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Varoufakis. Abraços de Espanha, conselhos da Alemanha e Portugal à distância

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FOTO EPA

Ministro grego reencontrou a ministra portuguesa, durante a reunião do Eurogrupo. Não houve cumprimento entre ambos à chegada - a logística e a disposição física da sala não ajudaram, explica quem estava no interior. Facto é que houve um abraço efusivo entre Varoufakis e o homólogo espanhol, antes do arranque da reunião, numa imagem que marcou o dia em Bruxelas.

O espanhol Luis de Guindos entrou na sala de reuniões do Eurogrupo, pousou a pasta em cima da mesa e estendeu os braços a Yanis Varoufakis. O abraço e os sorrisos de cumplicidade entre os dois surgem após duas semanas de tensão, com a Atenas a acusar Madrid e Lisboa de tentarem derrubar o governo do Syriza. 

Na última reunião do Eurogrupo, em Bruxelas, a 20 de fevereiro, o próprio ministro grego deixou entender que Portugal e Espanha tinham dificultado as negociações sobre a extensão do resgate, dizendo que eram "mais alemães do que a Alemanha". Esta segunda-feira, Varoufakis voltou também a reencontrar Maria Luís Albuquerque, mas à entrada para a reunião dos ministros das finanças não houve qualquer cumprimento. A explicação, segundo fonte que estava na sala, está no facto de os lugares destinados a Portugal e Espanha se encontrem em lados opostos da mesa. Quando Varoufakis entrou, Maria Luís já estava na sala, junto ao seu lugar, e o ministro grego foi diretamente para o dele, sem passar pela cadeira da ministra de Passos Coelho.

Antes do início da reunião, o Presidente do Eurogrupo queria celeridade: "Estamos a perder tempo", disse Jeroen Dijsselbloem, referindo-se à falta de avanços nas negociações técnicas entre gregos e as instituições (leia-se troika). "Muito pouco foi feito" desde a última reunião do Eurogrupo, acrescentou o líder do Eurogrupo, alertando para a falta de discussão sobre os detalhes das reformas e implementação das mesmas.  

Conselhos da Alemanha - e um problema de liquidez

As dificuldades de liquidez do governo grego deverão tornar-se mais evidentes ao longo do mês. A Bloomberg avança, citando fonte próxima do grupo do euro, que as reservas gregas podem acabar dentro de três semanas. Mas se Alexis Tsipras quiser receber a última tranche do resgate - no valor 1,8 mil milhões de euros - ou o dinheiro dos lucros que o Banco Central Europeu fez com a compra de dívida grega em 2014 - 1,9 mil milhões de euros - terá de avançar com a implementação de reformas.  

Ao executivo grego não basta enviar cartas com novos detalhes "sobre 7 reformas" para o presidente do Eurogrupo. "Não cabe" aos ministros das finanças discutir os pormenores técnicos, mas às três instituições envolvidas no resgate. Foi também nesse sentido que Wolfgang Schäuble, o ministro alemão das Finanças, aconselhou esta segunda-feira o governo grego a prosseguir com as negociações "com a troika". São as instituições que têm de avaliar as reformas e recomendar depois ao Eurogrupo o desembolso do dinheiro.  

Da reunião desta segunda-feira do Eurogrupo não saem, por isso, quaisquer decisões sobre o desembolso antecipado de dinheiro à Grécia, seja total ou parcial. O encontro desta segunda-feira serve sobretudo para fazer um ponto de situação. Luis de Guindos adiantou ao início da tarde que gostaria de ouvir de Varoufakis mais detalhes sobre a carta enviada a Dijsselbloem e sobre as medidas que incluem o combate à evasão fiscal, à crise social e também à burocracia.