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Tsipras. "Não esperem que assinemos uma rendição incondicional"

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FOTO ALKIS KONSTANTINIDIS/REUTERS

Num debate parlamentar desta noite para o balanço do primeiro acordo assinado entre Atenas e os seus credores, o primeiro-ministro grego disse querer "um compromisso honesto". Atacou a oposição mas poucos detalhes revelou sobre a lista de reformas. A garantia: a discussão da renegociação da dívida "vai começar em tempo útil".  

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, afirmou hoje que pretende "um compromisso honesto" com os credores do país, insistindo na renegociação da dívida e recusando todas as concessões que lhe são exigidas.

"Nós procuramos um compromisso honesto com os nossos parceiros. Mas não esperem que assinemos uma rendição incondicional. É por isto que somos atacados sem piedades, mas é a razão pela qual a sociedade nos apoia", afirmou o chefe do governo da Grécia, ao discursar no parlamento.

O executivo de Alexis Tsipras programou para esta noite um debate parlamentar para apresentar o balanço do primeiro acordo assinado entre Atenas e os seus credores, em 20 de fevereiro, e apresentar as perspetivas.  

A aplicação do acordo, que prevê o prolongamento por quatro meses do pagamento dos empréstimos internacionais, impõe ao governo a apresentação de uma lista de reformas.

O primeiro-ministro afirmou que apresentou às instituições credoras uma lista de reformas "reais", que vão fazer da Grécia um país "moderno". Entre estas medidas, Tsipras mencionou a luta contra o contrabando de tabaco e combustível, as fraudes no imposto sobre o valor acrescentado e õ controlo dos depósitos bancários no estrangeiro.

Reiterou também a necessidade de uma renegociação da dívida pública do país, equivalente a 117% do produto interno bruto, sem a qual "o reembolso será impossível". Esta discussão com os credores -- União Europeia e Fundo Monetário Internacional -- "vai começar em tempo útil, para conduzir em junho a um novo contrato de desenvolvimento" para a Grécia.

O primeiro-ministro desafiou também os partidos da oposição a apoiar a política do seu governo "para acabar a austeridade", apesar de atacar vigorosamente o balanço do governo antecedente, liderado por Antonis Samaras, à frente de uma coligação entre a direita e os socialistas.

Tsipras atacou os seus antecessores por terem deixado o país "à beira do abismo". Em resposta, Samaras criticou as escolhas do governo do Syriza, acusando-o de conduzir o país para "o caos".