2
Anterior
Nove mortos e onze feridos na Birmânia
Seguinte
A morte saiu à rua...
Página Inicial   >  Dossiês  >  Dossies Atualidade  >  A revolta dos monges  >  Internet cortada na Birmânia

Liberdade mais longe

Internet cortada na Birmânia

Os protestantes continuam a perder terreno numa luta que há muito se tornou desigual.

com agências |
Manifestação pacífica de imigrantes birmaneses frente à Embaixada da Rússia em Kuala Lumpur, Malásia, esta sexta-feira
Manifestação pacífica de imigrantes birmaneses frente à Embaixada da Rússia em Kuala Lumpur, Malásia, esta sexta-feira /  Lai Seng Sin/AP

Ao décimo primeiro dia de manifestações a junta militar continua a tentar enfraquecer os protestos de todas as maneiras.

Depois de ter conseguido afastar os monges, seguiu-se o corte da Internet, o que comprometeu o envio de centenas de imagens, uma das poucas armas que os birmaneses dispunham para dar a conhecer o que se está a passar no país.

Ko-Hitke é um bloguer birmanês a viver exilado em Londres desde os sete anos e uma das poucas pessoas que está a fornecer informações actualizadas vindas do país do sudoeste asiático.

O jovem de 28 anos tem recebido dezenas de fotografias dos protestos e das cargas policiais e o blogue está constantemente a ser actualizado com informações vindas directamente por quem está no "olho do furacão".

Hitke nunca identifica quem lhe fornece as informações nem os autores das fotografias, que muitas vezes são tiradas por simples telemóveis. O blogger sabe que está muito em risco. "Se forem apanhados o seu futuro é incerto. Podem apenas desaparecer, serem presos, ou mesmo mortos".

"É como uma missão"

Contudo um preço baixo a pagar pela liberdade duma nação: "Eles sentem que estão a servir o país. É como uma missão", referiu Hitke. Agora com o corte total da Internet em Rangum e uma suspensão parcial nas outras cidades a missão de Ko-Hitke e dos seus compatriotas levou um duro golpe.

Em Rangum os confrontos continuam a varrer as ruas da cidade, com as tropas anti-motim a disparar balas reais contra mais de 10 mil protestantes.

Com os dois principais pagodes e mosteiros de Rangum cercados por um forte contingente militar e depois de centenas de monges terem sido detidos, os protestos começam a ser liderados apenas por civis, o que está a dar mais campo de manobra aos militares para usar a violência.

Nos últimos dias houve pelo menos um pelotão que se recusou atacar os monges. Num país onde 85 por cento da população é budista não é visto com bons olhos agredir homens que para muitos são quase santos.

Enviado da ONU chega amanhã

As manifestações de apoio ao povo birmanês já chegaram a muitos dos países vizinhos, mas não só. Tóquio, Seul, Sidney e Banguecoque foram algumas das cidades onde centenas de pessoas se juntaram para mostrar que embora longe estão a apoiar a luta pela liberdade na Birmânia.

Os países da ASEN (Associação de Nações do Sudoeste Asiático) num acto conjunto e raro afirmaram estar "chocados" com a utilização de armas automáticas e "exigiram que o governo birmanês cesse imediatamente de utilizar a violência contra os manifestantes".

Uma atitude simpática mas que não chega. Segundo Benita Ferrero-Waldner, comissária europeia para as Relações Externas "o que é necessário são os contactos com o governo. São principalmente os países vizinhos, sobretudo a China, a Índia e os países da ASEAN, que devem verdadeiramente demonstrar o seu sentido de responsabilidade", apelou a austríaca em declarações a uma rádio alemã.

Amanhã deverá chegar ao país o enviado especial da ONU à Birmânia, Ibrahim Gambari.


Opinião


Multimédia

Quase ninguém ficou em casa

Foi num 25 de Abril como o deste sábado, mas há 40 anos e numa liberdade então recentemente tomada: a 25 de Abril de 1975, Portugal testemunhou as primeiras eleições livres e universais após quase meio século de ditadura. Estas são as histórias, os retratos, os apelos e as memórias de um tempo que mudou o rosto do país.

