No 20.º dia da ofensiva contra o Hamas, o exército israelita bombardeou hoje a cidade de Gaza, com meios aéreos e terrestres, tendo atingido uma agência da ONU e alguns edifícios de órgãos de comunicação social, incluindo a agência Reuters, as televisões Fox e Sky, bem como as cadeias Al-Arabiya e MBC.
Três funcionários da UNRWA /ONU ficaram feridos, disse um porta-voz da organização. A agência, cujos armazéns foram incendiados, anunciou a suspensão do conjunto de operações em Gaza.
Os ataques de Israel provocaram também ferimentos em dois operadores de imagem palestinianos da televisão árabe de Abu Dhabi.
Segundo a Al Jazeera, cerca de 500 pessoas, incluindo médicos e doentes, encontravam-se no hospital na altura dos bombardeamentos.
Mais de mil palestinianos mortos
Pelo menos 37 palestinianos morreram ao serem atingidos por tiros israelitas nas primeiras horas do dia de hoje, de acordo com fontes médicas palestinianas.
Desde o início da ofensiva israelita 1.070 palestinianos foram mortos, incluindo 355 crianças e 100 mulheres e outros 5.000 ficaram feridos. Segundo fontes médicas, 40% das vítimas mortais são civis. Israel, por sua vez, contabiliza 930 mortos, acrescentando que 75% são militantes do Hamas.
O porta-voz da ONU, Richard Gunnes, diz que a agência foi atingida por três disparos de tanques israelitas, e acusa Israel de ter utilizado fósforo branco, substância química que provoca queimaduras severas e problemas respiratórios, proibida pelas convenções internacionais. Segundo um dos funcionários da ONU, o espanhol Francesc Claret, um dos feridos sofreu lesões provocadas por esse tipo de arma.
Já na terça-feira, a organização Human Rights Watch fez idêntica denúncia contra Israel, por estar a utilizar fósforo branco.
O ataque ao prédio da ONU ocorreu pouco antes de o secretário- geral da ONU ter uma reunião com a ministra dos Negócios Estrangeiros, Tzipi Livni, em Tel Aviv.
Ban Ki-moon, que chegou hoje a Israel, considerou "insuportável" o número de vítimas palestinianas, enquanto a diplomacia se esforçava para conseguir um cessar-fogo em Gaza, onde a situação humanitária se torna "dramática" segundo a ONU.
O secretário- geral da ONU, que se deve encontrar com os dirigentes israelitas antes de se deslocar amanhã à Cisjordânia para se encontrar com o Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, afirmou ter ficado "escandalizado" com o bombardeamento do edifício da UNRWA.
Entretanto, grupos armados palestinianos, nomeadamente o Hamas, continuaram a lançar mísseis contra Israel.