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Wu Rongrong e Wang Man são ativistas chinesas. Mas foram detidas apenas por quererem manifestar-se

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Algumas ativistas chinesas decidiram protestar contra o assédio sexual no país, para assinalar o Dia Internacional da Mulher. Mas as autoridades detiveram dez delas dias antes desse 8 de março. Wu Rongrong e Wang Man tiveram de ser hospitalizadas por lhes terem negado medicamentos nas celas. Comissão europeia pede a "libertação imediata" de ambas. 

Wu Rongrong e Wang Man são duas das dez ativistas chinesas detidas no início deste mês, por quererem protestar, no distrito de Haidan (Pequim), contra o assédio sexual no país, para assim assinalarem o Dia Internacional da Mulher (8 de março). Desde então, cinco dessas mulheres foram libertadas, enquanto as restantes permanecem detidas, em condições precárias, dormindo no chão das celas.

Além das circunstâncias em que decorre o encarceramento, as autoridades negaram também dar a Wu e Wang os medicamentos que precisavam tomar. A situação obrigou-as a ser internadas e levou esta terça-feira a Comissão Europeia a pedir a libertação "imediata" de ambas e das outras três ativistas ainda detidas. No pedido, Bruxelas exorta a China a não restringir as atividades de defensores dos Direitos Humanos.

Em comunicado, a Comissão Europeia afirma que a "recente prisão e detenção das ativistas por pretenderem lançar uma campanha contra o assédio sexual, por ocasião do Dia Internacional da Mulher, viola o direito de manifestação pacífica".

As ativistas pretendiam colocar autocolantes em autocarros para sensibilizar a opinião pública contra o assédio sexual. No entanto, as autoridades não permitiram que a iniciativa fosse avante e prenderam as ativistas, mantendo cinco detidas - Wu Rongrong, Li Tingting, Wei Tingting, Wang Man e Zheng Churan, com idades entre os 25 e 30 anos - porque iriam causar "distúrbios". Nos dias que seguiram a detenção, as autoridades de Haidan além de negarem a medicação a Wu e Wang proibiram ainda os seus advogados de as visitarem.

Wu sofre de hepatite B e Wang tem problemas de coração. Nunca esconderam que precisavam de medicação, pedindo às autoridades para lhes darem os medicamentos que tinham dentro das suas malas. Agora, mantêm-se hospitalizadas numa unidade pública local, mas ainda detidas. 

Este caso tem gerado polémica em todos os cantos do mundo e no Twitter já foi criado um espaço de protesto público intitulado FreeTheFive.