Irão abandona programa de armas nucleares
Os peritos dos serviços secretos dos Estados Unidos continuam a acreditar que não há provas sólidas de que o Irão decidiu construir uma bomba nuclear, noticiou na edição de sábado o "New York Times".
Citando responsáveis norte-americanos não identificados, o jornal refere que as últimas avaliações dos serviços secretos são bastante consistentes com uma conclusão por parte da inteligência, em 2007, de que o Teerão abandonou o seu programa de armas nucleares.
As fontes indicam que a avaliação foi amplamente reafirmada numa Estimativa da Inteligência Nacional de 2010 e que permanece a visão consensual de 16 agências de espionagem norte-americanas, escreve o jornal.
O relatório surge depois de a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) ter alertado que continua a ter "sérias preocupações quanto às possíveis dimensões do programa nuclear iraniano".
Programa terá sido suspenso em 2003
O jornal refere que não houve divergências entre os serviços secretos norte-americanos, israelitas e europeus relativamente à possibilidade de o Irão ter vindo a enriquecer o seu programa nuclear e a desenvolver infraestruturas necessárias para se tornar numa potência nuclear.
Contudo, a Agência Central de Inteligência (CIA) e outras agências acreditam que o Irão ainda não decidiu se irá retomar o programa paralelo de criação de uma ogiva - programa que acreditam ter sido suspenso em 2003, diz o "New York Times".
Membros dos serviços secretos e analistas externos consideram que há uma outra possível explicação para a atividade de enriquecimento por parte do Irão que pode passar pelo desejo de reforçar a sua influencia na região mediante a criação daquilo que especialistas chamam de "ambiguidade estratégica", destacou o mesmo jornal.
Mais do que querer fabricar uma bomba neste momento, o Irão pode pretender aumentar o seu poder por via da disseminação de rumores junto de outras nações sobre as suas ambições nucleares, diz o "New York Times".


