25 de maio de 2013 às 2:33
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Ir além do TGV: Sines

Henrique Raposo

Aqueles que defendem o TGV têm sempre o mesmo argumento. O TGV, dizem, é uma forma de contornar a eterna fraqueza de Portugal: a posição periférica. Portanto, o TGV, nesta lógica, é uma espécie de aditivo geográfico que vem colmatar o nosso raquitismo periférico; o TGV é visto como um cordão umbilical metalizado que ligará, finalmente, Portugal à Europa. A 'Alta Velocidade', oh milagre!, surge assim como a cura para a nossa lepra geográfica.

Como não acredito em milagres, gostava de fazer uma pergunta: e se a nossa posição 'periférica' não representar uma fraqueza? E se a nossa latitude constituir, afinal, uma vantagem que os nossos governantes míopes não conseguem enxergar? Meus caros, quem é vizinho do Atlântico nunca é periférico. O nosso país, se for esperto, pode aproveitar o seu lugar no mapa. A geografia não é destino. A geografia só é lepra se os países forem politicamente ineptos. Portugal não está destinado a ser o leproso geográfico da Europa. Aliás, a nossa geografia tem as condições para fazer um lifting no rosto de Portugal. E o cirurgião plástico, meus caros, dá pelo nome de Sines.

As próximas eleições legislativas ameaçam transformar-se num referendo ao TGV ('sim' do PS versus 'não' do PSD). Isso é muito poucochinho. Temos de colocar questões realmente estratégicas - como Sines - em cima da mesa. Pensar Portugal sem mencionar Sines é como pensar a Holanda sem referir Roterdão. O porto de Sines é o maior porto de águas profundas da Europa. Este porto mui alentejano pode competir com as 'Roterdões' lá de cima. Para um navio oriundo da América ou da Ásia, Sines fica mais à mão do que Roterdão. Quando pensamos nisto, percebemos que a importância de Sines é incomensuravelmente superior à do TGV.

O projecto do TGV tem uma lógica defensiva, típica do Portugal pequenino que tem medo de parecer periférico aos olhos da Dona Europa. No fundo, a defesa do TGV assenta neste argumento medroso: "Temos de levar Portugal até à Europa". Meus caros, já chega deste Portugal. Precisamos de pensar de forma ofensiva. Temos de fazer com que a Europa venha até nós, usando Sines para esse efeito. O porto de Sines pode ser a porta da Europa. Neste sentido, seria mais inteligente apostar num comboio de mercadorias de 'Velocidade Alta' (uma espécie de Alfa operário) que ligasse Sines a Madrid. Esta 'Velocidade Alta' de mercadorias seria mais útil do que a 'Alta Velocidade' de passageiros entre Lisboa e Madrid.

O TGV é uma mania sem valor acrescentado. O comboio operário entre Sines e Madrid, isso sim, é uma mais-valia estratégica, que pode colocar Sines no centro da Europa. E, já agora, convinha reinvestir no aeroporto de Beja, que poderia funcionar como o Sancho Pança aéreo do nosso D. Quixote marítimo, o porto de Sines.

Que regime é este?

Paulo Mota Pinto é o responsável pelo programa eleitoral do PSD. Mota Pinto já foi juiz do Tribunal Constitucional (TC). António Vitorino é o responsável pelo programa eleitoral do PS. Vitorino já foi juiz do TC. Que regime é este que transforma o TC num trampolim para a carreira política de militantes do PSD e do PS?

Henrique Raposo

Comentários 13 Comentar
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CARO HENRIQUE RAPOSO.
Ontem mesmo, em resposta ao pesadelo de Miguel Sousa Tavares, escrevia aqui que era necessário ligar a Alta Velocidade a Sines e a Beja.
Estou plenamente de acordo com o seu escrito. Os nossos pigmeus, concentrados nos Partidos e distraídos com a intriga, não conseguem libertar-se das lamentações.
Sines ainda não cumpriu o seu destino. Complexos, miopia, incompetência e o eterno temor da grandeza do passado, paralisaram a estratégia traçada por quem planeou e concebeu essa grande obra.
Com a Alta Velocidade ferroviária, com um aproveitamento competente do Alqueva e do aeroporto de Beja, o Alentejo encontrará o futuro que tanto ambiciona. Na Holanda além do porto de Roterdão, há também o terminal aéreo de Masstricht, circundado por 300 grandes interpostos de logística.
É essa realmente a nossa vantagem atlântica. A Europa cegou-nos e as suas dádivas adormeceram-nos num oportunismo depravado, com as consequências à vista.

Quanto aos juízes do TC para os Partidos. Meu caro, a escala de valores, no nosso país, nem sequer está invertida, simplesmente não existe. Essa é a nossa verdadeira crise.

Além da falta de vergonha.
Ir além do TGV Sines
Toni 2, 1 ponto , 14:55 | Quinta-feira, 29 de Jan
Esta é uma realidade que nem é preciso ser testada por nós,porque já o foi por outros Países. Quem tiver duvidas basta para tanto ír até Espanha e conversar com essas pessoas.É mais importante investir na ferrovia que em estradas se bem que também são necessárias,mas a ferrovia poupa muito dinheiro ao País. Um País sem recursos energéticos é onde deve investir. O TGV vai fazer com que Portugal deixe de ser periférico,em relação à Europa,com o Aeroporto em Alcochete e em sintonia com os portos de mar de SINES,Setubal e Lisboa,vamos colocar-nos no centro do Mundo. Podemos desta maneira ser a Plataforma Logistica entre a Europa e o resto do Mundo. SINES é um dos portos mais fundos do Mundo ideal para alguns barcos,que não podem atracar noutros. Temos de nos virar para o mar,que é a nossa vocação natural,foi também por isso que empreendemos a Odisseia dos Descobrimentos. É assim tão difícil perceber esta estratégia?Se olharem para o Mapa Mundo veem que somos periféricos em relação à Europa,mas estamos no centro do Mundo, o que nos traz imensas vantagens,mas é preciso saber aproveitá-las.

