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Países como Nós II: uma iniciativa Expresso e PwC

Irlanda: o motor das exportações

A balança de bens registou excedentes, com 50% das exportações centradas em produtos médicos e químicos.


António Brochado Correia, partner da PwC

Ambos com problemas de liquidez soberana, Portugal e Irlanda tiveram um percurso económico muito diferente. Em 1973, o PIB per capita da Irlanda era inferior ao nosso, em 2010 é mais do dobro. A transformação económica baseou-se num contrato social coeso e no apoio seletivo a investimentos estruturais, tornando-se um polo de atração de investimento estrangeiro (IDE).

Um crescimento elevado gerou, no entanto, desequilíbrios, nomeadamente por uma deficiente alocação de liquidez ao sector imobiliário e produtos financeiros baseados no subprime dos EUA.

A estrutura da balança comercial evidencia as vantagens competitivas irlandesas. A balança de bens registou excedentes nos últimos 15 anos, com 50% das exportações centradas em produtos médicos e químicos. A portuguesa foi sempre deficitária, reflexo de um menor grau de especialização e de menos vantagens competitivas.

A análise da balança de serviços fornece-nos pistas adicionais. Deficitária na Irlanda em resultado da importação de licenças, royalties e serviços de gestão, e excedentária em Portugal, resultado da contribuição do turismo e transportes.

É um lugar comum afirmar que Portugal tem de melhorar os seus níveis de competitividade. Quatro referências cirúrgicas a este propósito: (i) no mercado laboral, diminuição do prémio salarial do sector público e maior flexibilidade, (ii) no mercado de bens, melhoria de performance do sector público e empresarial do Estado, diminuição da fragmentação do tecido empresarial e da economia informal, (iii) nas políticas públicas, transparência e consistência e (iv) minimização da distorção à competitividade empresarial, através da regulação e de mais iniciativa privada.

Portugal, à semelhança do que foi praticado na Irlanda, deve alterar a estrutura produtiva, com maior preponderância de bens transacionáveis e um acréscimo de valor acrescentado sedimentado no sucesso das regiões e áreas metropolitanas. Neste propósito, deverão ser olhados os exemplos de Galway (tecnologias médicas), Dublin (serviços financeiros) ou Cork (indústria farmacêutica e química). O caminho histórico que percorrermos e as relações que criámos (na lusofonia, mas igualmente na África e Ásia, incluindo os espaços regionais de integração) têm de ser explorados para abrirmos uma nova dimensão do nosso relacionamento nas novas centralidades.

António Brochado Correia, partner da PwC

Internacionalizar é crescer


Álvaro Santos Pereira, ministro da Economia
Na última década, Portugal acumulou défices da balança corrente e de capital em relação ao exterior que rondaram os 10% ao ano. Isto aconteceu porque o país se endividou a um ritmo sem precedentes. E assim chegámos à situação em que nos vimos forçados a pedir ajuda.

O défice externo foi responsável pelo acelerado crescimento do endividamento do nosso país. Assim, interessa perguntar: como combater este problema estrutural da nossa economia?

A resposta envolve variáveis, como a melhoria da competitividade dos nossos bens e serviços e o aumento da produtividade. No entanto, parte desta resposta passa pelas exportações. A diminuição das importações já está em curso, quer pela descida do consumo quer através de estímulos à produção nacional. Foi exatamente por isso que o Governo aprovou o programa Portugal Sou Eu, que está já a ser operacionalizado.

Por outro lado, o crescimento das exportações tem sido uma das características mais notáveis da economia nacional nos últimos tempos. De acordo com os dados mais recentes, a taxa de cobertura das exportações rondou os 80% das importações, o valor mais elevado das últimas décadas. Só para termos uma ideia o que isto significa, o défice da balança corrente caiu mais de ¤6 mil milhões em 2011.

Apesar das notícias encorajadoras, não podemos ficar satisfeitos. Não nos podemos esquecer de que o peso das exportações é inferior a 35% do nosso PIB, uma percentagem muito abaixo de países com dimensões populacionais semelhantes à nossa, como a Bélgica, a Holanda, ou a República Checa. É neste sentido que entendemos que exportar deve ser o principal desígnio nacional. Ou seja, internacionalizar é crescer.

É, por isso, importante promover a excelência dos produtos portugueses. É preciso apostar na marca Portugal. E é preciso que os portugueses sejam os primeiros a fazê-lo. É isso que também o Governo está a fazer.

