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Islandeses rejeitam pagar dívida a credores externos

Os islandeses rejeitam, em referendo, pagar a dívida ao Reino Unido e Holanda.

10:22 Domingo, 10 de abril de 2011

Os islandeses votaram no sábado em referendo que o Estado não deve pagar a dívida de cerca de quatro mil milhões de euros à Holanda e ao Reino Unido, de acordo com os resultados prelimiares divulgados hoje.

Segundo a rádio pública islandesa, 7.685 eleitores votaram "não" e 5.286 votaram "sim" ao pagamento de quase quatro mil milhões de euros a credores externos.

O dinheiro serviu para indemnizar milhares de depositantes lesados pela falência do banco islandês IceSave.

Lusa
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1º do TOP em 2008 !! I
BrincaNareia (seguir utilizador), 2 pontos , 2:28 | Domingo, 10 de abril de 2011
Por Francisco Gouveia http://temdias.com/?p=633...

Ao poder económico mundial, e especialmente o Europeu, tão proteccionista do sector bancário, não interessa dar notícias de quem lhes bateu o pé e não alinhou nas imposições usurárias que o FMI lhe impôs para a ajudar.

Em 2007 a Islândia entrou na bancarrota por causa do seu endividamento excessivo e pela falência do seu maior Banco que, como todos os outros, se afogou num oceano de crédito mal parado. Exactamente os mesmo motivos que tombaram com a Grécia, a Irlanda e Portugal.
A Islândia é uma ilha isolada com cerca de 320 mil habitantes, e que durante muitos anos viveu acima das suas possibilidades graças a estas “macaquices” bancárias, e que a guindaram falaciosamente ao 13º no ranking dos países com melhor nível de vida (numa altura em que Portugal detinha o 40º lugar).

País novo, ainda não integrado na UE, independente desde 1944, foi desde então governado pelo Partido Progressista (PP), que se perpetuou no poder até levar o país à miséria.
Aflito pelas consequências da corrupção com que durante muitos anos conviveu, o PP tratou de correr ao FMI em busca de ajuda.
 
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Terra_maronesa (seguir utilizador), 1 ponto , 14:00 | Domingo, 10 de abril de 2011
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BrincaNareia (seguir utilizador), 2 pontos , 23:18 | Domingo, 10 de abril de 2011
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BrincaNareia (seguir utilizador), 2 pontos , 23:21 | Domingo, 10 de abril de 2011
    Re: 1º do TOP em 2008 !! I    Ver comentário
crapula (seguir utilizador), 1 ponto , 0:28 | Segunda feira, 11 de abril de 2011
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BrincaNareia (seguir utilizador), 2 pontos , 1:52 | Segunda feira, 11 de abril de 2011
1º do TOP em 2008 !! II
BrincaNareia (seguir utilizador), 2 pontos , 2:29 | Domingo, 10 de abril de 2011

Claro que a usura deste organismo não teve comiseração, e a tal “ajuda” ir-se-ia traduzir em empréstimos a juros elevadíssimos (começariam nos 5,5% e daí para cima), que, feitas as contas por alto, se traduziam num empenhamento das famílias islandesas por 30 anos, durante os quais teriam de pagar uma média de 350 Euros / mês ao FMI. Parte desta ajuda seria para “tapar” o buraco do principal Banco islandês.

Perante tal situação, o país mexeu-se, apareceram movimentos cívicos despojados dos velhos políticos corruptos, com uma ideia base muito simples: os custos das falências bancárias não poderiam ser pagos pelos cidadãos, mas sim pelos accionistas dos Bancos e seus credores. E todos aqueles que assumiram investimentos financeiros de risco, deviam agora aguentar com os seus próprios prejuízos.
O descontentamento foi tal que o Governo foi obrigado a efectuar um referendo, tendo os islandeses, com uma maioria de 93%, recusado a assumir os custos da má gestão bancária e a pactuar com as imposições avaras do FMI
 
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1º do TOP em 2008 !! III
BrincaNareia (seguir utilizador), 2 pontos , 2:32 | Domingo, 10 de abril de 2011

Num instante, os movimentos cívicos forçaram a queda do Governo e a realização de novas eleições.
Foi assim que em 25 de Abril (esta data tem mística) de 2009, a Islândia foi a eleições e recusou votar em partidos que albergassem a velha, caduca e corrupta classe política que os tinha levado àquele estado de penúria. Um partido renovado (Aliança Social Democrata) ganhou as eleições, e conjuntamente com o Movimento Verde de Esquerda, formaram uma coligação que lhes garantiu 34 dos 63 deputados da Assembleia). O partido do poder (PP) perdeu em toda a linha.

Daqui saiu um Governo totalmente renovado, com um programa muito objectivo: aprovar uma nova Constituição, acabar com a economia especulativa em favor de outra produtiva e exportadora, e tratar de ingressar na UE e no Euro logo que o país estivesse em condições de o fazer, pois numa fase daquelas, ter moeda própria (coroa finlandesa) e ter o poder de a desvalorizar para implementar as exportações, era fundamental.
Foi assim que se iniciaram as reformas de fundo no país, com o inevitável aumento de impostos, amparado por uma reforma fiscal severa.
 
