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Isabel Alçada e o bunker socialista

Há duas formas de ler as propostas da ministra da Educação: avaliá-las ou tentar perceber o estranho contexto em que surgem.

Alexandre Homem Cristo
13:05 Segunda feira, 2 de agosto de 2010

I. Isabel Alçada propõe, principalmente, duas coisas: o estabelecimento de metas de ensino (i.e. uma reformulação curricular) e a progressiva abolição da retenção dos alunos. Se a primeira é uma proposta que até faz sentido, pois viria a dar mais liberdade aos professores e escolas na forma como leccionam para atingir essas metas, a segunda proposta, não sendo uma novidade (quem não se lembra do "chumbar é facilitar" de Maria de Lurdes Rodrigues?), é baseada em falsos pressupostos.

O primeiro pressuposto é que a retenção prejudica a maioria dos alunos. Não é assim. No ensino básico, a retenção tem menos efeitos positivos no desempenho do aluno do que numa fase mais avançada do percurso escolar. Ora isto está muito longe de significar que a retenção prejudica os alunos. Até porque inúmeros estudos académicos demonstraram que a prática da social promotion (i.e. a não retenção dos alunos) não beneficia os alunos, e que o elemento-chave na equação é o acompanhamento que os pais fazem do desempenho escolar dos seus filhos.

O segundo pressuposto é que é possível uma comparação directa entre o caso português e os casos da Europa do Norte. Não é. Porque os contextos sociais, culturais e económicos não podiam ser mais distintos, porque a organização da rede escolar é tremendamente diferente - a descentralização do ensino e a responsabilização dos seus vários sectores não existe em Portugal -, e porque nós em Portugal não temos dados estatísticos sobre os alunos que nos permitam acompanhar o desenvolvimento individual de cada um deles (i.e. saber as suas notas, por que escolas passaram, que professores tiveram, qual o nível socioeconómico dos seus pais, onde estão passados cinco anos do fim da sua educação secundária, etc.); não podemos, por isso, concluir sobre os efeitos de determinadas medidas sobre o seu desempenho escolar.

O terceiro pressuposto é que o sucesso é um direito e que deve portanto ser garantido pelo Estado. Não é assim. Este é, aliás, o pressuposto latente em quase todas as políticas educativas deste PS de Sócrates: a abolição da responsabilidade individual em favor da igualitarização do mérito. Comparar este discurso com os que se pratica nos países do Norte da Europa demonstra, acima de tudo, uma profunda ignorância sobre os pilares de exigência e accountability que sustentam os sistemas de ensino nesses países.

 

II. A única novidade neste debate é o curioso contexto político em que surgem estas propostas de Isabel Alçada. Não se trata de um debate novo e nenhum dos argumentos para rebater as propostas do PS é verdadeiramente original, pelo que não é crível que alguém no Governo esteja surpreendido com os ataques que as propostas originaram. E o facto de Isabel Alçada afirmar que só avançará se tiver consenso entre os partidos, algo cuja probabilidade é menor que a de Sócrates se demitir por livre e espontânea vontade, diz tudo sobre as suas ambições em ver aprovadas estas propostas.

Sócrates quererá preparar-se para os duros meses que aí vêm, com eleições presidenciais, o OE para 2011 e a erosão da sua base de apoio, levantando velhas guerras (para as quais já tem fieis seguidores) e evitando mediatizar as novas. Mas que o PS escolha a Educação e que primeiro-ministro e Isabel Alçada julguem que ainda podem cativar alguém com a sua visão para a Educação já só se explica pela ausência de oxigénio no ar viciado do bunker socialista.

Palavras-chave  Blogues, Política, Portugal 2009
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Tenho muita pena mas Isabel só tem um caminho:
José Telhado (seguir utilizador), 2 pontos , 14:05 | Segunda feira, 2 de agosto de 2010
RUA!
 
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    Re: Tenho muita pena mas Isabel só tem um caminho:    Ver comentário
Marco de Salvaterra (seguir utilizador), 2 pontos , 15:42 | Segunda feira, 2 de agosto de 2010
    Re: Tenho muita pena mas Isabel só tem um caminho:    Ver comentário
José Telhado (seguir utilizador), 2 pontos , 17:11 | Segunda feira, 2 de agosto de 2010
falar mal por defeito
Carlos A R Ferreira (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 14:18 | Segunda feira, 2 de agosto de 2010
O que a ministra apresenta é apenas uma proposta para discusão - para debate.
E o que propõe é uma aproximação às melhores práticas já enraizadas noutros países.
Mas, para a oposição, nós somos diferentes, portanto só temos é que ficar quietos.
 
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    Re: falar mal por defeito    Ver comentário
Dunca (seguir utilizador), 2 pontos , 14:27 | Segunda feira, 2 de agosto de 2010
Sim... Pois é...
Dunca (seguir utilizador), 2 pontos , 14:20 | Segunda feira, 2 de agosto de 2010

"Sócrates quererá preparar-se para os duros meses que aí vêm, com eleições presidenciais, o OE para 2011 e a erosão da sua base de apoio, levantando velhas guerras (para as quais já tem fieis seguidores) e evitando mediatizar as novas. Mas que o PS escolha a Educação e que primeiro-ministro e Isabel Alçada julguem que ainda podem cativar alguém com a sua visão para a Educação já só se explica pela ausência de oxigénio no ar viciado do bunker socialista."

O que os jornalistas fizeram foi preparar um arrazoado, cuja única finalidade foi a de atacar o Sócrates ...

E mais nada... Assim nunca mudaremos.
 
