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Veias Abertas na América Latina. Morreu Eduardo Galeano

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FOTO EPA

Desaparece um dos rostos mais críticos da exploração do subcontinente por europeus e norte-americanos. Tinha 74 anos.

Chrstiana Martins

O uruguaio Eduardo Galeano morreu de cancro no pulmão. Ensaísta, historiador e autor de ficcção, escreveu mais de 40 livros mas houve um que ficou na memória de mais de uma geração. "Veias Abertas da América Latina".

O livro foi publicado em 1971 e, dois anos mais tarde, o Uruguai sofre um golpe de Estado militar. Galeano foi preso e forçado a exilar-se na Argentina. Em 1976 é confrontado no país de abrigo com o violento golpe liderado pelo general argentino Jorge Videla e Galeano acaba por fugir para Espanha. Regressaria a Montevidéu apenas em 1985, com a redemocratização do seu país.  

Nasceu numa família católica de classe média, de ascendência europeia, patente nos olhos muito claros. Criança, sonhou ser jogador profissional de futebol, paixão que o seguiu, tendo aparecido, por exemplo, no título de pelo menos um dos seus livros, "O futebol de sol a sombra" (1995). Na adolescência foi pintor de letreiros, datilógrafo, bancário e aos 14 anos vendeu a sua primeira caricatura política para o jornal "El Sol", do Partido Socialista uruguaio.

A sua obra-prima é considerada uma importante análise da História da América Latina, desde o período colonial até à contemporaneidade. Argumenta contra o que Galeano considera ser a exploração económica e política das populações latino-americanas, primeiro pela Europa e depois pelos Estados Unidos. 

Clássico entre a esquerda latino-americana, "Veias Abertas" mereceu uma revisão por parte do seu autor. Na Bienal do Livro e da Leitura, em Brasília, no ano passado, Galeano disse que aquele pretendia ser um livro de economia política, para o qual o autor disse não ter na altura "o treinamento e o preparo necessário". E acrescentou: "Eu não seria capaz de reler esse livro, cairia dormindo. Para mim, essa prosa da esquerda tradicional é extremamente árida, o meu físico já não a tolera".

Símbolo de independentismo latino, Hugo Chávez, então Presidente da Venezuela, deu uma cópia das "Veias Abertas" a Barack Obama, no primeiro encontro entre os dois chefes de Estado.