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Tsipras coloca pressão no BCE: fala de "cordas ao pescoço" e no perigo do regresso dos dramas

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Uma das manifestações contra a austeridade, em Atenas

FOTO EPA

Chefe do Governo grego argumenta que há uma decisão do BCE que pode mudar tudo - para pior ou melhor.

O primeiro-ministro grego deu uma entrevista à revista alemã Der Spiegel e expôs um lamento que é crítica e preocupação. "O BCE ainda tem nas mãos a corda que temos no pescoço", afirmou Tsipras na entrevista parcialmente divulgada pela revista. 

O primeiro-ministro grego confirmou a intenção de querer enfrentar os problemas de liquidez da Grécia emitindo obrigações de curto prazo. O BCE impôs um limite, que já foi atingido (15 mil milhões de euros), para a emissão destes títulos e Atenas tem pedido o levantamento desta restrição, mas sem resultados, até agora. 

"Se o BCE não o autorizar, terá uma grande responsabilidade e voltaremos ao drama que tínhamos antes de 20 de fevereiro", advertiu o primeiro-ministro grego, em alusão à data em que a Grécia chegou a acordo com o Eurogrupo para prolongar o programa de resgate por quatro meses.

 

Segundo Tsipras, é preciso "uma solução política que não pode ser tomada por tecnocratas". Sem fontes suplementares de financiamento, a Grécia corre o risco de não poder reembolsar nas próximas semanas o FMI em 1,5 mil milhões de euros.

 

Na conferência de imprensa que deu na quinta-feira em Nicósia, o presidente do BCE, Mario Draghi, mostrou-se firme em relação à Grécia. "A última coisa que se pode dizer é que o BCE não apoia a Grécia", disse Draghi, insistindo que a instituição "é governada com regras" e que essas não podem ser ultrapassadas para favorecer um país.

 

Tsipras reafirmou a sua intenção de aplicar as reformas prometidas e indicou que pediu a "todos os membros do conselho de ministros menos palavras e mais atos". O aviso "não foi apenas para (Yanis) Varoufakis", o ministro das Finanças grego que tem multiplicado as suas intervenções nos 'media' nas últimas semanas.

O BCE, a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) são credores da Grécia e controlam a aplicação do programa de assistência financeira ao país.