Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Ucrânia: Direitos Humanos em "rápida deterioração"

Na sequência dos conflitos no leste da Ucrânia, o número de deslocados internos aumentou e as condições económicas pioraram.

ANTONIO BRONIC/REUTERS

Trabalhos forçados e tráfico de seres humanos são as principais violações de direitos humanos na Ucrânia. Na sequência dos conflitos no leste do país, há um elevado número de deslocados internos. O alerta é da Maplecroft num relatório divulgado esta quarta-feira.  

Tem havido uma "rápida deterioração" dos Direitos Humanos na Ucrânia este ano. Segundo um relatório divulgado esta quarta-feira pela Maplecroft, organização especializada em gestão de risco, trabalhos forçados e tráfico de seres humanos são os principais problemas no país.

Na sequência dos conflitos no leste da Ucrânia, o número de deslocados internos aumentou e as condições económicas pioraram. Segundo o relatório "Maplecroft Direitos Humanos Risk Atlas 2015", 430 mil pessoas estão deslocadas internamente. O elevado número de pessoas nessa condição faz com que os Direitos Humanos naquelas regiões se vão desgradando. Algo que já sucedia vinha a acontecer desde 2011 mas que o início dos conflitos acelerou.

"As pessoas deslocadas vivem em acampamentos ficando vulneráveis ao tráfico de seres humanos ou de trabalhos forçados", disse ao canal de televisão "Al Jazeera", o analista Marilu Gresens. "Podem surgir propostas fraudulentas de trabalho, ou é-lhes dito que podem obter o documento de identificação de refugiados noutro país e, de um momento para o outro, estão em situação de tráfico", explica.

Ao lado da Tailândia e da Turquia, a Ucrânia tem vindo a deteriorar-se mais que qualquer outro país, desde os protestos em Kiev, que levaram à queda do ex-primeiro ministro Viktor Ianukovich.



Diferenças regionais - Kiev e Crimeia

O relatório da Maplecroft faza "diferentes abordagens regionais dos Direitos Humanos", em especial entre a capital, Kiev e a Crimeia, região anexada em março pela Rússia.

"Enquanto o novo governo de Petro Poroshenko mostrou um melhor desempenho no cumprimento dos Direitos Humanos no pouco tempo em que está no cargo, as autoridades da Crimeia e das Repúblicas Populares de Donetsk e Luhansk destacaram-se pela sua crueldade", escreve o relatório.

Daragh McDowell, analista da mesma organização, disse à "Al Jazeera" que estas diferenças já existiam antes dos atuais conflitos. "Numa cidade como Kiev, há uma grande mobilidade da sociedade civil. Se as pessoas não gostam, protestam, como aconteceu com Ianukovich, que foi derrubado. Nas regiões orientais, como a Crimeia, isso é menos vincado. Aceita-se o que está a acontecer".

Há também alertas de outras organizações. "Todas as atenções estão viradas para o leste da Ucrânia mas os abusos na Crimeia também aumentaram", refere a Human Rihgts Watch.

"Sob vários pretextos, as autoridades têm perseguido aqueles que se atrevem a criticar abertamente as decisões da Rússia", levando a que cidadãos da Crimeia sejam tratados como estrageiros. Como cidadãos ucranianos, estão impedidos de assumir cargos no governo e são tratados como imigrantes ilegais.

 

Mudanças no governo ucraniano

Entretanto em Kiev há desde terça-feira um novo governo. As principais alterações foram nas finanças, economia e saúde. Aos três novos ministros foi concedida a nacionalidade ucraniana horas antes das votações.

Natalie Jaresko, norte-americana de origem ucraniana fica com a pasta das finanças. Responsável pelo Ministério da Economia ficou Aivaras Abromavicius, oriundo da Lituânia. Na Saúde, fica Alexander Kvitashvili, ex-ministro do Trabalho da Geórgia.

O presidente Petro Poroshenko mantém-se chefe do governo. Negócios Estrangeiros, Defesa e Interior não sofreram alterações.