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Ucrânia. Profundas preocupações reúnem ministros em Berlim

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Ministros dos Negócios Estrangeiros da esquerda para a direita - francês Laurent Fabius, ucraniano Pavlo Klimkin, alemão Frank-Walter Steinmeier e o russo Sergei Lavrov, em Berlim

CLEMENS BILAN/REUTERS

Os intensos combates entre os separatistas pró-russos e os soldados de Kiev que se fizeram sentir este fim de semana levaram os ministros dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, França, Rússia e Ucrânia a reunirem-se em Berlim. A "longa, intensa e controversa" reunião procurou a melhor forma de se fazer respeitar o trémulo cessar-fogo.

Os representantes da Alemanha, França, Rússia e Ucrânia reuniram-se ao final desta segunda-feira para debaterem, mais uma vez, o conflito na Ucrânia. A reunião deste início de semana teve no topo da agenda as graves violações do cessar-fogo entre os soldados de Kiev e os separatistas pró-russos no leste do país.

Os quatro ministros dos Negócios Estrangeiros expressaram profundas preocupações com o violento escalar do conflito no leste da Ucrânia do último fim de semana, provocando uma deterioração das condições dos civis na zona. Os representantes sentem-se agora mais pressionados a encontrar formas de fazer respeitar o cessar-fogo, assinado em Minsk há cerca de dois meses, de forma a travar o conflito que já tirou a vida a mais de seis mil pessoas.

"A reunião foi muito longa, intensa e controversa", admitiu o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Frank-Walter Steinmeier, aos jornalistas depois da reunião em Berlim que durou cinco horas.

Os ministros apelaram à retirada de todo o armamento pesado da linha da frente do conflito, um passo cujo cumprimento já se tomava por garantido. Contudo, este fim de semana, tanto os separatistas pró-russos como os soldados ucranianos utilizaram tanques e artilharia pesada em combates junto à estratégica cidade de Mariupol. Esta é vista pelos peritos internacionais como sendo do interesse da Rússia para a projeção de um caminho terrestre à anexada Crimeia.

Foi sublinhada ainda a importância do estabelecimento de um "acesso permanente e restrito" à zona do conflito para os cerca de 400 monitores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) que se queixam de ser constantemente intimidados pelos soldados da zona de conflito.

Para Steinmeier, trata-se de uma altura ideal para avançar com medidas concretas para a melhoria das condições de vida dos que vivem nas zonas afetadas pelo conflito. Os ministros defendem este ponto como crucial e avançam que o foco estará em três frentes - grupos de segurança, ajuda humanitária e reabilitação económica da zona -, a ser trabalhado em conjunto pela Rússia, Ucrânia e a OSCE.

Os resultados desta conversação serão debatidos na cimeira dos G7, na cidade alemã de Luebeck esta terça e quarta-feira, acompanhadas pelo secretário de Estado norte-americano John Kerry.

Balanço das últimas 24h

De acordo com a última conferência de imprensa do Conselho de Segurança e Defesa Nacional da Ucrânia, nas últimas 24 horas morreram seis soldados e outros 12 ficaram feridos.

"A situação na zona do conflito continua instável. Ataques armados por parte do inimigo estão a decorrer em quase todas as frentes", declarou o porta-voz do Conselho, Andriy Lysenko.

Esta segunda-feira, os combates encontravam-se muito intensos também em Pisky, aldeia junto ao aeroporto de Donetsk. E mais a este, a morte de um adolescente de 13 anos em Dnipropetrovsk devido à explosão de uma granada angustiou a Ucrânia.