Edwin. O rapaz que aprendeu a sonhar

O que Edwin sabia sobre a vida era sobreviver. Na cabeça dele não cabiam sonhos e os dias eram passados à procura de comida para ele e para a mãe e para o irmão. A fome espreitava nos cantos da barraca de palha no Quénia e ele escondia-se dela como podia - chupar as pedras era uma forma de a enganar. Mas a sorte dele mudou porque alguém viu nele outra coisa. E tudo começou numa dança. Agora, os mesmos dedos que agarravam as pedras tocam hoje teclas de um piano Bechstein. E os pés dele já não estão nus mas calçados. Com chuteiras. Primeiro no Benfica, agora no Estoril, o miúdo de 15 anos que fala como gente grande descobriu que tinha um sonho: ser futebolista. Como Drogba.

26 mil esferográficas, 14 mil urnas e 760 quilos de lacre. Os números de uma eleição histórica

Mais de mil caixas de lacre foram usadas pelas secções de voto que por todo o país, no dia 25 de abril de 1975, recolheram os boletins de milhões de eleitores. O Expresso percorreu os quatro mapas de despesas das eleições para a Assembleia Constituinte, elaborados pelo STAP, para saber quanto dinheiro esteve envolvido, onde e como foi gasto. Cada valor em escudos foi convertido para euros a preços correntes, tendo em conta a inflação. 

Todas as ilhas têm a sua nuvem

Raul Brandão chamou-lhe 'A Ilha Branca'. Como viajante digo que tem um verde diferente das outras oito que com ela formam o arquipélago dos Açores. É tenra, mansa, repousante e simultaneamente desafiante. Esconde segredos como a lenda da Maria Encantada e um vulcão florestado a meio do século passado que nos transporta para uma dimensão sulfurosa e mágica. Obrigatória para projetos de férias de natureza.

Em três quartos de hora não se esquece só a idade. "Esquece-se o mundo"

Maria do Céu dá três voltas ao lar sempre que pode. Edviges vai a todos os velórios, faz hidroginástica e sopas de letras. António dá um apoio na Igreja e nos escuteiros. Tudo é uma ajuda para passar os dias quando se tornam todos iguais. No Pinhal Interior Sul, a região mais envelhecida da União Europeia, quase um terço da população tem mais de 65 anos. Os mais velhos ficaram, os mais novos partiram.

Profissão: Sniper

O Expresso foi ver como são selecionados, que armas usam, para que missões estão preparados os snipers da Força de Operações Especiais do Exército. São uma elite dentro da elite. Um pelotão restrito. Anónimo. Treinam diariamente com um único objetivo: eliminar um alvo à primeira, mesmo que esteja a centenas de metros. Humano ou material. Sem dramas morais, dizem.

Xarém com conquilhas

Especialista em pratos de confeção acessível, com ingredientes ao alcance de qualquer pessoa, Tiger escolheu a gastronomia como forma de estar na vida. Veja, confecione, desfrute e impressione com esta nova receita.

O que se passa dentro da cabeça dele

O que leva um tipo a quem iam amputando uma perna a regressar ao sítio onde os ossos se desfizeram, uma e outra vez, e testar os limites do seu corpo? Resposta: a busca pelo salto perfeito, que ele diz existir dentro dele e que ele encontrará mais dia menos dia. É a fé e a confiança que o movem e o levam a pular para lá do que é exigido a um campeão olímpico e mundial que não tem mais nada a provar a ninguém - a não ser a ele próprio. Este é um trabalho que publicámos em agosto de 2014, quando o saltador se preparava para os Europeus e falava das metas que tinha traçado para 2015 e 2016: mostrar que não estava acabado. Sete meses depois, provou-o no Europeu de pista coberta em Praga, onde venceu este fim de semana.

Amadeu, que aprendeu o mundo no campo e tinha o coração na ponta dos dedos

Em Portugal, a dedicação à língua mirandesa tem nome próprio: Amadeu Ferreira, o jurista da CMVM que - quando todos diziam que "era uma loucura impossível" - arranjou tempo para traduzir "Os Lusíadas", a "Mensagem", os quatro Evangelhos da Bíblia e ainda duas aventuras do Asterix para uma língua que pertence a um cantinho do nordeste português e é falada por menos de 15 mil pessoas. No final de 2014 deu ao Expresso aquela que viria a ser a sua última entrevista. Morreu no passado domingo e esta quinta-feira foi lançada a sua biografia, "O fio das lembranças", com quase 800 páginas.

