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Israel e Palestina

8:00 Segunda feira, 5 de janeiro de 2009

Quem leia jornais, ouça telefonia ou veja televisão inferirá que de vez em quando o Estado de Israel e o seu principal adversário palestiniano (hoje o Hamas, há anos Arafat) - aumentam deliberadamente a pressão dentro da panela a que se costuma chamar 'o problema israelo-árabe' e matam-se uns aos outros muito mais do que quando a pressão está baixa. Até que, geralmente com ajuda dos Estados Unidos, esse espasmo turbulento acalma e volta-se ao "statu quo" ante, à espera de mediação que finalmente ponha uns e outros no caminho de paz duradoura cujos marcos são conhecidos - retirada de Israel dos territórios ocupados em 1967, retorno ou indemnização de descendentes de refugiados árabes, abandono da violência pelos palestinianos. Até hoje ninguém conseguiu meter as partes nesse trilho. (O 'problema israelo-árabe' começou há sessenta anos e não está muito mais perto de solução do que estava em 1948.)

Dos jornais, da telefonia e da televisão muita gente terá inferido também nos últimos dias que Israel é uma potência bárbara por já ter morto mais de 350 palestinianos (escrevo na terça-feira) em bombardeamentos a Gaza. Em várias capitais europeias tem havido raivosas manifestações anti-israelitas de protesto e muitas mais na chamada 'rua árabe', atiçadas essas por organizações congéneres do Hamas e por governantes a quem dá jeito poderem fixar no papão israelita o enorme descontentamento popular que políticas internas ignaras e brutais provocam há muitos anos.

Os governos europeus (e americano), muitos governos árabes, o próprio Fatah - que exortou durante semanas o Hamas a não provocar Israel - sabem que esta demonização absurda de Israel complica o problema em vez de ajudar a resolvê-lo e não perderam o bom senso, com destaque para o alemão que culpou sem ambiguidade as provocações do Hamas pelo que se está a passar. Não há uma visão única europeia da matéria mas embora muitos verberem Israel pela resposta 'desproporcionada' nenhum tomou o partido do Hamas e tampouco o tomaram as Nações Unidas. Nem sequer a Liga Árabe o fará (condenar Israel, com certeza, mas sem sair a favor de uma das facções palestinianas). Porém, entre fantasmas anti-semitas históricos e propaganda anti-semita contemporânea, as opiniões públicas de muitos países europeus parecem considerar os israelitas algozes premeditados e os palestinianos suas vítimas inocentes. É como se vissem a questão num espelho de feira que torcesse completamente a imagem.

O Hamas não reconhece a existência de Israel, faz a apologia da sua destruição, expulsou de Gaza os moderados que governam a Margem Ocidental e dispara constantemente sobre Israel mísseis que vão matando judeus. Que Estado de Direito permitiria vizinhança assim sem tentar desarmá-la?

É claro que há tudo o resto: milhares de razões de queixa mútuas - talvez, depois da posse de Obama, os Estados Unidos possam fazer sentar à mesa as partes ressabiadas. Oxalá, entretanto, não se estrague tudo muito mais.

José Cutileiro

Palavras-chave  opinião, cutileiro, hamas, israel, arabe, judeu, fatah
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Palestina e Israel...
Durruti Blak (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 7:23 | Quarta feira, 7 de janeiro de 2009
Caro JC, a questão, quanto a mim, não é a de “Que Estado de Direito permitiria vizinhança assim sem tentar desarmá-la?” mas sim “Que Estado de Direito se permite desde há 60 anos ocupar o território da vizinhança?”. Sim, eu sou daqueles que vêem a “questão num espelho de feira que torce(sse) completamente a imagem” porque não consigo arranjar esse outro que me permita compreender, como a V., que um estado de/para colonos europeus imposto por nós, em pleno coração árabe, para nos aliviar a nossa consciência pesada, e que se arvora da única Democracia na zona, tenha feito tudo o que fez ao longo destes 60 anos – desde correr com os nativos a ocupar zonas que não lhe pertenciam – e ainda se dar ao luxo de exigir, e ser atendido pelos grandes da comunidade internacional, que o povo vítima deva ser tratado como uma cambada de malfeitores, selvagens e ingratos, que ao fim de mais de meio século ainda não conseguiram perceber que só como nativos mansos e gratos, conseguirão obter de Israel os restos da sua terra natal que a comunidade internacional lhes destinou. Sim, o Hamas é um bando de “turras”, fanáticos, bárbaros, que “faz a apologia da” destruição de Israel, mas quando se vê imagens do conflito “israelo-árabe” (porque não, o contrário, sr. Embaixador?), do que por lá se passa, de que lado grassa a destruição, percebemos que sim, que V. e toda a diplomacia Ocidental, têm toda a razão.
 
