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Vaticano aprova uso da força contra o Estado Islâmico

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O embaixador do Vaticano nas Nações Unidas, Silvano Tomasi, à esquerda

FABRICE COFFRINI / AFP / Getty Images

Numa posição inédita, o embaixador do Vaticano nas Nações Unidas afirmou que uma ação militar é necessária no caso de não ser possível alcançar uma decisão política, sem recurso à violência. 

O embaixador do Vaticano nas Nações Unidas afirmou, numa entrevista ao site católico norte-americano "Crux", que uma intervenção militar contra o Estado Islâmico (Daesh) no Iraque e na Síria será necessária para proteger os cristãos e outras minorias, se não for possível alcançar uma decisão política, sem violência. As declarações de Silvano Tomasi mostram uma posição invulgar por parte do Vaticano, que tradicionalmente se opõe ao uso da força.

"Necessitamos de uma coligação coordenada e bem pensada de modo a fazer todos os possíveis para alcançar uma solução política, sem violência", afirmou esta sexta-feira, referindo que esta não pode ser apenas "uma abordagem ocidental", devendo incluir os estados muçulmanos do Médio Oriente. Mas acrescenta que, se não for possível travar assim o Daesh,"o uso da força será necessário".

A posição do Vaticano, explica, é motivada pela necessidade de proteção dos cristãos e minorias religiosas que já morreram nas mãos do Daesh, ou foram obrigados ao exílio. "Cirstãos, yazidis, xiitas, sunitas, alauitas, todos são seres humanos cujos direitos merecem ser protegidos", garantiu. "Os cristãos são um alvo especial neste momento, mas queremos ajudá-los sem excluir ninguém", disse, acrescentando que é necessário "parar este genocídio".

A posição do Vaticano surge no mesmo dia em que Tomasi apresentou, no Conselho dos Direitos do Homem das Nações Unidas, o apelo de um grupo de países liderados pela Terra Santa, Rússia e Líbano à comunidade internacional, para que apoiasse todas as comunidades étnicas e religiosas no Médio Oriente. Mais de 60 países, incluindo os Estados Unidos, subscreveram o documento, denominado "Apoiando os Direitos Humanos dos cristão e outras comunidades, particularmente no Médio Oriente". Tomasi espera conseguir incentivar os Estados do mundo inteiro a fornecer ajuda humanitária a outros cristãos e grupos perseguidos pelo Daesh.