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Já podemos arrumar Salazar na História? (parte I)

No dia 27 de julho passaram 40 anos desde a morte de Salazar: tanto tempo como o que ele esteve no poder (1928-1968). Hoje, é preciso ter mais de 60 anos de idade para ter sido adulto sob o seu Governo. Já o podemos arrumar na História? E como? Clique para aceder ao dossiê Salazar morreu há 40 anos
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Já podemos arrumar Salazar na História? (parte I)

Os 40 anos de governo de Salazar deixaram um rasto bibliográfico de apenas seis volumes de discursos - Mário Soares, em apenas uma década de Presidência da República, produziu dez. Salazar não falava muito. Nós, em contrapartida, falamos muito de Salazar. Um site livreiro oferece cerca de 60 livros, saídos ou reeditados nos últimos três anos, com o nome de Salazar no título. Salazar "vende".

Dedicamos-lhe mais atenção do que a qualquer outra figura histórica. Mas já é apenas isso que ele é, história?

O atraso


Salazar foi ditador de um país rural e pobre. E nas características deste país esteve sempre a maneira mais fácil de o despachar historicamente. Eduardo Lourenço, num texto da década de 60, chamou-lhe "camponês letrado". De facto, quem melhor do que o filho de "pobres" de Santa Comba Dão, ex-seminarista com sotaque provinciano, que quase não viajou para fora do país, que escrevia como um frade do século XVIII e levava a vida de um pároco rural do século XIX, com governanta, quintal e galinheiro - quem melhor do que ele para corporizar o "atraso" e carregar a respetiva culpa?

O problema está em que, se quisermos ser exatos, teremos de admitir que foi precisamente com Salazar que Portugal começou a ser menos pobre, menos analfabeto e mais europeu. É verdade que mesmo alguns salazaristas se mostraram impacientes com a sua obsessão financeira. No entanto, os seus orçamentos equilibrados e inflação baixa, se adiaram gratificações, pouparam os portugueses às crises fiscais e da balança de pagamentos que, antes dele e depois dele, destruíram riqueza e frustraram expectativas.

A partir da década de 50 e até 1974, Portugal conheceu as taxas de crescimento mais altas da sua história. A estrutura da economia portuguesa mudou. E, não, Salazar não tratou apenas de conter as reivindicações dos empregados e favorecer alguns empresários. Foram os seus governos que estabeleceram os primeiros sistemas de proteção social efetivos e que conseguiram escolarizar pela primeira vez uma geração inteira.

O Estado Social em Portugal foi salazarista antes de ser democrático. Tal como a integração atlântica e europeia, começada com as adesões à OECE (1948), à NATO (1949) e à EFTA (1960). Sem estes sucessos, Salazar não teria durado. Para muitos, o salazarismo viabilizara uma transformação económica e social que outros regimes tinham proposto, mas falhado. É isso que Salazar significa? Mas é um erro reduzi-lo a um fenómeno socioeconómico.

A ditadura


Quando comparamos a ditadura salazarista com as suas contemporâneas, a contabilidade repressiva é modesta. Mas não nos devemos enganar. A ditadura de que Salazar esteve à frente desde 1932, quando assumiu a chefia do Governo, foi mesmo uma ditadura, com censura, tortura nas prisões, penas indefinidas, discriminações políticas. Pôde parecer "moderada" porque, como explicou Manuel de Lucena, era meticulosamente "preventiva". Todos em Portugal estavam à mercê do poder, sem real proteção jurídica.

Num país pequeno e pobre, com um Estado centralizado e dirigista, foi fácil explorar dependências para fomentar o respeito pelos "poderes constituídos". Salazar não se propôs fundar, como outros ditadores, uma sociedade racialmente pura ou sem classes. Pôde, por isso, aproveitar o efeito disciplinador das hierarquias estabelecidas.

O Estado Novo era, como ele gostava de dizer, um regime suficientemente "forte" para não precisar de ser violento. Mas nunca houve dúvidas de que podia ser implacável. Deixou morrer três dezenas de anarquistas e comunistas no campo do Tarrafal, em Cabo Verde, entre 1936 e 1945. Perseguiu e exilou o bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, em 1958-1959. E pelo menos encobriu ou não investigou o assassínio do general Humberto Delgado por agentes da PIDE em 1965. Salazar fazia ideia do que tudo isto significava.

