Protagonistas

Ir às compras sem sair do prédio

A empresa nasceu há sete meses e apesar do crescimento estar a ser feito com pequenos passos, João Villar, o seu fundador, acredita que será capaz de convencer os portugueses a aderirem à conveniência da Miss Shop.
Maria Martins (www.expresso.pt)
Ir às compras sem sair do prédio António Pedro Ferreira

Comprar leite, ovos, pasta de dentes ou um chocolate sem ter de descalçar as pantufas é a proposta da Miss Shop. Mas não estamos a falar de fazer compras pela Internet e esperar umas horas que elas sejam entregues em casa. Falamos da possibilidade de descer as escadas do seu prédio e abastecer-se sem sequer ter de cruzar a porta da rua.

A ideia ocorreu a João Villar numa noite em que lhe apeteceu um chocolate e percebeu que teria de ir à rua para o comprar e... não foi! Aquele desejo frustrado ficou a martelar-lhe o cérebro e hoje tenta convencer os portugueses - para já, apenas os que vivem na Grande Lisboa - a evitar passar por o mesmo, colocando uma máquina de vending dentro do prédio. As máquinas Miss Shop estão preparadas para vender quase tudo: desde pizzas, refrigerantes e saladas, a iogurtes, por exemplo. E basta apenas descer as escadas.

COMO SURGIU A IDEIA?

Da vontade de comer um chocolate depois do jantar e de não ter nenhum em casa. A faísca começou aqui. Lembrei-me que quando fizera Erasmus na Eslovénia  tinha uma máquina de vending na minha residência. A ideia partiu daqui, o conceito foi-se desenvolvendo na minha cabeça até chegar a uma mercearia privada 24 horas em edifícios residenciais.

COMO PASSOU DA IDEIA À PRÁTICA?

Comecei a fazer umas pesquisas para sondar o mercado, a ver como poderia implementar a ideia, as potencialidades de expansão, etc. Depois de alguns e-mails e apenas uma resposta, tive a minha primeira reunião no mundo do vending. Fui falar com o director de um operador de vending e apresentei-lhe a ideia, com o intuito de os ter como fornecedores e criar uma espécie de parceria. Gostaram da ideia, mas penso que gostaram mais do meu entusiasmo e determinação. Depois de muitas reuniões, acabei por ficar a trabalhar na empresa, como gestor de projecto. Apesar de não ter trabalhado no meu projecto foi um bom período para conhecer como funciona o vending, os fornecedores, as máquinas, o que existe e não existe em Portugal.

Ao fim de 3 meses saí e resolvi investir seriamente na minha ideia. Como não encontrava a máquina que queria em Portugal, cheguei a ir a Itália falar com um fabricante. A descoberta da máquina não foi fácil, mas acabei por encontrar o fornecedor certo e temos vindo a desenvolver uma boa relação até agora.

Passei então à fase de criar o plano de negócios. Durante 3 meses pedi conselhos a antigos professores, tive reuniões com dezenas de fornecedores de produtos e, muito importante, falava da ideia a toda a gente, como se fosse já uma empresa criada. O feedback era óptimo e toda a gente adorava a ideia e queria uma Miss Shop à porta de casa. Foi assim que surgiu o primeiro sócio - Pedro Vidigal - que ficou contagiado com a ideia e, num almoço entre amigos em Agosto, disse "eu entro contigo!", e no dia 9 de Setembro de 2011, nasceu a Try Something, Lda.

QUAIS AS PRINCIPAIS DIFICULDADES QUE TEM ENCONTRADO?

Entre Setembro e Dezembro abordámos condomínios, empresas de gestão de condomínios e residências. A reacção foi a oposta ao esperado... As pessoas podem gostar da ideia mas as administrações são um obstáculo muito grande. Falámos com cerca de 30 empresas de gestão de condomínios (existem centenas!), visitámos cerca de 50 condomínios para tentar chegar às administrações, enviámos centenas de e-mails, fizemos dezenas de telefonemas e ninguém parecia muito interessado no nosso serviço, que é gratuito e uma mais-valia para qualquer prédio... Acabámos a colocar uma máquina no Horto do Campo Grande. Apesar de ser com um conceito diferente do home vending, permitiu-nos lidar com os primeiros problemas: prazos de validade, produtos para o lixo, desperdício, perdas, principalmente devido à dificuldade de fazer encomendas pequenas.

