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Violência contra imigrantes na África do Sul. Estrangeiros negros refugiam-se em esquadras, igrejas e mesquitas

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Na noite desta sexta-feira foram pilhadas e destruídas em Joanesburgo lojas, casas e carros de imigrantes, em ataques de zulus, o maior grupo étnico da África do Sul, que os acusa de "ficar com as mulheres, os empregos e as terras"

"Façam as malas e voltem para onde vieram" disse, há cerca de um mês, o líder zulu Goodwill Zwelethini. Foi assim que começou, em Durban, uma série de confrontos que já se estenderam a outras cidades, entre as quais Joanesburgo. 

Esta sexta-feira, em Joanesburgo, a polícia recorreu a balas de borracha e granadas de gás pimenta para parar os confrontos entre sul-africanos e um grupo de imigrantes armados. Durante a noite, várias lojas foram roubadas e destruídas, bem como carros e habitações de imigrantes.

Segundo dados da BBC, que cita a polícia sul-africana, nos últimos dias foram detidas 12 pessoas e cerca de 200 refugiaram-se em esquadras. Muitas outras dezenas de imigrantes pediram ajuda em igrejas e mesquitas.

A violência é sobretudo contra imigrantes negros e, nas últimas duas semanas causou pelo menos quatro mortos. Nos últimos dias foram pilhadas e incendiadas lojas e casas de imigrantes, sobretudo etíopes, paquistaneses e malawis. 

Os sul-africanos têm apontado o dedo aos estrangeiros, acusando-os de ocuparem os poucos empregos disponíveis no país. Na África do Sul a taxa de desemprego é de 24%.

Nesta quinta-feira, em Durban, cerca de 10 mil pessoas saíram à rua para protestar contra a onda de xenofobia anti-imigrante que tem assolado o país. Entre os manifestantes encontrava-se a mulher do Presidente sul-africano. O chefe de Estado, Jacob Zuma, muito criticado pelo seu silêncio em relação à perseguição aos imigrantes, acabou por se pronunciar sobre a questão na noite desta quinta-feira. Considerando a situação chocante, disse no Parlamento que "nenhuma frustração ou raiva pode justificar os ataques aos imigrantes e as pilhagens nas suas lojas".

Esta sexta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros sul-africano reuniu-se com embaixadores em Pretória.

"Acreditamos que ao trabalhar em conjunto, podemos derrotar este demónio. Todos nós temos de cortar este mal pela raiz", declarou.

A História repete-se

O governo do Malawi já está a retirar os seus cidadãos e o Quénia e outros países disponibilizaram ajuda para retirar os seus que se sintam ameaçados. Em Moçambique, perto da fronteira com a África do Sul, habitantes da zona bloquearam a estrada que liga os países, como forma de protesto.

Em 2008, Joanesburgo já tinha sido palco de violência contra imigrantes, tendo morrido mais de 60 pessoas.

A África do Sul tem cerca de 50 milhões de habitantes, estimando-se que  5 milhões sejam estrangeiros, oriundos principalmente da Somália, Etiópia, Zimbabué, Malawi, China e Paquistão. A grande maioria trabalha no sector do comércio.