O candidato presidencial Cavaco Silva admitiu hoje que a intervenção do FMI em Portugal significaria que o Governo "de alguma forma" falhou, num debate televisivo esta noite na TVI com Francisco Lopes, que o acusou de ser corresponsável pela situação do país.
Questionado sobre a possibilidade do FMI (Fundo Monetário Internacional) intervir em Portugal dada a situação financeira do país, Cavaco Silva voltou a insistir que espera que "o Governo desenvolva as ações necessárias" para que tal não aconteça.
Contudo, pela primeira vez Cavaco Silva acabou por ir mais longe e admitiu que, se não por possível evitar essa intervenção, o Governo "de alguma forma falhou".
Francisco Lopes critica Cavaco pelas ligações ao Governo
Num debate televisivo animado, o primeiro transmitido pela TVI, Francisco Lopes não poupou nas críticas ao candidato apoiado pelo PSD, CDS-PP e MEP, que se recandidata a um segundo mandato em Belém, acusando-o de ter feito "um acordo estratégico com o pior da política" do atual Governo e, lembrando os dez anos de Cavaco como primeiro-ministro e cinco como Presidente da República, considerou-o "um dos principais responsáveis" pela situação portuguesa".
Apontando o Orçamento do Estado para 2011 como um dos exemplos da 'colagem' do atual Presidente da República às políticas do Governo, o candidato apoiado pelo PCP e pelo PEV introduziu ainda no debate a nacionalização do BPN, uma operação que teve como objetivo "cobrir a fraude" de Oliveira e Costa, "um dos financiadores da campanha de Cavaco Silva" nas eleições presidenciais de 2006.
Numa estratégia diferente, Cavaco Silva recuperou o seu passado enquanto primeiro-ministro, considerando que "os portugueses não esquecem" quem deu o 14º mês aos trabalhadores, quem integrou os trabalhadores agrícolas no sistema geral da Segurança Social, quem resolveu o problema dos salários em atraso de 65 mil trabalhadores na península de Setúbal e "quem trouxe a Auto-Europa para Palmela".
"Tenho muito orgulho por aquilo que fiz pelo meu país", frisou.
País precisa de Presidente com "experiência"
Reiterando que, caso seja reeleito nas eleições de 23 de janeiro, irá exercer uma "magistratura ativa", Cavaco Silva assegurou ainda que o objetivo da sua candidatura é "tratar do futuro de Portugal" e dos problemas do país, que não se resolvem com "radicalismos ou extremismos", com "retórica" ou "ilusões", nem "repetindo sucessivamente as mesmas palavras".
Por outro lado, defendeu ainda, a situação que o país atravessa exige um Presidente da República com "muitos conhecimentos e muita experiência", que contribua para que sejam encontradas soluções.
A especulação dos mercados financeiros internacionais foi igualmente motivo de troca de argumentos entre os dois candidatos, com Francisco Lopes a acusar Cavaco Silva de se ter assumido como "a voz daqueles que estão a especular".
"Aqueles que insultam os mercados internacionais estão a prejudicar o país", contrapôs Cavaco Silva, deixando o desabafo: "Deus nos livre de um Presidente que não mede as palavras que diz".