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    Convém actualizar-se e informar-se    Ver comentário
Pinto14 (seguir utilizador), 1 ponto , 23:23 | Domingo, 11 de janeiro de 2009
    Re: Palestina e Israel... - p/Pinto14    Ver comentário
Durruti Blak (seguir utilizador), 1 ponto , 7:47 | Segunda feira, 12 de janeiro de 2009
FIM DO IMPÉRIO DA MORTE NO MÉDIO ORIENTE
Andrade da Silva (seguir utilizador), 1 ponto , 19:54 | Segunda feira, 5 de janeiro de 2009
Miseravelmente todos deixam de mãos livres Israel e o Hamas para continuarem a sacrificar aquele Povo-Mártir

Pouco ou nada interessam as declarações de condenação contra Israel, porque Israel dirá que tem de se defender contra uns milhares de indivíduos armados com armas artesanais que, segundo os juizes em causa própria,os judeus, põem em causa a existência do seu país.

É evidente que os autores regionais não estão interessados em resolverem a questão da guerra no Médio Oriente, porque querem destruir-se mutuamente, e, por outro lado, a autoridade palestiniana não detem qualquer poder.

Face a este quadro parece que se há um sitio no Mundo que justifique a intervenção das Forças da ONU com a missão de forças de interposição ou de imposição da paz será o Médio Oriente. Será que a situação no Médio Oriente em número de mortes e em genocídios é menos grave que a da Bósnia ou do Kosovo?

Não.

Mas talvez no caso do Médio Oriente não se queira intervir para que Israel possa com a cumplicidade de todos resolver as coisas ao seu modo, lançando sobre os David's que não são os guerrilheiros do Hamas, mas sim, o povo, todo o peso bruto de um muito bem armado Golias que dificilmente não confundirá um bom árabe, com um terrível guerrilheiro que só está bem se estendido e gelado com dois tiros bem apontados, um ao coração tenebroso e outro ao cérebro terrorista.

O HOMEM NÃO PODE SER INDIFERENTE A TANTA IGNOMÍNIA,MORTE E DOR.

andrade da silva

 
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    Re: FIM DO IMPÉRIO DA MORTE NO MÉDIO ORIENTE    Ver comentário
Pinto14 (seguir utilizador), 1 ponto , 23:27 | Domingo, 11 de janeiro de 2009
O problema nº 1
ngod*1966 (seguir utilizador), 1 ponto , 15:34 | Terça feira, 6 de janeiro de 2009
Sinceramente, acho que este é o problema mais complicado na política internacional.
Há também o da fome e os das doenças nos países subdesenvolvidos, que também são dramáticos, mas muito diferentes.
Concordo com a opinião de José Cutileiro e, se a questão se consegue pôr com esta clareza, porque é que não se resolve?
Os Estados Unidos têm a sua parte de responsabilidade, assim como a ONU e, naturalmente, as partes envolvidas - Israel, países árabes e os palestinianos...
 
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Esse argumento já prescreveu
Pinto14 (seguir utilizador), 1 ponto , 23:30 | Domingo, 11 de janeiro de 2009
"(...) ante, à espera de mediação que finalmente ponha uns e outros no caminho de paz duradoura cujos marcos são conhecidos - retirada de Israel dos territórios ocupados em 1967 (...)"

Sr. José Cutileio, a Faixa de Gaza foi desocupada em 2005.
 
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