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Um dos autores do ataque em Garissa era filho de dirigente político

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TONY KARUMBA/AFP

Abdirahim Mohamed Abdullahi, formado em Direito pela Universidade de Nairobi, era descrito como um "futuro jurista brilhante". O ataque, reivindicado pela Al-Shabab, grupo armado com ligações à Al-Qaeda, resultou na morte de pelo menos 148 estudantes, maioritariamente cristãos. 

Helena Bento

As autoridades do Quénia identificaram um dos autores do massacre na Universidade de Garissa como sendo o filho de um governador oficial, informou o Ministério do Interior, citado pelo "The Guardian".  

Abdirahim Mohamed Abdullahi foi um dos homens que na madrugada da passada quinta-feira (2 de abril) tomaram de assalto as instalações da Universidade de Garissa, no nordeste do Quénia, e mataram pelo menos 148 estudantes, maioritariamente cristãos. 

O jovem, filho de Abdullahi Daqara, representante administrativo do Governo na província de Mandera, no nordeste do país, junto à fronteira com a Somália, foi abatido pelas forças de segurança durante o massacre.

Abdirahim Mohamed Abdullahi, formado em Direito pela Universidade de Nairobi, era descrito, por aqueles que o conheciam, como um "futuro jurista brilhante", segundo Yassin Juma, jornalista veterano, citado pela imprensa queniana. 

Estava desaparecido desde 2013. O pai, que na altura chamara a atenção das autoridades para o seu desaparecimento, suspeitava que o filho se encontrava na Somália. "O pai comunicou aos agentes de segurança o desaparecimento do filho (...) e estava a ajudar a polícia a encontrar o filho quando o ataque terrorista em Garissa aconteceu", disse à Reuters o porta-voz do Ministério do Interior, Mwenda Njoka. 

Fontes próximas afirmam que Abdirahim Mohamed Abdullahi se juntou à Al-Shabab - grupo armado que reivindicou o ataque à Universidade de Garissa, com ligações à Al-Qaeda - depois de ter tentado viajar para a Síria com o objetivo de integrar as fileiras do autoproclamado Estado Islâmico.

Páscoa obriga a reforço da segurança nas igrejas do Quénia 

Em dia de Páscoa, foi reforçada a segurança das igrejas do Quénia a pedido de alguns padres, que têm sido tomados frequentemente como alvo dos islamistas. Foram contratados polícias e seguranças privados.

Em Garissa, onde duas igrejas foram em 2012 atacadas por homens que entraram armados e de rosto tapado, matando mais de uma dezena de pessoas, cerca de seis soldados guardam a principal igreja cristã da cidade, bem como os cerca de 100 fiéis que habitualmente assistem à missa de domingo. 

"Estamos muito preocupados com a segurança das nossas igrejas e fiéis, especialmente neste período da Páscoa, e também porque é óbvio que estes ataques [perpetrados pela Al-Shabab] têm como alvo os cristãos", disse à Reuters um padre católico, Willybard Lagho.

Al-Shabab promete tornar as cidades quenianas "vermelhas de sangue"

O ataque à Universidade de Garissa foi justificado pelo envio de tropas quenianas para a Somália para integrar a missão da União Africana, que tenta combater o grupo islamista.

Este sábado, o grupo revelou uma mensagem em que promete lançar mais ataques no país e tornar as cidades "vermelhas de sangue". A Al-Shabab, com base na Somália, foi responsável por vários ataques em Garissa e outras cidades quenianas. Refiram-se o ataque a uma pedreira, em novembro do ano passado, que resultou na morte de 36 cristãos, e o massacre ao centro comercial Westgate, em setembro de 2013, que fez 67 mortos e 175 feridos. 

Também este sábado o presidente do Quénia, Uhuru Kenyatta, prometeu medidas severas contra os militares islâmicos: "Vamos lutar contra o terrorismo até ao fim. Garanto que a nossa administração vai responder da forma mais severa possível", afirmou, citado pelo "The Guardian".