O Governo não se pode substituir às empresas nem fazer negócios pelos atores da esfera privada. Mas pode e deve trabalhar na eliminação dos obstáculos à internacionalização das empresas. Foi isso que fizemos com a nova Lei da Concorrência, que vai promover uma maior competitividade empresarial. Com o programa Revitalizar e o novo Código de Insolvências, que fomentará a reestruturação empresarial e salvaguardará milhares de postos de trabalho. Com a reforma do Código do Trabalho, apoiada no acordo de Concertação Social, que está em marcha e que irá permitir às nossas empresas competir em igualdade com as suas diretas concorrentes na Europa. Com a reprogramação técnica do QREN injetámos ¤680 milhões na economia e estamos a redirecioná-lo para reforçar a competitividade das nossas empresas. Com as privatizações e o fim das golden shares. E com a reforma dos licenciamentos industriais, que estamos a ultimar, e irá tornar Portugal um país mais amigo do investimento.

Em suma, estamos a criar as condições para que as nossas empresas se fortaleçam e sejam mais competitivas nos mercados. A internacionalização da economia não é uma bandeira que se agite por conveniência política. É um imperativo nacional.

Álvaro Santos Pereira, ministro da Economia

Hovione na Irlanda


Peter Villax, vice-presidente, administrador Hovione
Em abril de 2009, a Hovione adquiriu à Pfizer aquela que é hoje a sua maior unidade industrial de produção de princípios ativos para a indústria farmacêutica. Situada em Cork, na Irlanda, a fábrica cobre 11,5 hectares e havia beneficiado por parte dos seus anteriores proprietários de investimentos na ordem de €400 milhões, sendo assim uma fábrica muito sofisticada e bem equipada.

Os prós e os contras deste investimento eram ambos de respeito. Em primeiro lugar, a proposta de valor e a oportunidade de compra eram únicas. A Pfizer queria que a sua fábrica de Cork ficasse bem entregue enquanto que a Hovione precisava de mais capacidade de produção. Embora a Hovione tivesse tentado, durante 10 anos, construir uma fábrica nova em Portugal, os atrasos nos licenciamentos acabavam sempre por constituir um fator negativo e mesmo impeditivo para qualquer opção situada no território nacional. A oportunidade de adquirir uma fábrica ultramoderna, já licenciada, acabou por ser muito atrativa e o facto de 14 das 16 maiores multinacionais farmacêuticas terem unidades de produção na Irlanda foi um grande elemento de confiança nesta decisão. Como desvantagens, percebíamos que a Irlanda não era um país low cost, e que a nova fábrica iria ter pesados custos de operação na transição.

Pesados todos os fatores, a aquisição foi em frente, e hoje a Hovione prepara-se para acolher em Cork a produção para clientes multinacionais de três novos produtos aprovados pelo FDA no último ano.

Outro fator de importância neste investimento foi o papel da Irish Development Agency (IDA), o organismo responsável pela promoção e desenvolvimento da Irlanda. A IDA deu-nos um apoio inestimável em questões administrativas e legais, sendo notável que o responsável da IDA que aconselhou a Hovione em todo o processo foi exatamente a mesma pessoa que nos havia acompanhado noutro nosso projeto irlandês em 1989 ! Os irlandeses distinguem-se por uma total continuidade nas suas políticas, por um quadro de funcionários altamente competentes que complementam o rigor da sua atividade fiscalizadora com um espírito pedagógico ainda desconhecido entre nós. Na Irlanda, para nossa grande surpresa, são os funcionários públicos que se deslocam à nossa empresa apresentando Powerpoints com respostas às nossas questões!

A Irlanda é um país com uma política económica estabilizada, bem comunicada e sem sobressaltos (ao contrário do seu sector financeiro, responsável pela crise atual). Quanto a este modelo económico, não há controvérsia, e o primeiro-ministro, Enda Kenny, que saiu da oposição há um ano, optou por deixar o modelo intacto. No discurso de apresentação do orçamento que proferiu em dezembro, Kenny concluiu que queria fazer da Irlanda "o melhor dos pequenos países do mundo para se fazer negócio, para se criar uma família e para se crescer e envelhecer com dignidade e respeito." Na altura, ouvi o discurso em direto e tive a ambição de também querer para o meu país uma visão do futuro tão clara. É que no fim de contas, o que eu gostaria de fazer sempre era investir em Portugal!

Peter Villax, vice-presidente, administrador Hovione


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Edição Diária 17.Abr.2014

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