Com a crise, a contestação violenta está a aumentar na Europa. Os tumultos, ontem, na Islândia, não foram os primeiros. Ontem foi na Islândia, na semana passada foi na Letónia, na Lituânia e na Bulgária e, durante todo o mês de Dezembro, na Grécia. Houve ensaios reduzidos em Paris e em Berlim. Há quem tema que só falta um fósforo para atear o rastilho dos tumultos sociais na Hungria.
Em Portugal, Mário Soares tem sido o líder mais conhecido a advertir sistematicamente para a possibilidade do país "se tornar ingovernável" em virtude do aumento do desemprego e das falências.
Com os índices económicos a cair por toda a Europa, cresce a preocupação dos líderes europeus que o desespero atire para a rua cada vez um maior número de manifestantes. Ainda em Dezembro, não foi por acaso que, em França, com o espectro de uma Atenas em pé de guerra, Nicolas Sarkozy entendeu por bem retirar os planos de uma reforma da educação que os estudantes prometiam contestar.
Só que o problema é que a crise ainda está muito longe de abrandar. Semana a semana, são revistas em baixa as previsões económicas - em Portugal e não só. Hoje mesmo, vieram a público notícias inquietantes sobre a situação da Grã-Bretanha, cujos índices de solvabilidade (CDS) são mais baixos que os de Portugal.
A libra está no seu nível mais baixo desde 2001 e as suas reservas, avaliadas em 61 mil milhões de dólares, são inferiores às da Malásia e da Tailândia.
Depois da Espanha (e de Portugal e da Grécia), a já célebre agência de rating Standard & Poor's não desmente os rumores de que também o Reino Unido poderia ver-se privado do seu triplo A. As dívidas ao estrangeiro do sistema bancário britânico são de 4,4 biliões de dólares. Isto é, duas vezes o PIB anual do país.
Receia-se que, se as coisas continuarem assim, vai haver uma Primavera quente pela Europa fora. Na Islândia, para travar a agitação, já foram marcadas eleições antecipadas para Maio. Em outros países, como na Letónia e na Bulgária, reclama-se o mesmo. Mas bastará?