É nesta fase que entra o Manuel Franco, para preencher a nossa lacuna a nível comercial e logístico, porque nos trouxe o seu know-how na área de distribuição e também na alavancagem de uma startup, através de fundos e outros financiamentos, tendo ele próprio já passado por isso quando iniciou a sua empresa há 5 anos.

Já contactámos mais de 50 condomínios e de momento estamos em apenas dois. Todas as pessoas gostam da ideia de ter uma mini-mercearia privada 24 horas, no entanto nem todas estão preparadas para comprar este tipo de produtos desta forma, mas é uma questão de tempo e hábito.

Entretanto, um simples email para contar a nossa história no Dinheiro Vivo, fez-nos saltar para o programa da Júlia Pinheiro na televisão e, de repente, a Miss Shop ficou conhecida por milhares de pessoas e os contactos começaram chegar.

QUE LIÇÕES TEM RETIRADO DESTA EXPERIÊNCIA?

1. Todos os dias aprendemos uma coisa nova e descobrimos uma nova forma de encarar o nosso negócio. Continuamos fiéis à ideia base e, olhando para o plano de negócios feito há quase um ano, em termos de conceito, pouco se alterou. A nível estratégico, temos vindo a criar objectivos mais realistas e mais estruturados.

2. Por melhor que seja uma ideia ou um projeto, ou mesmo um serviço já existente, enquanto não ganharmos credibilidade e notoriedade suficientes, não passamos de mais uma empresa no mercado. É importante marcarmos a nossa posição e criarmos uma forma de chegar aos nossos clientes e deixar a nossa marca nas suas cabeças.

3. Inovar não é difícil, o problema é ser aceite. Temos perfeita consciência que o que estamos a fazer é tentar alterar a forma de consumo de determinados produtos, e isso é algo que requer tempo e uma comunicação forte e muito bem feita. Estamos a investir na imagem das nossas máquinas e queremos apostar mais na interacção das pessoas com a marca Miss Shop.

4. Este é um negócio que requer alguma massa crítica para ser viável e rentável, tanto em termos de proveitos como em termos de redução de custos. Ou seja, mais máquinas implica quantidades maiores, o que permite preços mais baratos e margens maiores - é tudo matemática!

ONDE QUER CHEGAR?

Os objectivos para este ano são ambiciosos e, a longo prazo, mais ainda. Tencionamos acabar este ano com 20 pontos de venda, cerca de 30 máquinas instaladas, e chegar às 200 em cinco anos, quando pretendemos atingir os 800 mil euros de faturação.

Para o crescimento e expansão da Miss Shop estamos já a trabalhar num modelo de franchising, para que possamos chegar mais longe, mais rápido. Queremos crescer bem este ano e criar uma equipa que eleve a Miss Shop a um novo patamar, bem estruturados, bem organizados e sempre um passo à frente da concorrência que possa surgir.


FICHA

NOME Miss Shop
ATIVIDADE Vending em prédios residenciais
ANO DE ARRANQUE 2011
ESTRUTURA DE SÓCIOS: João Villar, 27 anos, formação em Design e Gestão / Pedro Vidigal, 26 anos, trabalhou no Banif e na Vodafone / Manuel Franco, 28 anos, fundador e gerente da empresa de distribuição PassCartão


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A idéia é boa, mas os produtos arrepiam-me!
Não me bastavam as máquinas de vending no escritório, com "pré-fabricados" que são um filme de terror, era só o que faltava tê-las à porta de casa!

No entanto...olhem, substituam as pizzas congeladas por pão quente, que aí eu já vejo a coisa com outros olhos.

E claro que as administrações são um entrave! Não bastava os condóminos andarem a "chatear" porque os elevadores avariaram, agora ainda se sujeitam a que lhes batam à porta a pedir trocos para a máquineta...
Estava-se mesmo a ver.

Mas é como todas as idéias em fase inicial, encontra resistência.
Se passar a "commoditie", até aumenta o valor propangadístico do comdomínio.

Só espero que, se pegar, não se torne um chamariz para a gatunagem...

Re: A idéia é boa, mas os produtos arrepiam-me! Ver comentário
Porque?
Porque é que todas as empresas agora têm que ter nome em inglês ?

Que pancada...
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