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Vídeo encontrado entre os destroços revela novos detalhes sobre a tragédia nos Alpes franceses

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As árduas buscas nas íngremes montanhas pela recolha de material e recuperação dos cadáveres têm sido feitas basicamente com recurso a helicópteros

FOTO CLAUDE PARIS/AFP/Getty Images

A revista Paris Match e o tablóide alemão Bild dizem ter tido acesso a uma filmagem por telemóvel feita por uma das 150 pessoas que seguiam a bordo do voo 4U 9525. Não divulgaram imagens, apenas descrevem o que terá ficado registado.

O local da queda do Airbus A320 da Germanwings está há vários dias a ser escrutinado. As equipas procuram todo o tipo de material que possa ajudar à investigação. Um vídeo feito a partir de um telemóvel terá sido recolhido entre os destroços, divulgaram esta terça-feira a revista francesa Paris Match e o tablóide alemão Bild, que dizem ter tido acesso a essas imagens. A gravação revela um drama no voo 4U 9525. Embora não o tenham divulgado, terão sido captados os minutos que antecederam a fatídica queda no passado dia 24.



As imagens aparentemente coincidem com a linha seguida pela investigação com base na gravação áudio recolhida a partir de uma das caixas negras, a primeira a ser localizada na última terça-feira e a única recuperada até ao momento.



O Bild refere que a "autencidade do vídeo é inquestionável" e testemunha "os últimos segundos" antes da tragédia. A Paris Match revela que o vídeo foi encontrado no local "por uma fonte próxima à investigação". Ambos descrevem um cenário "caótico", que não permite distinguir os passageiros, mas os "gritos são claros", o que evidencia que estavam cientes do que "estava prestes a acontecer". O vídeo foi filmado na parte traseira do avião, segundo o Bild, mas não se percebe a posição, "se de pé ou sentado", nem quem terá filmado, "se um passageiro ou um membro da tripulação". 



Segundo as informações divulgadas na quinta-feira pelo procurador de Marselha, Brice Robin, responsável pelo caso, na gravação do som do interior do cockpit ficaram registados gritos dos passageiros, embora não se percebesse o que diziam. O que poderia indicar que se aperceberam de uma situação desesperadora.

A tese é que o copiloto Andreas Lubitz fez descer a pique o avião, num ato voluntário e deliberado, tendo aproveitado uma ausência do comandante numa ida à casa de banho para bloquear a entrada do cockpit. Os registos da primeira caixa negra esclarecem que o piloto Patrick Sondenheimer identificou-se e pediu ao copiloto para abrir a porta. Sem nenhuma resposta, terá tentado forçar a entrada com algum tipo de objeto pesado, supõe-se que um machado de emergência, uma vez que se ouvem várias batidas metálicas.



Segundo a Paris Match e o Bild, no vídeo ouve-se a expressão "Meu Deus", em diversas línguas, além de batidas metálicas, pelo menos "três vezes". O que parece evidenciar que os passageiros aperceberam-se da situação nos últimos segundos. A seguir percebe-se que há um "forte abanão, mais forte do que os outros e depois os gritos intensificaram-se". O que se seguiu? "Depois, nada", frisa a Paris Match. Terá sido este o momento do embate na montanha.

Sabe-se que Andreas Lubitz, de 27 anos, teve um episódio de depressão severa antes de obter a licença para voar e informou em 2009 a escola de pilotagem da Lufthansa, em Bremen, sobre esse facto. Os novos dados foram divulgados esta terça-feira em comunicado pela própria companhia aérea alemã, dona da Germanwings. Documentos médicos, de treinos e correspondência por email entre Lubitz e os instrutores apontam para a prestação de informação do próprio sobre essa situação. 

Lubitz é o suspeito de ter acionado deliberadamente a descida de altitude do avião.  Que motivações teria para fazer descer a pique o avião e arastar consigo para morte outras 149 pessoas? O historial médico do copiloto está a ser investigado para que se encontrem respostas. A segunda caixa negra com os parâmetros de voo continua desaparecida e as operações de resgate ainda prosseguem. O presidente francês François Hollande já veio dizer ser possível que até ao final da semana esteja concluído um dos duros processos - o de reconhecimento de todas as vítimas da tragédia sem sobreviventes.