Quando o ministro dos Negócios Estrangeiros, a 27 de abril de 1965, lhe comunicou a descoberta do cadáver de Delgado em Espanha, Salazar disse-lhe, "em tom ciciado, como se alguém na sala nos pudesse ouvir": "Este assassínio é o tipo de coisas que pode desmantelar um regime."

A ditadura, porém, nunca lhe pesou na consciência. Em grande medida porque, como explicou num discurso de 18 de maio de 1945, "antes de nós e por dezenas de anos - reconhecemo-lo com tristeza -, as ditaduras foram a forma corrente da vida política e vimo-las alternar-se ou suceder-se quase ininterruptamente, sob formas diversas". Em 1945, Salazar podia confiar em que os seus ouvintes se lembrassem do tempo em que, embora houvesse vários partidos, a rotação no poder só podia ser efetuada pelo Chefe de Estado (como no tempo da Monarquia Constitucional) ou em que as oposições eram violentamente perseguidas (como durante o domínio do Partido Republicano). Nunca, antes de 1926, as eleições, envolvendo apenas eleitorados restritos e tutelados, haviam sido consideradas genuínas ou livres.

A separação entre o Estado Novo e os regimes seus antecessores não tinha a clareza da separação entre o Estado Novo e a atual democracia. Durante a maior parte do regime salazarista, também não foi claro que uma democracia como a de hoje fosse a alternativa. Muita gente, em todos os lados, negava a sua possibilidade ou vantagem. Numa exposição de 30 de maio de 1944, o líder do PCP Álvaro Cunhal reconheceu que as oposições, se vencessem, não estavam em condições de garantir mais liberdade aos seus adversários. O salazarismo não existiu no mundo "pós-histórico" de Francis Fukuyama.

Mesmo no ano da morte de Salazar, em 1970, a maior parte dos Estados eram autocracias mais ou menos violentas, a começar pela vizinha Espanha. A Guerra Fria justificava, de uma parte e da outra, restrições maiores ou menores. Foi então a ditadura uma "fatalidade", resultado do fracasso dos regimes anteriores e de um ambiente de confronto ideológico, generalizado na Europa desde a instalação de regimes fascistas e comunistas? Mas isso não explica o sucesso desta ditadura em particular. Porque é que o ditador foi Salazar, e durante tanto tempo?

