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Tsipras e Merkel encontram-se. Os mal-entendidos já começaram

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Tsipras e Merkel encontraram-se na semana passada na reunião promovida pelo Eurogrupo, mas esta segunda-feira estarão a sós frente a frente, em Berlim

Emmanuel Dunand/Reuters

O primeiro-ministro grego encontra-se esta segunda-feira com a chanceler alemã, mas não é certo que a reunião ajude a forjar algum entendimento. Atenas quer adiar a lista de reformas prometidas, mas os alemães querem vê-la já em Berlim. A juntar lenha à fogueira, o "Financial Times" publica no mesmo dia do encontro uma carta de Tsipras para Merkel que fala num pagamento de dívida "impossível". 

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

O primeiro-ministro grego Alexis Tsipras irá esta segunda-feira reunir-se com a chanceler alemã Angela Merkel em Berlim, numa reunião que marca o primeiro encontro oficial entre os dois líderes. 

A visita decorre três dias depois da reunião entre Tsipras, Merkel, o Presidente francês François Hollande e representantes europeus, à margem da cimeira europeia que decorreu no final da semana passada. Na reunião de sexta-feira, Tsipras comprometeu-se a apresentar uma lista mais detalhada de reformas em troca de mais financiamento.  

Berlim gostava que o primeiro-ministro grego apresentasse já a Merkel as suas ideias, como explicou à BBC o líder parlamentar do SPD (parceiro de coligação da CDU da chanceler), Thomas Oppermann: "Espero que ele apresente esta lista nas suas conversações com a chanceler na segunda-feira", declarou o representante dos sociais-democratas. "Quero saber de uma vez por todas se a Grécia está disposta a fazer reformas ou não."  

Angela Merkel não foi tão específica, dizendo na sexta-feira que este encontro serve para os dois líderes "se conhecerem bilateralmente" e falando no que pretende fazer: "Escrevi algumas ideias e vou focar-me nas questões que, do ponto de vista alemão, precisam de ser ditas."  

Alexis Tsipras , por seu lado, fez questão de dizer ao jornal "Kathimerini", em vésperas de reunião, que o encontro deve decorrer "sem a pressão de uma negociação". À Bloomberg, um representante do Governo grego colocou de parte uma discussão sobre as condições do financiamento grego para este encontro.  

Um pagamento "impossível" 

Esta segunda-feira, o "Financial Times" publicou uma carta que Tsipras terá enviado a Merkel a 15 de março, antes ainda do encontro de sexta-feira no Conselho europeu. Segundo o jornal britânico, Tsipras menciona que, sem um financiamento a curto-prazo por parte da Europa, as restrições do Banco Central Europeu e a impossibilidade da Grécia se financiar nos mercados "tornariam impossível para qualquer governo pagar a sua dívida."  

Tsipras relativiza ainda o problema grego, pedindo a Merkel  que não deixe que "um pequeno problema de fluxo de caixa e uma certa 'inércia institucional' tornem isto num problema maior para a Grécia e para a Europa."   

O pedido do primeiro-ministro grego pode, no entanto, cair em saco roto. Na sexta-feira, Merkel deixou claro que a União Europeia só dará novas ajudas económicas à Grécia se forem apresentadas reformas concretas. Dois dias mais tarde, o ministro da Economia espanhol, Luís de Guindos, reforçava essa posição: "Não irá haver nenhum desembolso antes de haver um teste real que mostre que as reformas foram aprovadas e aplicadas."