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Turquia solidária com a dor da Arménia, mas contra a classificação "genocídio"

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O primeiro-ministro Ahmet Davutoglu diz que a Turquia recordará novamente, "com respeito e solidariedade", a dor dos netos e filhos dos arménios mortos, prometendo a realização de uma cerimónia em Istambul - pela primeira vez - em memória de todos os que perderam a vida nos acontecimentos de 1915

Murad Sezer/Reuters

A morte de 1,5 milhões de arménios em 1915 continua a dividir os dois países. Numa mensagem enviada nas vésperas de se cumprir o centenário sobre os massacres, o primeiro-ministro turco garante que a sua nação "partilha a dor" dos descendentes.

Numa mensagem conciliadora dirigida aos descendentes dos arménios mortos há cem anos, nos massacres ocorridos durante o império otomano, o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu afirma que a Turquia está solidária e "partilha a sua dor", mas continua a recusar usar a palavra genocídio.



Apesar de a Arménia estimar em 1,5 milhões o total de mortes causadas pelos massacres e deportações de 1915, a Turquia sempre rejeitou reconhecê-las como resultado de um genocídio, argumentando que se tratou de um período histórico de guerra civil, com perdas para ambos os países.



O tema, desde sempre matéria sensível no relacionamento entre a Turquia e a Arménia, voltou a ganhar atualidade com a aproximação do centenário dos acontecimentos e com as recentes declarações do Papa Francisco, que se referiu às mortes como sendo de facto um genocídio.



Criticado pelo Presidente turco, que classificou a afirmação como "inapropriada", pedindo ao Papa para "não repetir o erro", também o primeiro-ministro considerou "legal e moralmente problemático" reduzir os acontecimentos "a uma simples palavra", que responsabiliza apenas a nação turca.

Ahmet Davutoglu insiste, contudo, que a Turquia recordará novamente, no dia 24 de abril, "com respeito e solidariedade" a dor dos netos e filhos dos arménios mortos, prometendo a realização de uma cerimónia em Istambul - pela primeira vez - em memória de todos os que perderam a vida nos acontecimentos de 1915.