Texto publicado no Actual da edição do Expresso de 24 de julho de 2010


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Salazar
Foi considerado nesta democracia como o melhor estadista de Portugal, mas para o condenar falam somente na sua polícia a PIDE.
Pois bem se bem sei qualquer nação tem a sua polícia e qual ela não teve já os seus requintes de crueldade vejam a CIA, KGB, MOSSAD, DISA, KDS, JINYI WEI, SAVAK, etc quantas mortes terão elas no seu cadastro?
Eu não concordo com a política repressiva de Salazar nem com nenhuma que exerça qualquer tipo de repressão sobre o ser humano, mas temos de deixar de ser hipócritas pois actualmente não precisamos do SIS temos este governo socialista para nos recordar as medidas repressivas da actual justiça em Portugal, onde uma pessoa honesta tem sérias dificuldades em se adaptar.
Nunca se esqueça Salazar e que se tire as devidas ilações.
Re: Salazar
Re: Salazar
Re: Salazar
Re: Salazar
Re: Salazar
Re: Salazar
Re: Salazar
Re: Queridos tios Vlad e José
Re: Queridos tios Vlad e José
Re: Queridos tios Vlad e José
Re: Queridos tios Vlad e José
Re: Queridos tios Vlad e José
Re: Salazar um anginho comparado com Sócrates!
É difícil
Será imensamente difícil arrumar Salazar numa qualquer estante. Seja ela histórica, política ou de qualquer índole.
Enquanto os agentes políticos tiverem a "qualidade" e o "gabarito" dos actuais, dificilmente se evitarão comparações e até saudosimos.
Tomara eu que o estado actual do País fosse de tal ordem evoluído, justo e desenvolvido que não propiciasse às pessoas puxarem das suas memórias e estabelecerem comparações.
Já nem se pedia que os actuais agentes políticos fossem ilustres e insignes economistas, financeiros ou coisa que o valha.
Apenas se pedia que fossem honestos. E isso, é mais do que visível que não sucede.
Desenganem-se pois todos aqueles e aquelas que entendem que por achincalharem quem já não faz parte do mundo dos vivos e não se pode defender (mas permanece bem vivo no coração dos verdadeiros patriotas) que a sua memória e exemplo se apagam completamente.
Re: É difícil
Arrumar Salazar na históia? Ele está a levantar a
cabeça da tumba...
Salazar,nunca mais.LIBERDADE, para sempre.
O que importa ,hoje, é falar do Futuro e da sua construçao : em Liberdade , em Paz e na Fraternidade da Pátria Lusiada. Olhar para a frente,nao perder com ditadores e criar as condiçoes que permitam ás geraçoes futuras resistir a regressos saudosistas de violència, escravatura e atropelo de direitos humanos. Cavalgar a História, enterrando - em definitivo-essas sombras que ensanguentaram a Pátria, cercearam o saber, mutilaram geraçoes. Salazar,nunca mais.Pátria da Liberedade,para todo o sempre.
Re: Salazar,nunca mais.LIBERDADE, para sempre.
Os de cravo ao peito na mangedoura do orçamento
Re: Os de cravo ao peito na mangedoura do orçament
Se fosse assim tão linear...
Re: Se fosse assim tão linear...
Re: Se fosse assim tão linear...
Não fale em
Re: Não fale em
Re: Não fale em
Re: Não fale em
Re: Não fale em
Re: Não fale em
Re: Não fale em
Exemplos práticos
Re: Exemplos práticos
Re: Exemplos práticos
Re: Exemplos práticos
Clarificar é preciso
Salazar não teve nenhum mérito especial no crescimento económico, nas baixas inflações e no controle das contas nas décadas de 50 e 60. Toda a Europa ocidental viveu a mesma realidade, incluindo as ditaduras espanholas e gregas. O que Salazar não edificou foi uma sociedade de bem estar, com segurança social, educação e saúde de qualidade para todos. Não é por acaso que emigraram milhões de portugueses para as Américas, Áfricas e França/Alemanha, etc.
Re: Clarificar é preciso
Re: Clarificar é preciso
Re: Clarificar é preciso
Re: Clarificar é preciso
Re: Clarificar é preciso
Re: Clarificar é preciso
Re: Clarificar não é mentir
Re: Clarificar não é mentir
Re: Clarificar não é mentir
Já podemos arrumar Salazar
Salazar nunca deve ser arrumado, mas deve antes ser lembrado para que fique na memoria do povo de dos sacrifícios que fez passar. É bem capaz que daqui a 50 anos não se fale de Sócrates de Mário Soares, Cavaco Silva, ou Sá Carneiro, assim como de todos os outros que já se foram e dos que virão. De Salazar é bem capaz de se falar como sendo o chefe do governo que mais tempo permaneceu no poder, mas também que deixou ouro, mas tudo por fazer o povo a passar fome e a ter de imigrar, o País o mais atrasado da Europa e ainda a braços com uma guerra sem sentido, onde muitos jovens perderam a vida, além dos que regressaram estropiados, mas também com doenças mentais e muitos por não concordarem com este estado de coisas foram parar à cadeia, como Caxias, Peniche e o Tarrafal e alguns por lá ficaram sem voltar a ver a liberdade. Será também uma memoria a esses que nunca se vergaram, tendo preferido antes a morte.

