade de Sócrates a líder do PSD devia 'dar a cara' e defender estas matérias, que são "questões de Estado".
Este impasse aliado ao desempenho de Ferreira Leite até o momento não dão muita confiança ao PSD-Madeira, que vê a saída de José Sócrates do Governo como única solução para o diferendo entre a República e a Região. É sabido que Jardim esteve ao lado de Santana Lopes no último congresso, altura em que disse que ia esperar até Fevereiro para avaliar a capacidade da nova liderança para levar o partido a vitórias. Por isso não estranhou que Guilherme Silva tivesse saído da Comissão Política madeirense, com recados para a direcção do partido.
Ao mesmo tempo que garantia que o PSD-M não é uma "facção" e não vai derrubar lideranças, dizia que os sociais-democratas madeirenses vão confrontar a direcção nacional, para saber se Ferreira Leite tem capacidade para vencer José Sócrates.
"Queremos saber se há condições para assegurar uma maioria absoluta nas eleições legislativas, pois o nosso objectivo não é retirar a maioria do PS mas sim substituir a actual maioria por uma do PSD". Esta, disse Guilherme Silva, é uma questão que será colocada à direcção do partido no final de Fevereiro, garantindo que o PSD-M vai respeitar a decisão tomada por esse órgão.
"Se a direcção entender que a dr.ª Manuela Ferreira Leite tem condições para alcançar os objectivos, o PSD-Madeira vai respeitar a decisão da direcção do partido, mas vai pedir contas se houver um fracasso".
Caso o partido entenda que a actual liderança não dá garantias de vitória num ano de três actos eleitorais e decidir marcar um congresso extraordinário para definir nova liderança, "transitória ou permanente", Guilherme Silva garante que o PSD-M apoiará Alberto João Jardim caso ele decida avançar.
Oposição a norte
Manuela preocupada com o Porto
A Direcção de Manuela Ferreira Leite não esconde a preocupação com o namoro entre a poderosa Distrital do PSD-Porto e Pedro Passos Coelho. A cumplicidade é indisfarçável, com frequentes visitas ao distrito do putativo candidato à sucessão de Manuela. Atento a tudo isso está Luís Filipe Menezes, que tem nas mãos mais de 2500 assinaturas prontas a pedir um Congresso antecipado do PSD. Mas o autarca de Gaia promete que manterá os documentos numa gaveta. Do outro lado do Douro, Rui Rio multiplica-se em entrevistas e aparições em acções do partido, acentuando a sua posição ao lado da líder.
Ricardo Jorge Pinto
Actualização do texto publicado na edição do Expresso de 10 de Janeiro de 2009