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1º do TOP em 2008 !! IV
BrincaNareia (seguir utilizador), 2 pontos , 2:33 | Domingo, 10 de abril de 2011

Os cortes na despesa foram inevitáveis, mas houve o cuidado de não “estragar” os serviços públicos tendo-se o cuidado de separar o que o era de facto, de outro tipo de serviços que haviam sido criados ao longo dos anos apenas para serem amamentados pelo Estado.

As negociações com o FMI foram duras, mas os islandeses não cederam, e conseguiram os tais empréstimos que necessitavam a um juro máximo de 3,3% a pagar nos tais 30 anos. O FMI não tugiu nem mugiu. Sabia que teria de ser assim, ou então a Islândia seguiria sozinha e, atendendo às suas características, poderia transformar-se num exemplo mundial de como sair da crise sem estender a mão à Banca internacional. Um exemplo perigoso demais.
Graças a esta política de não pactuar com os interesses descabidos do neo-liberalismo instalado na Banca, e de não pactuar com o formato do actual capitalismo (estado de selvajaria pura) a Islândia conseguiu, aliada a uma política interna onde os islandeses faziam sacrifícios, mas sabiam porque os faziam e onde ia parar o dinheiro dos seus sacrifícios, sair da recessão já no 3º Trimestre de 2010.
 
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1º do TOP em 2008 !! V
BrincaNareia (seguir utilizador), 2 pontos , 2:36 | Domingo, 10 de abril de 2011
O Governo islandês (comandado por uma senhora de 66 anos) prossegue a sua caminhada, tendo conseguido sair da bancarrota e preparando-se para dias melhores. Os cidadãos estão com o Governo porque este não lhes mentiu, cumpriu com o que o referendo dos 93% lhe tinha ordenado, e os islandeses hoje sabem que não estão a sustentar os corruptos banqueiros do seu país nem a cobrir as fraudes com que durante anos acumularam fortunas monstruosas. Sabem também que deram uma lição à máfia bancária europeia e mundial, pagando-lhes o juro justo pelo que pediram, e não alinhando em especulações. Sabem ainda que o Governo está a trabalhar para eles, cidadãos, e aquilo que é sector público necessário à manutenção de uma assistência e segurança social básica, não foi tocado.

Os islandeses sabem para onde vai cada cêntimo dos seus impostos.

Não tardarão meia dúzia de anos, que a Islândia retome o seu lugar nos países mais desenvolvidos do mundo.

O actual Governo Islandês, não faz jogadas nas costas dos seus cidadãos. Está a cumprir, de A a Z, com as promessas que fez.
Se isto servir para esclarecer uma única pessoa que seja deste pobre país aqui plantado no fundo da Europa, que por cá anda sem eira nem beira ao sabor dos acordos milionários que os seus governantes acertam com o capital internacional, e onde os seus cidadãos passam fome para que as contas dos corruptos se encham até abarrotar.
(Francsico Gouveia)
 
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Referendar dívidas...
anabcouteiro (seguir utilizador), 1 ponto , 1:38 | Domingo, 10 de abril de 2011
Curioso no mínimo. Referendar o pagamento de uma dívida, porque não? Eles acham que foram induzidos em erro, foram estimulados a gastar e que não havia risco. E quem fazia isso? Precisamente aqueles que agora os sufocam com a dívida e lhes impõem o pagamento coercivo. A estratégia é fatal. Atrair e depois matar, engolir o incauto. A teoria da conspiração diz que uns poucos no mundo estão a tentar o domínio global através destas jogadas. Será? vamos referendar e dizer não como os Islandeses... Porque não? Perdemos o quê? A vergonha na cara? E isso é importante? Náááá´!!!
 
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BrincaNareia (seguir utilizador), 2 pontos , 2:12 | Domingo, 10 de abril de 2011
Dos pequenos Países vêm por vezes actos de coragem
userEX39164 (seguir utilizador), 1 ponto , 1:58 | Domingo, 10 de abril de 2011
As dívidas são para se pagarem?! Òbviamente que são, mas... por vezes há mesmo uns "mas"... Quando todo um povo é estrangulado por uma Banca que não se portou bem e que de uma forma capciosa conduz um Estado a uma situação de bancarrota, urge rever as relações éticas que regulam as relações entre os diversos actores em presença e quando estas são promíscuas, letais e mesmo imorais, os povos têm que ter uma palavra a dizer! Dos pequenos Países chegam-nos muitas vezes actos (talvez aparentemente suicidários mas mesmo assim de uma enorme coragem) que revelam a fibra de um povo. Já o tínhamos (noutras circunstâncias) visto com a Dinamarca no chumbo ao Tratado de Maastricht, embora num segundo referendo posterior aquele País o tenha aprovado. Não é preciso ser-se grande para se mostrar a verticalidade! Basta ter uma vontade forte e convicção.
 
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    Chiu... só muito baixinho.    Ver comentário
BrincaNareia (seguir utilizador), 2 pontos , 2:14 | Domingo, 10 de abril de 2011
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