Salazar, Sócrates e Cavaco...
O autor escreve na peça que Salazar é um "camponês letrado". Porquê? Por ser natural de Santa Comba Dão e formar-se mesmo assim na universidade?
Então Cavaco Silva, presidente da República, e José Sócrates, primeiro-ministro, são o quê?
Sendo o primeiro um algarvio de Boliqueime e o segundo um transmontano de Alijó também serão eles "camponeses letrados"?
Embora o primeiro-ministro tenha sido "letrado" ao domingo numa universidade manhosa que até já foi extinta...
Salazar, por muito que custe aos republicanos, entrou em cena na política do País por culpa da anarquia da I República, dominada pela Maçonaria e pela Carbonária.
Os socialistas maçónicos, com destaque para Mário Soares, têm tentado ao longo dos anos varrer para debaixo do tapete o fracasso político e social da I República, que deixou Portugal falido, sem crédito internacional, o povo em condições miseráveis e um atraso substancial em relação à Europa.
No seu trajecto anárquico, a I República deixou a nação pejada de sangue em revoltas internas e na I Guerra Mundial, perseguições e assassínios políticos e um nível de vida no limiar da sobrevivência.
Apesar de todas as tentativas de "lavagem" socialista-maçónica, a página da I República foi pelo menos tão negra como a Ditadura que se lhe seguiu.
Re: Salazar, Sócrates e Cavaco...
NÃO PODEMOS! E ISSO NÃO VAI ACONTECER
Por muito que queiram, não serão AQUELES que nos governam que arrumarão a figura de Salazar.
POR ISSO EU AFIRMO, COM OS GOVERNANTES, PRESENTES, COM OS GOVERNANTES QUE O PRECEDERAM, A FIGURA DE SALAZAR É INCONTORNÁVEL. POR ALGUMA RAZÃO A SUA MARCA VENDE DA FORMA COM VENDE.
Teve muitos defeitos, mas viver NUMA DEMOCRATURA DE MAMOCRATAS SÓ TORNARÁ SALAZAR CADA VEZ MAIS VISÍVEL E A SUA MARCA, POR MUITO QUE CUSTE E POR INFELICIDADE NOSSA, SERÁ CADA VEZ MAIS ACTUAL.
Assunto complicado
Salazar é um daqueles assuntos extremamente complicados, pois a memória, mesmo devendo já ser histórica, é demasiado recente e gera paixões de lado a lado. Para os seus admiradores terá feito tudo bem, para os seus opositores tudo mal. E nenhuma destas facções radicais irá assumir aquilo que se poderia aplicar de Jesus até Hitler: Ninguém foi 100% mau ou 100% bom.

Muito se fala de Salazar, que deixou cair em esquecimento as reais razões do atraso registado em Portugal. Salazar não atrasou Portugal, herdou-o já bastante atrasado por séculos de uma Monarquia fraca da dinastia de Bragança, guerras civis, um Catolicismo ferrenho e uma 1ª República sem pés nem cabeça.
Não tinha Portugal a literacia da maioria dos seus pares nem quando ele entrou nem quando ele saiu. No entanto no balanço do comparativo, Portugal melhorou muito neste aspecto entre a sua entrada e saída.
Claro, é inegável que foi um ditador paternalista e tudo o que vem com isso.

Ainda assim, hoje acho que alguns dos argumentos dos seus opositores, que lembremos nem todos são sequer democráticos, como é o caso do PCP e esquerda radical, ultrapassam os limites do ridículo, tais como que no tempo de Salazar ninguém tinha telemóveis -> Nem aqui, nem na China, nem no RU. Simplesmente não existiam.
Re: Assunto complicado
Questão preocupante ...
Já podemos arrumar Salazar na História?
Pergunta assaz oportuna e incómoda.
Ao ler alguns comentários que por aqui têm surgido a propósito desta brilhante série de verdadeiro jornalismo de investigação que o J. P. Castanheira nos tem dado, e se tentarmos utilizar esses leitores como uma amostra fidedigna da população, dir-se-ia que existe uma parte significativa de portugueses que ainda houve ignoram ( ou tentam branquear ) o horror do período fascista, confundindo paz podre com ordem, desculpando as atrocidades ( às vezes mesmo duvidando delas…) baralhando conceitos económicos e/ou tentando extrapolar situações que nada têm de semelhantes.
Isto e muito mais factos levam a considerar que o ditador não só não está “arrumado na história”, como se torna urgente divulgar e explicar melhor o que foi efectivamente esse período da história portuguesa.
Tenho porém as maiores dúvidas sobre a disponibilidade de algumas pessoas para efectuarem uma análise crítica e libertarem-se de preconceitos. Não se pode ignorar que a esmagadora maioria da população portuguesa vivia totalmente alheada da política ( por medo, por desinteresse, por ignorância, por “sugestão” da igreja, etc.)

