Os funerais de 200 vítimas do sismo, que causou perto de 300 mortos, realizam-se hoje em Aquila, onde a terra continua a tremer.
Quatro longas filas de caixões ocupam o vasto pátio da escola militar, um dos raros edifícios poupados pelo terramoto que causou pelo menos 289 mortos, de acordo com o último balanço provisório.
As famílias das vítimas começaram a chegar em pequenos grupos para a cerimónia prevista a partir das 09h00 TMG (10h00 em Lisboa) no pátio da escola que pode receber até 10.000 pessoas.
Em frente aos caixões identificados pelo nome e sobre os quais repousa uma coroa de flores, um altar foi criado para a missa que será presidida pelo "número dois" do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, que deverá ler uma mensagem do papa Bento XVI.
Excepcionalmente, o Vaticano aceitou a celebração de uma missa numa Sexta-feira Santa, dia em que não se comunga de acordo com a tradição católica.
Os mais altos responsáveis italianos são esperados em Aquila, em particular o primeiro-ministro Silvio Berlusconi, o Presidente da República, Giorgio Napolitano, os presidentes das duas câmaras do parlamento, bem como 300 presidentes de câmaras municipais vizinhas de Aquila.
As vítimas (da região) de Abruzzo (centro de Itália) "são os mortos de toda a nação", declarou hoje na televisão Silvio Berlusconi.
As bandeiras italianas estão a meia haste em todo o país, que deverá suspender todas as actividades durante as cerimónias fúnebres, que decorrem após uma noite novamente marcada por réplicas do sismo de segunda-feira, cada vez menos fortes.
A mais impressionante foi registada hoje às 05h22 (04h22 em Lisboa) com uma magnitude de 3,9 na escala de Richter, de acordo com a televisão Sky TG24.
O sismo, o mais mortífero dos últimos 30 anos na Península, deixou também milhares de desalojados, abrigados em grandes tendas azuis.
A água quente continuava a faltar hoje, as casas-de-banho químicas são insuficientes e os desalojados faziam fila para tomar o pequeno-almoço.
Enquanto os sobreviventes se questionam com ansiedade quanto tempo deverão esperar para regressar a casa, o primeiro-ministro indicou hoje que a avaliação dos danos levaria "pelo menos dois meses".
"Temos à nossa frente um trabalho gigantesco. A partir do momento em que a fase aguda de emergência for ultrapassada, será preciso iniciar imediatamente a reconstrução", sublinhou numa entrevista o ministro da Cultura, Sandro Boni.
Berlusconi afirmou que conta obter fundos europeus de um montante de "400 a 500 milhões de euros por três anos".
Cerca de 10.000 edifícios e casas ficaram danificados e a polémica não deixa de aumentar sobre as deficiências das construções e da fiscalização num país de elevado risco sísmico.
O Presidente italiano, Giorgio Napolitano, apelou quinta-feira a um "exame de consciência" colectivo, frase que se encontrava hoje nas primeiras páginas de todos os jornais.
"Várias pessoas estão implicadas na construção de uma casa, o construtor, o inspector (...) Ninguém deve fechar os olhos. Nem quem vende, nem quem compra", considerou.
Papa exprime dor pelas vítimas do sismo
O papa Bento XVI exprimiu hoje a sua dor pela morte de 289 pessoas no sismo que atingiu duramente a região italiana do Abruzos e pediu que todas as pessoas e instituições ajudem a resolver os problemas mais urgentes da tragédia.
"Neste momento dramático em que a grande tragédia atingiu esta terra, estou espiritualmente convosco para compartilhar a vossa angústia, implorar a Deus o descanso eterno para as vítimas, pela recuperação rápida dos feridos e força para evitar o desalento", afirma o sumo pontífice na sua mensagem.
Bento XVI fez também saber que enviou o seu Secretário de Estado, o cardeal Tarcisio Bertone, para celebrar os funerais com uma mensagem de encorajamento às famílias dos mortos, feridos e desalojados.