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Como está é que está bem...
Marco de Salvaterra (seguir utilizador), 2 pontos , 15:36 | Segunda feira, 2 de agosto de 2010
... não se deve mudar. Nada de avaliação de professores (foi a primeira grande guerra), nada de nada, como está, está bem!

Depois temos: «O ensino em Portugal é péssimo»; «os alunos chegam às Universidades sem saberem nada»; «a falta de cultura é total»: «sem um ensino de qualidade seremos sempre um país pobre e atrasado»...

... mas como está é que está bem!... Nem vale a pena discutir ou dar contributos para a necessária mudança.

Fico sem saber se a tal mudança é mesmo necessária ou se, afinal, como está é que está bem...

O país, o ensino? Que se lixem! Está "tudo mal"... mas nós gostamos assim!
 
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    Re: Como está é que está bem...    Ver comentário
caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos , 18:00 | Segunda feira, 2 de agosto de 2010
    Re: Como está é que está bem...    Ver comentário
Marco de Salvaterra (seguir utilizador), 2 pontos , 23:41 | Segunda feira, 2 de agosto de 2010
    Re: Como está é que está bem...    Ver comentário
caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos , 15:26 | Quarta feira, 4 de agosto de 2010
    Re: Como está é que está bem...    Ver comentário
celios (seguir utilizador), 1 ponto , 16:11 | Segunda feira, 2 de agosto de 2010
    Re: Como está é que está bem...    Ver comentário
Marco de Salvaterra (seguir utilizador), 2 pontos , 16:23 | Segunda feira, 2 de agosto de 2010
Este articulista...
Marco de Salvaterra (seguir utilizador), 2 pontos , 15:40 | Segunda feira, 2 de agosto de 2010
... pela alusão à falta de oxigénio é, certamente, mais uma vítima da "asfixia democrática" um dos grandes problemas nacionais... como qualquer racional se apercebe lendo, vendo ou ouvindo a comunicação dita social.

Faça exercício! Faz-lhe bem à oxigenação cerebral e sem ela deturpam-se, entre outras coisas, os pensamentos.
 
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bunker socialista!!!
caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos , 18:04 | Segunda feira, 2 de agosto de 2010
Só sabem falar mal do PS!
Então não dão valor às novas oportunidades? Pena que não dão formação aos Domingos.
 
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Os balões de ar e o chumbo.
Acrux (seguir utilizador), 1 ponto , 16:07 | Segunda feira, 2 de agosto de 2010
Será que alguém consegue interpretar um texto sem saber ler ou escrever? Ou noutro campo: Será que alguém consegue resolver uma equação sem conhecer o significado das operações básicas? As respostas óbvias destas perguntas são válidas para qualquer disciplina, por isso, penso que ao contrário de que muitos afirmam, a retenção é a diligência menos má para quem não aprendeu o que é necessário para não comprometer a aprendizagem da etapa seguinte.
O autor desta peça é claro ao escrever o que esta proposta significa, “a abolição da responsabilidade individual em favor da igualitarização do mérito”. Exigir responsabilidade e tornar claro que aprender exige empenho é o que hoje faz falta na escola portuguesa.
 
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Vão ser os técnicos
Observerum (seguir utilizador), 1 ponto , 17:23 | Segunda feira, 2 de agosto de 2010
Porque não passar sempre?
Aliás devem alargar a ideia ao ensino superior, porque o pessoal aí gosta mais de namoros e bujecas.
Depois, quando esse pessoal quiser empregar-se, tem de ir novamente tirar uma especialização e nós quando precisarmos de um médico, jurista, engenheiro, etc, sempre poderemos ir a Espanha.
Fui educado com a responsabilidade de estudar para exames e mesmo com a chamada "avaliação contínua" não há a mesma eficácia. O que acontecerá se a avaliação for negativa, se não há reprovações?
Tenham juízo
 
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Acerca dos pressupostos (I)
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 9:11 | Quarta feira, 4 de agosto de 2010
De acordo com o Alexandre, Isabel Alçada fez duas propostas a estudar. Uma é razoável (e se o é devia ser discutida), a outra "não", pelo que, consequência, em vez de ser discutida também e civilmente rejeitada, suscita comentários do género, "devia nascer-lhe um cancro na boca", pelo que no "descrédito" total, nem uma nem outra serão propriamente discutidas. Mas em relação aos pressupostos de Alexandre (e do comentário de Acrux) que têm o mérito de apresentarem alguma substância nas suas objecções:

1. O ministério de Educação não é certamente ignorante da discussão sobre a educação que existe, e Alçada tem se referido a países onde a medida existe com sucesso. A expressão "inúmeros estudos" sem citar nenhum costuma mascarar a ignorância sobre os mesmos em concreto, mas acredito que o Alexandre possa apresentar alguns. O problema é que quase certamente também haverão aqueles "inúmeros" que realçarão o valor da ideia. Espero que passada esta fase de rejeição sumária, esses diversos estudos apareçam para termos finalmente uma discussão séria e responsável.

2. A comparação com as realidades sociais desses outros países realçando a sua diferença, esquece-se que no que toca ao estado, é a educação a sua ferramenta para enformar a realidade social. Em outras palavras, dizer que as medidas não são aplicáveis porque os outros são muito melhores, é esquecer a possibilidade que os outros serão talvez muito melhores porque tomaram essas medidas.
 
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    Acerca dos pressupostos (II)    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 2 pontos , 9:13 | Quarta feira, 4 de agosto de 2010
    Re: Acerca dos pressupostos (III)    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 9:14 | Quarta feira, 4 de agosto de 2010
    Re: Acerca dos pressupostos (IV)    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 9:16 | Quarta feira, 4 de agosto de 2010
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