( Continua)
Questão preocupante - II
( Conclusão)

Atrever-me-ia pois a dizer:
Sim, está arrumado na história, mas urge divulgar – pelo menos aos mais novos – todos os factos e aspectos de que se revestiu o fascismo.
Sim, está arrumado na história, mas não se pode permitir o branqueamento que alguns saudosistas pretendem fazer.
Sim, está arrumado na história, como o estão Hitler, Staline e tantos outros. Mas isso não significa – bem antes pelo contrário – que essa história não seja estudada.

Re: Questão preocupante - II
Re: Questão preocupante - II
Re: Questão preocupante - II
O império dos pigmeus
Vivemos actualmente sob a égide dos homenzinhos que, nada valendo e absolutamente nada fazendo (mal ou bem) se entretêm a vociferar vulgaridades e boutades que eu, sinceramente, já julgava arrumadas há muito.
Vem isto a propósito da obcessão que muitos - por mais que lhes custe - têm por Salazar.
Já referi aqui que por muito mal que falem do homem e de lhe imputarem milhões de defeitos, jamais se aproximarão dele, seja em que dimensão for.
A prova provada é que, quase meio século após o desaparecimento fisico de Salazar, o seu nome e obra continuam a fascinar tudo e todos.
Gostaria de cá estar daqui a 50 anos para saber se no ano de 2050 se falará do Sócrates. Talvez se fale. Mas no âmbito do anedotário nacional.
De facto, esta classe predominante de homenzinhos mais não faz do que se apoucar a si mesma. Embora tenham a ilusão de que, apoucando e achincalhando os outros, se elevam a si próprios. Coitados. Pobres pigneus. Com todo o respeito que me merecem estes animais.
Ainda não se deram conta de que, actualmente, outros e mais perigosos tipos de fascismo se levantam e ganham terreno. Entre os quais está a mentira militante que muitos - por interessezinhos pessoais e banais - não se cansam de professar e difundir.
Para este tipo de homenzinhos, quanto pior...melhor.
A História encarregar-se-á de evidenciar de forma inequívoca quem é quem.
Re: O império dos pigmeus
O amigo confundiu as divisões
Re: O amigo confundiu as divisões
Re: O império dos pigmeus
A guerra pela democracia
Num gesto de paz e amor, às vezes, a guerra também é necessária.
Salazar,quem és tu?...
Porque se volta a falar tanto dele,40 anos depois de morto?Sem dúvida,graças á desgraçada performance dos "políticos"que lhe sucederam.Citando Rui Ramos ("Outra Opinião",O Independente,2004),Salazar terá escrito em 1963,sobre os Portugueses:« embora generosos,estão marcados por um extremo sentido individualista,que os deixa desconfiados perante a autoridade,e refractários a qualquer tentativa de alinhamento comunitário.Têm um apurado sentido crítico,mas que lhes serve sobretudo para descortinarem os aspectos negativos das pessoas e das coisas.São quase incapazes de colaborar».Alguém discorda? A um neto de um amigo meu,aluno da Escola dos Maristas,em Carcavelos,o professor falando da História,e "descrevendo" Salazar,depois de enumerar os diversos defeitos e malfeitorias supostamente atribuíveis ao ditador,rematou:"enfim,era como o Hitler !!".Quando eu estudei,a História "saltava"de 1910 para 1926...e agora? Não "salta",mas educa?
DEVE SER LEMBRADO!!!
TUDO QUE FAZ PARTE DA HISTÓRIA DEVE SER LEMBRADO.
DEVÍAMOS ATÉ TER UMA ESTÁTUA EM LIS BOA EM MEMÓRIA DE SALAZAR!
Re: DEVE SER LEMBRADO!!!
Não sei porquê
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Edição Diária 17.Abr.2014

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