Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Tsarnaev é uma vítima ou um assassino sanguinário?

  • 333

Advogados de defesa de Dzhokhar Tsarnaev, à chegada ao tribunal onde decorre o julgamento do jovem, em Boston

Katherine Taylor/EPA

Defesa e acusação esgrimem em tribunal os últimos argumentos para tentar convencer o júri do papel desempenhado por Dzhokhar Tsarnaev no atentado de há dois anos na maratona de Boston. Quer tenha sido coagido pelo irmão ou parceiro na elaboração do ataque, o jovem de 21 anos poderá ser condenado à morte. 

Sete mulheres e cinco homens têm nas mãos o destino do bombista de Boston, acusado de cometer um crime a que os procuradores se referem como um "ato terrorista planeado a frio".    

"Foi intencional e sanguinário, para marcar uma posição", disse Aloke Chakravarty, um dos procuradores que representam a acusação no julgamento de um dos implicados no ataque terrorista de 15 de abril de 2013. Quiseram deixar um aviso à América: "Nunca mais voltarão a aterrorizar-nos. Somos nós que iremos aterrorizar-vos", concluiu o procurador.    

Doze jurados estão desde terça-feira a deliberar se Dzhokhar Tsarnaev é ou não culpado dos crimes de que é acusado.   

A estratégia da defesa parece ser clara: tentar convencê-los de que a autoria intelectual do ataque deverá ser atribuída ao irmão mais velho, Tamerlan Tsarnaev, de 26 anos, morto pela polícia quando tentava fugir, quatro dias depois do atentado. Dzhokhar, teve sorte diferente, escondeu-se no interior de uma embarcação e conseguiu iludir as autoridades mais algumas horas, antes de ser detido.   

Segundo a advogada de defesa, Judy Clarke, foi Tamerlan quem arranjou o material, construiu as bombas e planeou o ataque.    

"Se não fosse Tamerlan, [o atentado] nunca teria acontecido", disse Clarke na audiência. A advogada de defesa garantiu aos jurados que o réu foi influenciado pelo irmão, Tamerlan, que tinha por hábito tratar Dzhokhar - então com 19 anos - como um "miúdo" e um "adolescente".

Vídeos recordam dia fatídico 

No final da sessão de segunda-feira, advogados de defesa e procuradores estiveram de acordo num ponto: Tsarnaev conspirou com o irmão no atentado e deixou no passeio, a escassos metros da linha da meta, uma das duas bombas feitas com panelas de pressão, que acabariam por explodir, matando três pessoas e ferindo mais de 260 entre as muitas centenas que assistiam à maratona de Boston.   

As deliberações dos jurados começaram quase dois anos depois de Tsarnaev e o seu irmão terem levado a cabo o seu plano, a 15 de abril de 2013.   

Vários vídeos exibidos em tribunal recordam o dia fatídico e ajudam a acusação a montar as peças que conduzirão ao veredito final do júri. Aquela pretende provar que os irmãos Tsarnaev funcionavam como uma "equipa" e foram "parceiros" no ataque, tentando derrubar a estratégia da defesa.   

"Naquele dia, sentiram que eram soldados. Eram os mujahedin, e vieram a Boston travar a sua batalha", assegurou a acusação.   

Se Tsarnaev for condenado - o que deverá acontecer tendo em conta as alegações da defesa - o júri terá então de deliberar se o jovem cumprirá pena de prisão perpétua ou enfrentará a pena de morte.