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Tsipras, Juncker, Merkel e Draghi devem reunir-se na sexta-feira

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O pedido para a reunião de emergência partiu do primeiro-ministro grego. Ao que o Expresso apurou, o encontro entre líderes, para discutir a situação na Grécia, deverá "em princípio" decorrer na sexta-feira. Jean-Claude Juncker foi contactado e deverá estar presente, tal como Angela Merkel, François Hollande e o Presidente do Banco Central Europeu, Mário Draghi.

A Grécia não está na agenda da próxima cimeira de chefes de Estado e de governo, marcada para quinta e sexta-feira próximas, em Bruxelas, mas a situação financeira do país deverá roubar atenções, tal como aconteceu no último encontro de líderes, a 12 de fevereiro. Na altura, num encontro bilateral à margem do Conselho Europeu, Alexis Tsipras e o presidente do Eurogrupo deram o primeiro passo para ultrapassar o impasse nas negociações sobre a extensão do resgate. O primeiro-ministro grego e Jeroen Dijsselbloem concordaram em "pedir às instituições (BCE, FMI e Comissão) para começarem a trabalhar com as autoridades gregas".

Pouco mais de um mês depois, e já com o acordo de extensão assinado, as negociações continuam a não dar frutos. Os parceiros europeus insistem que se a Grécia quer receber o dinheiro que ainda está pendente no programa de assistência tem de começar a implementar reformas.

Atenas tem estado a cumprir os pagamentos agendados com o Fundo Monetário Internacional - na segunda-feira, reembolsou mais 584 milhões de euros - mas há ainda uma tranche de mais de 300 milhões a pagar esta sexta-feira e os problemas de liquidez dos cofres gregos suscitam cada vez mais dúvidas aos parceiros europeus.

Esta terça-feira, num entrevista a uma rádio holandesa, o presidente do Eurogrupo recordou que, em 2013, para manter Chipre no euro foi preciso tomar "medidas radicais", referindo-se ao encerramento de bancos e à imposição de condições para travar a saída de capitais do país.

O alerta não caiu bem em Atenas. "Acreditamos que é desnecessário lembrá-lo (Dijsselbloem) de que a Grécia não pode ser chantageada", respondeu o porta-voz do governo, Gabriel Sakellaridis, citado pela Reuters.

Manter a Grécia no euro tem sido um objetivo repetido, não só por Jeroen Dijsselbloem, mas também pela Comissão Europeia de Jean-Claude Juncker. Já a relação entre Atenas e Berlim continua tensa. No final da semana passada, o ministro alemão das finanças, Wolfgang Schauble, voltou a referir a possibilidade de uma saída "acidental" da Grécia do euro, no entanto, para Angela Merkel este é um cenário a evitar e a chanceler até convidou Alexis Tsipras para visitar Berlim.

Tendo em conta que tanto Merkel, com Juncker - tal como Presidente francês François Hollande - participam na cimeira de quinta-feira, Alexis Tsipras pediu ao presidente do Conselho Europeu que organizasse o encontro. Donald Tusk não incluiu o problema da Grécia na agenda oficial da reunião a 28, mas ao que o Expresso apurou, o encontro pedido por Atenas deverá ter lugar, à margem, na sexta-feira (segundo dia da cimeira).

É o encontro entre todos os que têm defendido a manutenção da Grécia do Euro, e onde estará também o Presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi. Será mais uma oportunidade para perceber até onde os líderes europeus estão dispostos a ir para manter a Grécia na moeda única. De acordo com o porta-voz do governo grego, citado pela Reuters, Atenas pretende reiterar o compromisso com a implementação de reformas.