Re: Ir além do TGV Sines Ver comentário
Outra vez o TGV?
Você diz que estas eleições serão um referendo ao TGV... Vota PS quem quer TGV, vota PSD quem não quer.

Só é pena que você se esqueça de que, quando o PSD esteve no poder, queria uma rede de TGV de CINCO LINHAS, numa altura em que o país estava quase na bancarrota. É por estes "esquecimentos", que a sua "lógica" (capaz de fazer explodir a cabeça do Spock) é tão boa.

Não se iluda... O TGV vai avançar, ou com PS ou com PSD. Esta é que é a verdade. A meu ver, o PS está a ser honesto. O PSD quer ganhar eleições.

E adorei aquele último parágrafo sobre este "regime". Você convenceu-me que é mesmo imparcial.

Ah... E já me esquecia...

SIEG HEIL!
Espertíssimo
O nosso país sempre foi espertíssimo e dia a dia o nosso Henrique fica mais esperto, tão esperto que agora quer passar à ofensiva e trazer a Dona Europa a Portugal em comboio de mercadorias.
Não é novidade que a costa alentejana está condenada ao mesmo destino da costa algarvia, com a agravante do progresso também atingir o mar que ficará coalhado de lindos navios mercantes para alentejano ver.
Sines já foi um elefante branco, mas ninguém tinha imaginado que pudesse ser um cirurgião plástico capaz de fazer um lifting ao rosto de Portugal. Felizmente não há perigo real de tal intervenção cirúrgica pela simples razão que Portugal é um membro da Dona Europa e os membros não têm rosto.
Já que o jovem Henrique está cada vez mais jovem e pronto para o ataque é melhor que comece por descobrir o seguinte: se Portugal é só um membro, então qual é o tronco e onde está a cabeça da Europa?
E ELES A DAREM-LHE COM O TGV
NÃO É TGV...É CAV CAV CAV

C OMBOIO
A LTA
V ELOCIDADE

Este deve ser alentejano...
Já não chega o sesperdício que foi o "aeroporto" de Beja, e o elefante branco de Sines (este já do tempo do "arroz de 15"), agora este compadre quer enterrar mais $$$ naquelas bandas. Será que os espanhóis estão assim ávidos de portos e aeroportos no Alentejo?

É mais um "supônhamos"!
RAVE
«A implementação da Rede Ferroviária de Alta Velocidade em Portugal (Projecto)
implicará o desenvolvimento da infra-estrutura ferroviária, a contratualização da
operação ferroviária de passageiros e mercadorias, a aquisição do material circulante e a gestão de circulação e alocação de capacidade.»

http://www.rave.pt/tabid/...
A linha Sines- Beja
Sines, neste momento é o que é, e com os milhões investidos tem de se tornar rentável e necessita realmente de um canal de escoamento dos produtos.
Esse canal é a linha férrea...mas não como o que este Governo tem querido subrepticiamente fazer crer e levar por diante.
Este Governo e a REFER tem vindo, no maior dos segredos, a defender uma nova linha de mercadorias em alta?grande? velocidade que aproveita parte da linha existente até às Relvas Verdes e partir daí cria-se uma linha completamente nova, que rasga toda uma zona de quintas, algumas delas históricas, uma zona de forte produção agrícola, de grande densidade populacional e à medida que vai para Norte, destroi, na zona de Melides e Grândola uma enorme zona de montado (estimam-se 7 mil sobreiros), a tal fileira que o Governo que proteger e potenciar, ao mesmo tempo que este canal ferroviário corta os abastecimentos de água que descem a Serra de Grândola para as Lagoas de Melides e Santo André, além de causar danos irreparáveis na paiasagem e ambiente.
A alternativa, que era renovar e ampliar a linha existente com a construção de um tunel, além de ter menores impactos a nivel de paisagem e ambiente, servia uma linha directao ao aeroporto de Beja, para escoar mercadorias e levar combustivel aos aviões e trazer e levar turistas para a costa alentejana.
Algumas questões:
Porquê o segredo em torno deste projecto? Como é possivel criar algo que desvaloriza turisticamente uma (....continua)
Re: A linha Sines- Beja Ver comentário
Re: A linha Sines- Beja Ver comentário
....continuação
uma das zonas consideradas estratégicas no PENT (o litoral alentejano), somos um país assim tão grande e extenso que nos possamos dar ao luxo de destruir mais áreas produtivas e ecológicamente sensíveis? somos assim tão ricos que tenhamos fazer tudo de novo e não aproveitar e melhorar o que existe (quando existe um programa de financiamento europeu para esse fim: o "newopera")? Como é possivel não pensar em valorizar com esta linha ferrea o elefante branco do aeroporto de Beja? Como épossivel fazer esta obra ao arrepio dos sentimentos das populações, autarcas, agricultores, caçadores, habitantes, peritos, etc?
Esperemos que sejamos todos esclarecidos das reais motivações de mais esta obra "faraónica" deste governo.
Re: ....continuação Ver comentário
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