Temos 16 imagens que não explicam o mundo, mas que ajudam a compreendê-lo

O júri do World Press Photo queria dar o prémio maior da edição deste ano (e talvez das edição todas) a uma fotografia com "potencial para se tornar icónica". A primeira imagem desta fotogaleria, por ser "esteticamente poderosa" e "revelar humanidade", é o que o júri procurava. A fotografia de um casal homossexual russo, a grande vencedora, é a primeira de 16 imagens de uma seleção onde há Messi desolado, migrantes em condições indignas no Mediterrâneo, a aflição do ébola, mistérios afins e etc - são os contrastes do mundo.

Vamos falar de sexo. Seis portugueses revelam tudo o que lhes dá prazer na cama

Neste primeiro episódio de uma série que vai durar sete semanas, seis entrevistados falam abertamente sobre aquilo que lhes dá mais satisfação na intimidade. Sexo em grupo, sexo na gravidez, prazer sem orgasmo e melhor sexo após a menopausa são alguns dos temas referidos nos testemunhos desta semana. O psiquiatra Francisco Allen Gomes explica ainda a razão de muitas mulheres fingirem o orgasmo. O Expresso e a SIC falaram com 33 portugueses que deram a cara e o testemunho de como são na cama. Ao longo das próximas sete semanas, contamos-lhe tudo.

Elvis. Gostamos ou não gostamos?

Ele não é consensual, mas é incontornável. Dispunha de penteado majestoso e patilha marota, aparentava olhar matador e pose atrevida. E deixou canções: umas fáceis e outras nem tanto, por vezes previsíveis e às vezes inesperadas, ora gentis ora aceleradas. E ele, Elvis, nasceu em janeiro de 1934 - há precisamente 40 anos, ao oitavo dia. Temos quatro textos sobre o artista: Nicolau Santos, Rui Gustavo, Nicolau Pais e João Cândido da Silva explicam o que apreciam, o que toleram e o que não suportam.

A última viagem do navio indesejado

Construído nos Estaleiros de Viana e pensado para fazer a ligação entre ilhas nos Açores, o Atlântida foi recusado pelo Governo Regional por alegadamente não atingir a velocidade pretendida. Contando com os custos associados à dissolução do contrato, o prejuízo ascendeu a 70 milhões de euros. Foi agora comprado a "preço de saldo", para mudar de nome e ser reconvertido num cruzeiro na Amazónia. Fizemos a última viagem do Atlântida e vamos mostrar-lhe os segredos do navio.

Desfile de vedetas

Saiba tudo sobre os modelos concorrentes ao Carro do Ano 2015/Troféu Essilor Volante de Cristal. Conheça o essencial sobre os 20 automóveis participantes nesta iniciativa, da estética, às características técnicas, do preço ao consumo. A apresentação ficará completa no dia 3 de janeiro.


Comentários 2 Comentar
ordenar por:
mais votados
E os americanos???
Parece que os americanos foram os primeiros a condenar a situação. Mais ainda, condenaram na ONU os acontecimentos recentes propondo inclusivé sansões imediatas. E a Europa? E os outros? Onde é que estão os anti-americanos agora? Os Estados Unidos anunciaram hoje a aplicação de sanções económicas a 14 altos responsáveis birmaneses, sendo esta a primeira condenação prática internacional em resposta ao uso da força para reprimir as manifestações de protesto contra a junta militar que governa este país.
Pois é, onde é que anda a esquerda critica e pseudo anti-liberal que aparece sempre a condenar a América nas suas intenções imperialistas? Sejam justos e vejam quem são os primeiros a mostrar coragem diplomática! Desta vez não há petróleo no beato.
Re: E os americanos???
Comentários 2 Comentar

Últimas

Receba a nova Newsletter
Ver Exemplo

Pub