A Amazon, a Microsoft e a Yahoo decidiram unir-se na luta contra as tentativas da Google para criar a maior biblioteca virtual do mundo.
As três empresas opõem-se a um acordo legal que, a ser aprovado, poderá fazer do Google a fonte de acesso principal a livros na Internet.
A Microsoft confirmou na sexta-feira que vai unir-se à Amazon e à Yahoo para formar a "Open Book Alliance", secundada pela The Internet Archive, organização sem fins lucrativos fundada com o objectivo de criar uma das maiores bibliotecas on-line permitindo o acesso a conteúdos que existam em suporte digital e estejam livres das restrições genéricas das leis de "copyright".
"A Google está a tentar monopolizar o sistema de arquivo bibliotecário", disse à BBC News o fundador do The Internet Archive, Brewster Kahle. "Se este acordo for para a frente o Google pode tornar-se 'a' biblioteca e a única biblioteca virtual", acrescentou.
A Google quer tornar todos os livros que puder acessíveis ao público em geral, através da ferramenta Google Book Search. O objectivo da empresa é digitalizar todos os livros do mundo.
Em 2008, a Google chegou a acordo com editoras e autores norte-americanos relativamente a dois processos judiciais em que a empresa era acusada de infringir a leis do "copyright" ao digitalizar livros sem autorização. No entanto, só no início de Outubro a legalidade ou não do acordo será decretada por um tribunal.
O acordo prevê que a Google pague cerca de 87 milhões de euros para a criação de um "Books Right Registry" (registo de direitos de livros), no qual os autores e editores podem registar obras e receber uma compensação por isso.
Os autores e os editores receberiam o equivalente a 70% das vendas dos livros registados, ficando o restante (30%) para a Google. Com a aprovação do acordo, a Google fica ainda com o direito de digitalizar obras "órfãs", livros cujos detentores de direitos são desconhecidos e que se estima que sejam 50 a 70% das obras publicadas depois de 1923.
"Caso o acordo seja aprovado, a Google ganha um monopólio com o consenso dos tribunais e o direito a explorar uma enorme colecção de livros do século XX", disse à BBC News Peter Brantley do The Internet Archive.
O grupo livreiro Leya, de Miguel Pais do Amaral, fez um acordo com a Google para digitalizar os seus livros, mas caso se prove que o Google está a violar as leis da concorrência, tal pode ficar sem efeito.
O Grupo Leya integra mais de dez editoras, entre elas, a Editorial Caminho, Publicações D. Quixote, Oficina do Livro, Texto Editora e Edições Asa.